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Friday, February 27, 2004

Anthony Giddens 

Estando embrenhado em plena démarche Sociológica, um texto de uma professora do ISCTE leva-me até Anthony Giddens, acessor do fleumático Tony Blair e autor do célebre "The Third Way", verdadeira ideologia de esquerda do novo milénio. Como observa o Classe Média, neste seu post interessante, a Terceira Via tenta ser algo entre o Socialismo Antigo e a Liberal-democracia. Uma pretensa fórmula alternativa à dicotomia (por hipótese) ultrapassada da Esquerda x Direita.

Tudo o que conseguiu foi tomar o lugar da esquerda, onde uma Internacional dirigida pelo dirigente português mais cobarde e incompetente do último século, soa a oco e a fora do prazo. E continua-se a cantar a internacional nesta Internacional? O Socialismo, de inspiração em Marx e Engels, faz sentido ainda hoje?

J.C.D. - Fotógrafo PRO-AM (Profissional-Amador) 

O nosso Jaquim é não outro senão o autor das fotos deste site. que me perdoe JCD, mas aqui os "peixes-de-aquário" (?!) Blog-sem-nome, perguntávamo-nos de onde vinha esse manancial de fotos presente no Jaquinzinhos. A dúvida instalou-se depois do post sobre o Copyright, (que se bem me recordo, subscrevemos inteiramente): seria JCD o autor de tantas fotos e tão boas? Poderá ele sem dúvida desfazer a incerteza, mas aqui fica uma pista, neste site visitável, onde as fotografias, se não são boas, são muito ao meu agrado. Enfim, à minha forma de olhar. Ver entao aqui, as ditas fotos.
Parabéns, é tudo o que me ocorre dizer. São mesmo tuas? apetecia-me imenso postar uma delas. Mas pronto, respeitemos o autor e o seu copyright! Abraço, fica a homenagem.

"Os Descobridores" de Daniel J. Boorstin - Post 1 

Pág. 149 da Edição da Gradiva. Passo a citar:

" Antes dos navegadores Europeus poderem aceitar o desafio que lhes era feito pelo encerramento das passagens terrestres para a Asia, esta parte sul-africana do mapa do mundo de Ptolomeu tinha de ser revista. Na realidade, o próprio significado da palavra "oceano" teria de ser modificado. Até àquele tempo, os Europeus estableciam uma distinção profunda entre o oceano e um mar (mare) Havia, de facto, apenas um oceano. Na mitologia grega era Oceanus, a grande corrente de água circular que supostamente envolvia o disco da Terra. Daí que, em Inglês, até cerca de 1650, o grande mar exterior, de extensão ilimitada, fosse comummente chamado "ocean sea" [mar oceano], de mare oceanum, e oposto ao mar interior Mediterrânico ou a outros mares interiores.

Os cartógrafos cristãos da Idade Média respeitavam em geral as antigas lendas gregas e representavam as parte habitáveis do Mundo como se estivessem rodeadas pelo mar Oceano. " Que as águas que correm debaixo do céu se juntem num lugar", declaravao Livro do Génesis (1:9), "e que a terra seca apareça: e assim aconteceu." Embora os cristãos discordassem quanto às características do oceano que tudo circulava, estavam geralmente de acordo em que, mesmo que esse oceano se revelasse de algum modo navegável, não deveria ser penetrado. Algures, além ou fora dele, ficava o Paraíso, que nenhum homem vivo deveria ou poderia alcançar. "

JCD dos Jaquinzinhos : de comment cheguei a post  

jcd: este teu artigo é bastante pertinente, mas devia ter sido mais explicita a relação directa do Partido Comunista com a Extrema esquerda. Se o NSDP (Nazi) viu depois de 1945 as suas acções escalpelizadas, o Partido Comunista na CCCP deixou na obscuridade décadas de perseguições e gulags, milhões de desaparecidos que nunca serão contados como mortos, pois não se sabe dos corpos. Aliás, neste blog, tivemos oportunidade de postar sobre o conluio entre o KPD (Kommuniste Partei Deutschland) e o NSDP (Nazional Sozialisten Demokratisches Partei) em 1932, que levou o partido de Goebbels e Hitler ao poder em 1933, isolando o SPD (Social Democratas). Como diz JCD, os opostos atraem-se.

Hoje, em Portugal e em outros países democráticos, o Partido Comunista é tolerado e até vai a eleições, mas não nos enganemos, de longe a longe, a cassette é posta e as frases revelam os seus autores.

Senão veja-se a citação de Carvalhas à Visão desta semana: " Enquanto não declararmos esta democracia uma farsa, uma comédia, uma falsidade, não vamos poder aceder à verdadeira democracia , que é a do povo..." Este tipo de fraseado preocupa-me realmente, juntando a outros do ano que passou, como Bernardino Soares (líder da Bancada do PCP) em pose célebre à Visão: " Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia", ou Odete Santos à SIC: " Cuba é uma democracia, as pessoas têm educação, saúde e justiça. Não têm liberdade política, mas isso não é importante. Não concordo com a pena de morte. Não concordo que seja aplicada muitas vezes..."

Este Comunismo é exactamente igual ao Fascismo, como JCD vincou, e não há tolerância possível para a intolerância total. Não deixa de ser notável a forma como na Europa se contemporiza com o fenómeno da Extrema-esquerda. Como se fossem gente de princípios, como se fosse gente séria, como se fosse gente democrática. É inacreditavel que eles se considerem arautos denunciadores das derivas de extrema-direita possíveis. Estes senhores continuam em 2004 a falar do processo Revolucionário em curso! A dizer que todos os governos pós-25 da Abril são Reaccionários! Como é que isto é possível? Como é possível dominarem os media? Como é possível acharem-se melhores que os fascistas? Ou diferentes?

Eu digo como é que acontece: Lavagem ao cérebro, disciplina de partido, culto da personalidade do líder, obediência total e cega, hierarquia, falta de espírito crítico, falta de inteligência, falta de cultura, falta de liberdade, desfasamento total com a realidade.

Thursday, February 26, 2004

Alguns recortes avulsos 

Gazzetta dello Sport: «I ragazzi di Mourinho vincono 2-1 con i Red Devils. A Oporto passano in vantaggio gli ospiti al 14' del primo tempo con Fortune. Poi si scatena McCarty: il sudafricano pareggia al 29' della prima frazione e realizza il gol decisivo al 33' della ripresa. Agli inglesi saltano i nervi e Roy Keane si fa espellere, salterà la gara di ritorno.»

L'Équipe: «Le Sud-Africain Benni McCarthy inscrit un doublé très précieux pour le FC Porto, qui s'offre une belle victoire contre Manchester United (2-1) et l'espoir d'une qualification pour les quarts de finale contre l'un des favoris. La victoire des Portugais récompense logiquement une pression constante sur le but de Howard, notamment grâce à son jeune prodige Carlos Alberto, même si c'est Manchester qui avait ouvert la marque par un autre Sud-Africain, Fortune. Louis Saha conservera un mauvais souvenir de son premier match de Ligue des champions. Roy Keane a été expulsé en toute fin de rencontre pour un mauvais geste sur Vitor Baia.»

BBC Sport: «Benni McCarthy's superb brace gave Porto a deserved win as Manchester United skipper Roy Keane was sent off.»

Manutd.com: «Porto came from behind to beat Manchester United 2-1 in Spain tonight (Wednesday) and leave the Reds with some work to do if they are to progress in this season’s UEFA Champions League. It’s not all over by any means, but Porto showed they are a force to reckoned with and there’s no doubt United will have to show their true mettle if they are to claim a place in this season’s Champions League quarter-final.»

The Times: «Miserable night for United. The red mist descended on Roy Keane in Porto as Manchester United's Champions League dream started to turn into a horrible nightmare with a 2-1 defeat. With makeshift centre-half Gary Neville outstanding, Sir Alex Ferguson had seen his beleaguered defence turn in their best display in weeks to somehow cling on to a semblance of hope in a tie that threatened to run away from them at regular intervals. But four minutes from time, just as it looked like Porto's fire was burning out, so the blaze erupted in Keane's soul as the Irishman needlessly trod on Porto keeper Vitor Baia as he tried to chase down a loose ball. The contact did not appear too fierce but the intention was enough to warrant the eighth red card of Keane's United career.»

CNN Sport: McCarthy brace sinks 10-man United. Unbeaten domestically in 27 league and cup matches all season and not having lost any match since Real Madrid beat them 3-1 in the first phase of the competition last October, Porto dominated United for long periods. By the end the Portuguese team had 21 attempts on goal to only four from United.»

Daily Telegraph: Keane off as United stumble. Manchester United hopes of reaching the quarter-finals of the Champions League have been dealt a double blow after Roy Keane was sent off in a 2-1 defeat by Porto in Portugal.»

FCPORTO - 2 x Manchester United - 1 

Antes de mais, os golos: podem ser revistos em www.fcporto.ws
Dou-me conta que são dois golos realmente muito bons. No estádio nem vi Nuno Valente centrar.
Quanto ao jogo, foi uma decepção não ganhar pelo menos por 3-1. Pode custar caro esta vitória tangencial.
Jogar em Old Trafford é muito difícil. Até hoje, para a Champions League, só perderam uma ou duas vezes. Nunca falharam, por outro lado, os Quartos-de-final. A eliminatória, ironicamente, ter-se-á perdido ontem à noite, quando se devia ter ganho. Mas é assim, não se pode ficar triste com uma vitória sobre o Clube mais rico do Mundo. Um ex-campeão Europeu.
Quanto ao futebol jogado, foi o normal do FC Porto. Não concordo que tenha sido extraordinariamente melhor do que um jogo normal da Superliga. Só que neste, a equipa acelerou o tempo todo. Não fez gestão física, nem do resultado. Aos adeptos das outras equipas: continuem a ver o Porto, já sabem que se joga bom futebol. Interessante, no mínimo. Mas já sabem, o sistema protege-os, e os melhores de facto são o SCP e o SLB. Só que o SCP perdeu com o Gçenlirbiriri. Foi uma vergonha. Esperemos que o SLB se comporte à alture, daqui a pouco.

É o sistema, estúpido 

Alex fergunson, de sua honra Sir, fez esta semana o maior elogio que eu vi fazer ao Porto, quando disse que até parecia que o Porto comprava os títulos de campeão no supermercado, um pacote de leite e toma lá três pontos (ao mesmo tempo é uma enorme desconsideraçõa por todos os adversários do Porto, mas adiante). E Alex Fergunson provou ter razão no que dizia, mas agora às custas da sua própria equipa.
Sobejam laudas e elogios à actuação de ontem do Porto frente ao Manchester por toda a imprensa, escrita e não escrita, nacional e internacional, o que me permite furtar a eles quando mais não faria do que me juntar ao coro. Mas sempre vou dizendo que considero o resultado escasso, e que face ao domínio do Porto, a falta de sorte mas também de (algum) engenho, não permitiram que o Porto levasse para Old Traford um resultado bem mais dilatado e merecido que lhe permitisse estar mais perto dos quartos de final. Ainda assim, acredito que podemos ultrapassar esta eliminatória. Sim, o Manchester faz um golo e passa a elimnatória, mas o Porto faz um golo (porque não?) e o Manchester já precisa de marcar três para passar. Repito, eu acredito.
Mas mais importante nesta actuação do Porto é saber que ela é mais um passo seguro nesse laborioso trabalho de sapa que é o de mudar a mentalidade do futebol português, uma mentalidade que ainda acredita, e grita aos quatro ventos, que o Porto só ganha o que ganha por que é beneficiado pelas arbitragens, porque tem o sistema na mão, enquanto os seus adversários são impiedosamente prejudicados vezes e vezes sem conta. Uma mentalidade que é ditada pelas declarações inverosímeis de dirgentes dos clubes rivais e cuja mole inerte de associados segue sem pestanejar. Uma mentalidade que é filha do mau perder e da inveja do sucesso alheio. (juro que não roubei estas duas últimas frases de nenhum jornal desportivo!). Enfim, uma mentalidade que não se conforma que o Porto ganhe porque é melhor.

Tuesday, February 24, 2004

Parte VI- Dobrando o Mundo 

" Bastante é para nós que a metade oculta do globo esteja a ser trazida à luz e os Portugueses cheguem cada dia mais e mais longe além do Equador. Assim, praias desconhecidas em breve se tornarão acessíveis; pois um emulando outro lançam-se em labores e perigos tremendos." Pedro Mártir, 1493

Começo hoje, aqui no Blog-sem-nome, uma série de posts com base na leitura do Livro de Daniel J. Boorstin, " Os Descobridores", Edição traduzida da Ed. Gradiva, por Fernanda Pinto Rodrigues, revista por José Manuel Garcia. O intuito desta série de posts é dar eco à visão do Autor, e fomentar em nós todos alguma curiosidade sobre os fenómenos que nos levaram, de 1400 a 1580, a ser a nação mais importante para a visão do Mundo, a abolição de superstições nessa visão, a globalização em si mesma. Quais as estratégias, qual o objectivo, e por que é que Portugal desapareceu do mapa após esta grande época. Reflexões sobre a nossa história, precisam-se. Mais do que trazer respostas, a série que aqui inicio procura lançar questões.

Sunday, February 22, 2004

JPP chamou a atenção e eu segui-o. 

Notável a série de fotos de Marte no site da Nasa. Um exemplo aqui:

Caro Catarino 

Olha, se percebeste a questão no Jazz , devias te-la relevado e transportado para o futebol. 1000 discos versus 100 discos, 500 jogos versus dois ou 50 na TV. Mas adiante.

Como é óbvio, um treinador tem a obrigação de saber todos os items estatísticos, psicológicos, familiares, sociais, humanos, físicos, estatísticos, fisiológicos, dos jogadores que lhe interessam. E dos outros também. É rotunda ignorância achar que o futebol é diferente no cálculo, projecto, rigor e exactidão de por exemplo, música como o Jazz. Claro que se improvisa, dentro de determinados parâmetros. Balizado, se assim posso dizer.

O futebol de hoje é altamente objectivo. Não é, dirás, porque é gerido por homens. E os Homens têm as suas vontades. Tal como no Jazz. E é dessas vontades, teimosias, é desse factor humano que sai a margem de erro. Acessoriamente, pode sair a magia de um momento único. De modo geral, sai um erro grosseiro. Quem não se prepara, quem não está concentrado, erra. É por isso que o Maciel e o Derlei marcam alguns golos. O adversário falha. E eles estão lá para aproveitar. Chama-se objectividade e eficácia.

Breve história do Jazz e do Futebol. Meu caro Nuno, em Portugal percebe-se tanto de Jazz como de futebol, ou seja, nada. As pessoas não estudam música e não jogam futebol de onze. Jogam futsal, que é muito diferente. E julgam que podem comentar futebol. Querer saber música é saber a diferença entre uma big Band e um quinteto. Saber como se toca contra-baixo, piano, ou sax. O que é um clarinete. Um clave de sol. Clave de fá. Intervalos, arpejos, semínimas, mínimas, pausas, escalas, sustenidos, bemóis. Um síncope, um metrónomo. Um compasso ternário. Saber Jazz, é preceber composição. Ter noções.

Saber futebol é composição. É psico-motricidade humana, é psicologia de equipa, é medicina desportiva, é capacidade atlética, é educação fisica, é nutricionismo, desenvolvimento muscular. Capacidade aeróbica e ana-eróbica. Futebol é criar um movimento colectivo num terreno de 100m por 50 m. É técnica individual. Especificidade de passes, correcção de passes. Antecipações, linhas de corrida, eficácia de recuperação de bola, de remate. Número de defesas e tempo de posse de bola. O futebol é como o jazz: pode ser só sensorial, e apreciável pelos 5 sentidos. Mas tal como um músico sabe decompor o que ouve, quem sabe de futebol decompõe este nos seus constituintes. Músicos e jogadores são humanos. Sujeitos a erros e a que coisas mágicas aconteçam. Se és músico, sabes que sem muito treino não se dão concertos. A inspiração não chega, e o inato não existe. Trabalho, muito trabalho.

Meu caro Nuno, a paixão não tem nada a ver com a minha análise. Ela é baseada em dados objectivos. Agora, o que eu sei é o seguinte, todo o jogador se adapta ou não a um modelo de jogo. E o modelo de base de Scolari, que nos derrotou em Itália e deu asneira frente À Espanha, é o que se usa muito na América Latina: o 3-5-2, com os laterais volantes. É claro o desejo dele de ter laterais que subam e façam o campo todo, servido de extremos. Ele não gosta de extremos, só atrapalham. Num 3-5-2 do escrete, ele tem Cafu e Roberto Carlos. Nas suas equipas, eles não jogam assim. Em Portugal, é um sistema que não é habitual. Daí ele apoiar um jogador como o Miguel. Não me espanta, e espero que fique claro. O que estou em descordo total é que se afastem jogadores como o Maniche, Meira e Conceição porque lhe fizeram frente depois do Jogo com a Espanha - É público, não sei se sabias - por estarem em desacordo com o sistema, e com a responsabilidade que ele lhe imputou!

Estes jogadores foram recriminados por não terem coberto a subida do Lateral! Resumindo, o treinador muda o sistema táctico, mas não assume que errou. E faz certos jogadores pagar caro. No processo de consolidar a sua visão de equipa, ele continuadamente incentiva as subidas de Paulo Ferreira, Nuno Valente, Rui Jorge e Miguel. Até conseguir uma distribuição no campo que desiquilibre o adversário. O que eu não posso admitir a um treinador Campeão Mundial, é que ele tenha um adversário como a Espanha e prepare o jogo como preparou. Explico: quem descaiu sempre no terreno do Miguel, quando ele subia, era Raul Gonzalez. Um detalhe: dos melhore jogadores da europa e do Mundo. Scolari tinha obrigação de das duas, uma: ou dizia a Miguel para não subir ou na preparação do jogo chamava a atenção a médios e ao central direito para as dobras (compensação) Ora, o que se viu em campo foi o Lateral a subir na mesma, o Raul a aparecer livre de marcação, o central e o médio na dobra, e jogadores a menos na área! TRES GOLOS! Por teimosia, falta de objectividade e falta de preparação simples do treinador. Acessoriamente, por irresponsabilidade de Miguel. Quem tem Raul para marcar, simplesmente, não pode sobir no terreno!

Mas olha, quanto ao Miguel, estive na Luz, e deixa-me dizer: a grande exibição do Miguel contra o FCP, é feita à base de recuperações in-extremis dele. Muito vistosas, mas que em caso de erro seriam fatais para o SLB. As suas subidas dão-se sim senhor, uma até é passe para golo, mas porque o FCP joga sem extremo esquerdo de raiz. E mantenho, é pelo lado dele que se criaram os lances de perigo do FCP. Erros infantis, de falta de concentração. Sabes, quando o Carlos Alberto chegou e fez o primeiro jogo, o Mourinho só disse isto: " Ele jogou bonito para os sócios, não jogou para o treinador. Não jogou objectivo." Mais nada.

Sabes que é irónico? O Scolari defende isto mesmo. Ele disciplinou, aumentou a eficácia e anulou fintas inútei no Brasil. E o Brasil foi campeão do Mundo. Tenho a certeza que o foram buscar porque precisamente é uma das críticas à geração de Ouro: falta de objectividade. Rodriguinhos. E sabes quem é o expoente? JVP e Rui Costa. Desculpa lá, só desde que chegou a Milão é que ele começou a recuperar bolas. Sempre foi preguiçoso no trabalho físico. Sempre foi substituido aos 65 minutos por Ranieiri na Fiore. Não corre, não recupera. Tiveram que lhe por o Rivaldo e o Kaka, para ele ter a pressão de jogar. Scolari teve que lhe por o Deco, para ele correr. E sabes? O Deco é melhor que o Rui, simplesmente por ser mais completo. Recupera e dá jogo, corre e nunca desiste. É um estado de alma, é personalidade. Uns são estrelas, outros aprendem a ser objectivos. Aliás, foi a grande diferenças de Luís Figo no 2º anos em Barcelona: deram-lhe uma tarefa. Desiquilibrar, ir à linha e centrar. Especializar-se na eficácia dessa tarefa. Acredita, os melhores jogadores do mundo dos últimos dez anos são especialistas em aspectos precisos do jogo. Ou como Deco e Zidane, cumprem em vários aspectos e desiquilibram despoi de cumprir. Repara que o Capucho não ficou no Porto por Mourinho não lhe perdoar ele não recuperar bolas.

O que me espanta em Scolari é ele abdicar de jogadores de maneira claramente subjectiva. E escolher outros da mesma forma. Nunca pensei que ele o fizesse, mas é o que está a acontecer. Porque, teimoso, não admite que o sistema táctico que ele gosta não se adapta em um ano ao futebol de Portugal. E quando se protege um lateral que tem as falhas de concentração do Miguel... está tudo dito. Ao nível de selecções não se perdoam falhas de concentração. Um Europeu que com ele até tinhamos hipóteses, para mim pode cair na desgraça.

Espero que esteja claro a paixão clubística inexistente na minha análise. Sei que a metáfora jazzística não ficou completa, mas também creio ja ter escrito de mais. Olha, um enorme bem haja, e não gastes muito dinheiro em discos, se tens net. Vai ao Soulseek. Hasta.

Saturday, February 21, 2004

Museum bar. 

Sempre gostei de bares de museus. Gostaria até de ter tempo para organizar uma listagem daqueles que mais me agradaram, dos pontos positivos e negativos de cada um, um top ten dos melhores, enfim, agrupar momentos bem passados a que o espaço não foi alheio. Há um ano atrás, passei umas boas horas, não planeadas (mas esperava pela hora de um jantar agradável marcado para essa noite), no do Palais de Tokyo, em Paris. Pode dizer-se que neste caso, o bar está totalmente integrado no museu e na sua filosofia de espaços que se mudam fácil e rapidamente. A música, bem escolhida, está bem distribuída pelo espaço. Interessante também é observar a diversidade de pessoas que por lá pairam. Desde o director a ser entrevistado depois de uma reunião em mesa de bar, a outras pessoas que trabalhavam, a artistas em busca de inspiração, leitores de livros, o bebedor de café circunstancial, etc. O chão foi pintado por Michael Lin.


Palais de Tokyo, Paris, Janeiro de 2003


Porque hoje é Sábado (mas amanhã será Domingo). 

Porque hoje é Sábado apetece deixar tudo correr de forma lânguida e serena, como se não quiséssemos interferir no normal curso dos acontecimentos.
Há uma paz nas almas que muita falta faz durante a semana. Há uma tranquilidade nas pessoas que tão útil seria noutras situações. Há janelas abertas, há gente nas casas, há mesas cheias ao almoço, há até lugares para estacionar.
Por ser (para a maioria das pessoas) o primeiro dia de descanso é sem dúvida um dia bem melhor aproveitado do que o Domingo que se lhe segue, eventualmente o dia mais estapafúrdio da semana. O que os Sábados têm de agradável o Domingo tem de desprezível. Enquanto o Sábado nos oferece calma sem ausência, o Domingo remete-nos para o absentismo total. O Domingo cai no erro de exortar ao alheamento. E uma cidade feita de alheados fechados em casa ou perdidos na rua torna-se aflitiva. Caminhar numa cidade ao Domingo é angustiante. Um espectro fantasmagórico assola a cada esquina. O silêncio é pesado. Mas se eu quero silêncios pesados não deverei sair da cidade?

O que eu gosto no Sábado é aquele sorriso escondido mas gratuito de quem caminha sem pressas nos passeios porque sabe que os minutos são seus. Ao Sábado a gentileza é outra. Os peões esperam pelo verde, os condutores repeitam passadeiras, não há atropelos nos passeios.
Ao Sábado as pessoas são felizes porque pensam ser donas do seu tempo. Deve ser isso.

Meu caro e respeitável Nuno 

Claro Nuno, é uma forma de expressar o seguinte: quem tem dois discos não pode argumentar qualidade com quem tem 1000. Não sabe o mesmo, não passou pela quantidade que lhe permita dizer: aqui e ali está a qualidade. Quem conhece a parte, nunca conhece o todo.

Ouvir objectivamente uma linha de baixo, olhar para uma finta mal/bem feita, ou para um énquadramento de filme, e saber dizer o que é bom e o que é mau. Ou até o que nos agrada pessoalmente ou não. Isso é possível, e é objectivável. A subjectividade da análise artísitica há muito que me irrita. Ela permite que certos críticos distorçam a nossa percepção do objecto. Às vezes, parece-nos mais bonito, outras menos, consoante o crítico. Eu sempre tentei ver além de quem me apresenta "arte". Nada como a experiência directa. Depois, há a cultura que se tem para determinada arte. E quem estudou, quem viu, leu e viajou, não pode discutir com quem nunca saiu da tasca do Zé.

A análise objectiva é possível no futebol. É mensurável e vai para além, hoje, do que dizem os críticos e jornais de futebol. Por isso o FCP ganha a Taça UEFA, está nos oitavos de final da Liga dos Campeões, e nas meias da Taça de Portugal. Porque ao contrário das opiniões do Jornais de Lisboa, eles são objectivamente superiores!

Pela opinião pessoal de alguns, não venham é sobrepor-se à analise objectiva. Essa é possível. Falo como é óbvio, de Estatisticas. E nelas, meu caro, o Petit está a milhas do Costinha. Número de recuperações total, nº de recuperações por jogo. Nº de Relançamentos por jogo. Golos por jogo. Passes certos. Menos passes errados. Menos faltas cometidas. Em todos os parâmetros de jogo, o Maniche só perde em recuperações com o Petit! O Costinha, ganha em todos! Ficam aqui dites que medem com objectividade quem é melhor. Atenção ao índice da Uefa.

- www.infordesporto.pt.
- www.iffhs.de
- www.eurofootsie.com
- http://www.xs4all.nl/~kassiesa/bert/uefa/tcoef04.html
- http://www.xs4all.nl/~kassiesa/bert/uefa/trank04.html

Finalizo dizendo-te que às vezes não me apetece pensar em análise objectiva de um jogo, de um filme ou de um riff de jazz e rock. O usufruto sensorial puro é bonito. Sobretudo quando não se compôe, não se projecta, como na minha profissão. Talvez por tocar música (popular e classica), ser arquitecto, e ter sido praticante federado de vários desportos, me custe ser superficial na análise. E dizer só se gosto, ou não gosto. Ás vezes, não dá. Eu gosto muito do Petit e do Miguel e do Moreira, mas eles não chegam objectivamente, aos calcanhares do Maniche, do Paulo Ferreira nem do Vítor Baía. Sorry.

Hoje aconselho 

Johannes Brahms. Eu sei, eu sei, era com Wagner o favorito de Adolf Hitler. Mas não podemos culpar o pobre Brahms do facto.

Relvado numa cidade do extremo-sul de Portugal. 

É um descanso, sobretudo no pico de verão, ver que os ingleses ensinam os algarvios a tratar do "lawn".

Noites olissipenses. 

Pois meu caro TMM, parece que não estávamos sózinhos.

Friday, February 20, 2004

Portugal Vs Inglaterra - Carta ao Editor do Guardian 

O Guardian tem este artigo sobre o nosso futebol (que vi algures num blog), ao qual me dei ao trabalho de responder. Trancrevo um excerto, sobretudo para o leitor ficar com as palavras de Agatha Christie:

" Dear Sir:

Your article is an accurate and almost cynical approach to nowadays Portuguese Football. Having in mind the prior press chronicles of the England side’s opponents, I would say it doesn’t surprise me at all, indeed it is rather calm. (You don’t call us fascists pigs, and that’s a start.)

Seriously, from my point of view, your analysis is not far-fetched. But I would only like to add the following:

- Point Nr.1: England is a part of the G-7. It has such financial health and wealth, that the mere comparison with a country like Portugal is ridiculous. But so be it.

- Point Nr.4: Throughout the centuries, England have been first on the opposite camp (pirating while we lost our independence to Spain 1580-1640), or defending us from Napoleon, in the beginning of the XIX century. Either way, we have never expected respect coming from the English. We have been poor, un-organized, irresponsible, lazy, and illiterate, since the loss of our independence to Spain. A lesser people, as Agatha Chistie portrays in her mysterious character Mr. Shaitana, of “Cards on the table”, and I quote: “ Wether Mr Shaitana was an Argentine, or a Portuguese or a Greek, or some other nationality rightly despised by the Insular Briton, nobody knew.” Page 4, (www.amazon.com). "

Voilá, queria deixar esta ideia sobre os Ingleses: não tenhamos ilusões. Somos tipo argentinos ou gregos. Bottom-line: um povo justificadamente desprezado pelos insulares Bretões. Jogo de futebol? O desprezo, a falta de pudor em ser cínico deste jornalista, não são mais do que o reflexo do que realmente valemos para esta gente. Que nos vem visitar no verão com este espírito. Não se admirem que aconteça o mesmo que em Marselha em 1998.

Cultura alemã - BRD - Stoiber - Bayern 

Sabemos que este blog impressiona pela sua diversidade. Ela é só um reflexo das vidas das pessoas que o alimentam. Com gosto e prazer. Por isso se mantém, para além de desavenças ou posts menos conseguidos.
A cultura alemã é extra-terrestre sem dúvida para o povo português, mas devo dizer que a realidade na Rapública Federada da Alemanha é não só importante mas essencial para a compreensão da Europa em que todos nos movemos com cada vez mais frequência. Para nós, faz parte do nosso dia-a-dia, a Alemanha está sempre presente, é apenas natural.

Claro que todos os países são importantes. Mas com o alargamento, e sei que é dificil entender, a população que fala alemão (digamos que mesmo que seja 2ª língua) salta para cerca de 100 milhões de pessoas. Consegui chamar a atenção de alguém? Bom, pensem em Kusturica. Antes, durante e depois da guerra nos balcãs, era o Marco que servia de moeda corrente. Búlgaros, romenos, russos, era o Marco. É muito interessante.

Devemo-nos preocupar pela Alemanha. Stoiber é perigoso. Eu sei que Schroeder é um incompetente, mas o SPD ao menos não caminha para a deriva marciana xenófoba Bávara. E digo marciana porque é inconcebível que seja possível algo do género acontecer. Mas está em marcha. E temos de reflectir nela, porque é mais perigosa do que o Arbusto Andante.

Deste modo, ficamos estarrecidos quando Berlusconi responde como o fez a um deputado do SPD, no Parlamento europeu. Chamou-lhe de Capo de Campo de Concentração como piada! O único partido que ficou quando todos os outros se colaram ao NSDP, inclusive os comunistas do KPD! Por isso ficamos estarrecidos com o humor ignorante de Berlusconi quando espelhado na Blogosfera. O Humor ignorante é inadmissível. É constrangedor. Fraco e medíocre. Fazer humor barato de algo como o Nazismo ou o Holocausto, para quem goste da Alemanha, ou fale alemão, não é provocação. É falta de nível. E só merece uma reacção: o desprezo.

Ó Vasco 

Aquele canal (Sic Gold) tem passado só All in the Family e Family Ties. Não chegava? MAs claro, que "...Sometimes you like to go, where everybody knows your name, where everyone is glad you came... You wann be where people can see that problems are just the same. You wanna be where everybody knows your name."

Regresso aos posts pessoais... 

...só para dizer que detesto o carnaval.

Mourinho: isto é rigor. 11 minutos em 15 finais de posse de bola. 

" Imprensa: Aceita as críticas que dizem que o F.C. Porto não está não arrebatador como na temporada passada e que isso ficou evidente no jogo com o Benfica?
JM: Tivemos seis oportunidades de golo e nos últimos 15 minutos, independentemente de o Benfica ter entrado muito bem na segunda parte, tivemos 10m46s de posse de bola! Será que saímos a tremer ou o Benfica esteve perto de ganhar? Na primeira parte, foi um jogo de equilíbrio. Marcámos um golo e o Maciel podia ter marcado outro. Na segunda, a equipa da casa, que estava a perder, fez o seu golo e teve três ou quatro chances. A partir do empate, o equilíbrio voltou e nos últimos minutos o F.C. Porto teve oportunidades e mais posse de bola. Em oito jogos com os grandes, ganhámos seis e empatámos dois... Onde está o drama? E sobre Alvalade é melhor nem falarmos. Fico é contente por ter chegado ao balneário da Luz e não ver alegria em ninguém. O F.C. Porto empatou, deu mais um passo para o seu objectivo, mas a equipa manteve-se tranquila. Os outros é que ficam todos contentes quando empatam contra nós. Fico feliz por ter gente ambiciosa comigo. "

Contemporaneidade 

É algo de que se não pode acusar o Porto: ser contemporâneo. Ruas de paralelo. Comércio de rua moribundo. Diferentes raças e religiões? Inexistentes. Processos empresariais? Atrasadíssimos. Burocracia? Enorme. Transportes públicos? AHAHAHA!! Metro? AHAHAH!! Gaia? AHAHAH!! Aiai, desculpem , tenho de me conter. O Porto, pensando bem, é tão ridículo...

E não foi sempre assim. Onde está a razão? Onde está a mudança? Onde está a renovação? Onde está a iniciativa, a contemporaneidade? Ela pode coexistir com esta estrutura urbana típica mas esclorosada? Há possibilidades? Não podemos ficar para sempre contemplando a beleza desta cidade, sem dar passos concretos para a sua reabilitação e salto para o presente, do Passado sombrio onde a mergulharam por décadas.

Eu acredito. Acredito em pessoas como Rui Rio, acredito que só com um murro na mesa, outro no estômago se acordam as pessoas para lutarem pelo que vale a pena lutar. Começando por moralizar as contas públicas. E fazer o que nenhum Lisboeta acredita. Pôr caixotes do lixo em frente de cada prédio, em vez dos sacos amontoados aos cães, a partir das oito da noite. Urbana? AHAHAHAH!!! Fiquemos pela imagem, é melhor...


Tem piada Nuno, hoje acordei com So Long Marianne na cabeça.... 

E mais: é interessante que há imensos Cohens em Paris, onde vivi. A dona da imobiliária que nos alugou a casa era uma Cohen, vizinhos, havia Cohens, lojas de rua de Cohens, Ruas chamadas Cohen, o presidente do IFA ( Institut Français d'Architecture) era o Jean-Louis Cohen. O Leonard é uma memória de infância, vinis da minha mãe. Gainsbourg, Férré, Brel, Brassens, Joe Dassin, Aznavour, Sinatra. Mas o Cohen, é o top.

"They sentenced me to twenty years of boredom
For trying to change the system from within
I'm coming now, I'm coming to reward them
First we take Manhattan, then we take Berlin

I'm guided by a signal in the heavens
I'm guided by this birthmark on my skin
I'm guided by the beauty of our weapons
First we take Manhattan, then we take Berlin "

Quanto ao Mel Gibson e ao seu filme, compreendo a tua preocupação, mas não me parece que a história se lave com filmes. A história tem de ser objectiva, rigorosa, datada, registada. Quando te leio, verifico que tentas basear ao máximo os teus argumentos. É assim que se faz. Voilá.

O Herberto Hélder ter raízes judaicas não me espanta nada. Afinal, em Portugal, há muito poucas pessoas que não as tenham, duas, três, quatro gerações antes, ou só ainda no nome e nas feições. O que deveria ser uma redescoberta interessante para todos, não um acto envergonhado. Mas sabes bem que velhos hábitos morrem dificilmente.

Porto - Igreja da S. Francisco 

Uma das Igejas mais antigas do Porto, com uma reosácea muito interessante. Uma estrela de... David (!)

Thursday, February 19, 2004

A Irlanda. 

Vão rapidamente ler o que o maradona (com minúscula) escreveu. Fabuloso.

O golo Inglês - II 

Como é que o Miguel e o Petit tiram o lugar ao Paulo Ferreira e ao Maniche na Selecção? Nem vale a pena tentarem explicar. São do Benfica. Não são os melhores, não estão em melhor forma, mas são do Benfica. E isso vale muito mais do que ser bom e ser do Porto. Um jogador do Porto para estar na selecção tem de ser o dobro melhor que um jogador da capital.

Quem não se lembra do jogo contra a Espanha? Miguel sobe demais nos três golos. Os três são pelo lado dele. Seria de esperar que Scolari o imolasse. Não! Foi Meira e Maniche, que não fizeram a compensação (impossível, em dois dos casos), que foram excluidos. O caso de ontem é só mais um em que o jogador do Benfica, com a sua cabeça no ar, nos prejudicou. E que dizer de Deco em relação a Rui Costa? Qual é a análise dos jornais em relação ao nº10 e ao nº20 da selecção? Deco está sem fôlego dizem os analistas. Pois sim. Claro, claro. Os últimos 20 minutos viu-se.

Os media, continuo a sustentar, têm papel muito importante nisso, como é óbvio da assunção feita no post anterior por GPT. Aliás, proponho análise continuada da nossa parte, expondo a falta de rigor, objectividade e imparcialidade dos dois pasquins Lisboetas. Fica a primeira, trarei próximas notícias.

O golo inglês 

O jornal "A bola" atribuiu na sua ficha de jogo o golo da Inglaterra ao defesa King. E na apreciação ao jogador Miguel escreve: "Bola mal desviada, tabela em King e golo".

Não tenho mais nada a acrescentar.

Parque do Infante - Praça do Infante no Porto 

Exemplo como 16 metros se "vencem" de um só lanço, inclinado ou não. O parque é helicoidal, de pendente constante. Muito interessante. Recomendo vivamente uma ida ao Porto para Lisboetas Arquitectos e Engenheiros, aproveitando para deixar o carro no Parque antes de irem beber um café ou um copo à Ribeira. Lisboa tem tantos pilares nos parques que dói o coração.

Wednesday, February 18, 2004

Bestial - Figo vai para Inglaterra. 

Enfim, muita água e tinta há-de correr até se consumar a transferência. Mas com esta "portada" da Marca hoje, não restam dúvidas que o Presidente do Real Madrid já encontrou o substituto. Já era tempo de Figo sair dali. Arre! Abajo el Madrid!

Vale a pena citar a Marta 

Por três post sucessivos, começando sobre este sobre a legitimidade da Açorda Lisboeta.
De seguida, e sem dó, ela descasca na sensibilidade das revistas de Arquitectura, que nos induzem em erros de ambiente.
Mas que dizer da sua memória sobre o Comunismo asiático? Merecida leitura para muito blogger de Esquerda da nossa praça.
Marta, muito bem lembrado. Já agora, poderíamos falar sobre o Vietnam, o Laos, ou a Coreia do Norte. Haverá histórias certamente notáveis para contar.

Ao Manuel: 

Schröder é unicamente Chanceler neste momento devido, melhor ainda, graças, ao seu opositor nas últimas eleições. Quando a CDU escolheu Stoiber para concorrer contra Schröder, esqueceu-se que a memória, felizmente, já não é assim tão curta, e que Stoiber não é tão moderado quanto possa parecer. Foi o que valeu a Schröder, penalizando obviamente a Alemanha no curto prazo. Mas há males que vêm por bem, e talvez Stoiber não deva nunca ter o poder. Uma amostra:

Cozinha.
Edmund Stoiber sobre o tema "Futuro da Mulher".

Berlin, Agosto de 2002

Arredores de Lisboa 


PSD e FCPorto 

Morais Sarmento bem se esforça para chamar a atenção para as eleições europeias, que estão ao virar da esquina, enquanto para as presidenciais ainda falta um bom par de anos. Mas o PSD, autista, sobretudo alguns dos seus figurões, faz orelhas moucas e já só aponta para onde Morais não quer (ainda) que se aponte. Porque o PSD sabe bem a superioridade que actualmente detém sobre o seu rival PS, destroçado que este está pelos, ainda frescos, oito anos de desastrada governação e mais ainda pela actual fraca liderança, o que redunda num partido desmotivado e sem objectivos de curto prazo. E vistas assim as coisas as eleições europeias são peanuts, já estão no papo, que isso das sondagens darem vantagem ao PS com uma semaninha de campanha a sério (que para mais o tempo de governar não dá...) inverte-se sem delongas, porque dois mais dois são quatro. Importante, importante, é a eleição do Presidente da República, que nunca o PSD, enquanto governo, conseguiu!
Esta atitude faz lembrar a do FCPorto no campeonato. Que sentindo-se a melhor equipa, e vencedor antecipado, encara os jogos com os rivais dessa luta quase que entediado. Por acaso os jogos até correram bem, mas não vimos (porque também não foi preciso) o Porto jogar à Porto. É que o pensamento dos jogadores está, é indisfarçável , na liga dos campeões.

Vamos lá ver se não há amargos de boca.

Tuesday, February 17, 2004

Freitas do Amaral ou o candidato 3ª via 

O homem tem-se desmultiplicado em aparições públicas. Entrevistas, análises, comentários, artigos, relatórios, propostas de lei, enfim, todo um manacial de actividades para que não nos esqueçamos que está vivo e em forma; que está activo. O objectivo? Bem, sobre as presidenciais nem uma palavra; mas com todas estas guerras fratricidas dentro do PSD e ainda mais com engulho da aliança com o PP, não querem ver que Freitas está a dar o sinal que está lá para o que der e vier?

Seis Nações B - Portugal entra a ganhar 

Já aqui postei sobre o Torneio irmão. Portugal teve desempenho acima da média na Geórgia, com destaque para o "nosso" Maradona, Gonçalo Malheiro, com um pontapé de ressalto confirmador ao cair do pano, que por certo evitou investida final da Geórgia. Ver no Público, no Infordesporto,e no Record.

Portistas não significa Portuenses. 

Lisboa está tão a leste que não sabe que existe esta diferença. enfim, ouça o leitor a entrevista deste fim de semana de Rui Rio a Margarida Marante na TSF. Não vai ser re-eleito, mas tem o meu voto. É um social-democrata a sério. Talvez o único socialista que esteve à frente da Câmara do Porto. Ainda perde energias a provar que Gomes e Cardos são incompetentes. Já não devia. Quem está com ele, está, quem não está, não interessa. É dos únicos homens que o Porto tem de nível nacional, de nível europeu. Não é mediático, não é provinciano, não tem a mania que é bom. Vai para o terreno e resolve problemas concretos, que contados, seriam suficientes para classificar a cidade como terceiro-mundista.

PSL está doido. 

A ambição pode matar. Está a ser ambicioso demais. E não conte conosco para aturar o Portas. Vade retro. Nunca nos vamos esquecer do Sr Portas e do seu Independente destruidor de vidas como: Leonor Beleza, Miguel Cadilhe, Cavaco Silva, Ferreira do Amaral, ou Dias Loureiro. Nunca nos vamos esquecer do moralista da política que aceitou um Jaguar da Universidade Moderna. Não nos esquecemos das suas tentações de populismo fácil e alcance do poder por todos os meios. Dentro e fora do PP. O sr Portas é to-tal-men-te irralevante para a governação do país, ou para a escolha de um candidato presidencial para a Direita. Cavaco é esse candidato. E o sr Portas que se lixe.

Muralha de Lagos 

Não há palavras para a cor da terra no sul de Portugal. Temos verão o ano inteiro.

17 de Fevereiro de 2004. 

Pouco tempo, pouquíssimo tempo, de facto, para postar o que seja. Trabalho q.b., um fim de semana bastante divertido e em boa companhia, uma seca dum jogo em Alvalade para começar a noite de sexta (aquela 2ª parte, que pobreza), leituras em ensolarados miradouros, e outras cousas que tais, têm feito com que as 24 horas dos meus dias pareçam apenas 12. Em registo de caderno de apontamentos, aqui deixo meia dúzia ou o que seja de nótulas, que por um ou outro motivo afloraram o meu pensamento, nos últimos dias:
- encontra-se com pouca dificuldade um álbum (vinil, 33 1/3 rpm) de Armando Gama e Valentina Torres na Feira da Ladra. A capa é simultaneamente um susto e um monumento. Ao mau gosto, entenda-se. Na mesma secção (embora em single 45 rpm) lá encontramos Manuela Moura Guedes, com uma bela mise, provavelmente acabada de sair do túnel de vento.
- do cima do miradouro afundamos a perspectiva?
- primum millum pardalorum est
- os blogs liberais são sem dúvida os meus preferidos
- as torres para Lisboa, a malha urbana, o desprezo pelo património do séc. XIX, o desvirtuar dos assuntos futuros e o show para inglês ver. Ainda mais, as comparações ridículas e circenses. Prémio da última semana directamente para Norman Foster, ao comparar a Piazza di San Marco a um projecto seu. Preciso de algum tempo para postar sobre isto. E eventualmente (ainda mais tempo) para dissecar aqui este estigma. Mas para que não se pense que isto é pessoal, aqui fica um bom trabalho do Senhor Foster:


Reichstag, Berlin, Agosto de 1999


Monday, February 16, 2004

Artistas 

Porque tenho lido o Público todos os dias tenho levado com dose diária de página, página e meia, da feira de arte moderna de Madrid, a Arco. A Arco é, ao que sei, um dos mais importantes e consagrados eventos de arte moderna que acontecem na Europa. Qualquer galeria e artista ambiciona honrar-se com a sua presença; uma presença que é muito limitada porque se restringe a um númerus clausus onde apenas entram os melhores. Os artigos do Público versam ora sobre galerias ora sobre os artistas ora sobre as obras, ora sobre os três, varia. Mas uma coisa se mantém sempre: as referências ao rol de obras vendidas e respectivo preço; qual o artista que vendeu, que obra vendeu e por quanto. Um verdadeiro razão contabilístico das transações de obras de arte. E falar disso não falha, nem que seja para dizer, como no caso da visita do Primeiro Ministro Durão Barroso, que este nada comprou.
É claro que sei que um artista não vive de ar e vento e precisa de pão para se alimentar; ou, sejemos menos romanticos, precisa de dinheiro como todos nós para pagar as prestações do carro ou da casa, para viajar, jantar fora, ou simplesmente comprar roupa. Nada a opor. No entanto, parece existir aqui um evidente excesso de propaganda à mercantilização da arte que não só é desnecessário como inclusivé choca. É que se os artistas apenas criam (produzem) com o fito da venda e/ou lucro, então não se chamará isso arte mas sim comércio (coisa que já se inventou há demasiados anos para admitir agora essa disvirtuação para o nome arte). Mas eu não quero ir por aí, não quero acreditar nisso, não quero ver assim as coisas. Não quero imaginar o artista a chegar no final do dia ao stand (ai a palavra stand, ai ai...) a perguntar quantos compraram a minha arte, em vez de quantos apreciaram a minha arte.

SLB-1 x FCP-1 

Um estádio do outro mundo. Braga? Antas? Alvaláxia? Esqueçam. Nada chega aos calcanhares do Estádio do SL Benfica. Um estádio de futebol a sério, para ver futebol a sério.
O jogo não foi brilhante. No entanto, foi muito interessante. O lay-out táctico inicial de Camacho foi muito rigoroso. As duas linhas de defesa muito subidas não perimitiram um futebol muito exuberante. O golo é fortuito. Não houve nessa fase muitas jogadas de perigo.

Segunda parte com 20 minutos de SLB, quanto a mim por a equipa Azul-branca se dar francamente mal com o 4-3-3 posto em campo. Ou melhor, porque Camacho e F. Santos encontraram o antídoto para os três armários ponta-quieta lá a frente. Meio campo dominado, o SLB pôs e dispôs, como o SCP o fizera dos 70' aos 81' do FCP. Sou levado a crer que nem SLB nem SCP tiveram situações reais de perigo. Tirando no tal jogo o remate de Niculae e neste dois lances de efectivo perigo, Baía não chega a ter trabalho. Fica no ar, isso sim, a ideia que o meio campo do FCP "dá" o jogo ao adversário, e que a linha de defesa apanha com o adversário em velocidade, muito em cima. O FCP perde nestes dois jogos, ao passar ao 4-3-3, o meio-campo. É impressionante! Depois, foi estranho ver como o FCP dominou, em ambos os jogos, os últimos minutos. Em Alvalade foram 10 minutos com 8 defesas para Ricardo. Na Luz, foram vários cantos seguidos, uma posse de bola permanente, e um susto de Jankauskas a Morereira. Fortuito, nada que merecesse a vitória de uma forma tremenda.

De qualquer forma, poucas faltas, muitos passes certos, meio campo do SLB muito acertado, duas equipas fisicamente muito bem, muita animação, diversidade de jogadas e de jogo. Tacticamente muito interessante, Camacho melhor, quanto a mim. Futebol muito bem jogado, um estádio e um público à altura do espectáculo.

Depois deste jogo, mantenho três ideias: 1 - Os treinadores das três primeiras equipas são do mesmo nivel e são de nível internacional. 2 - O SLB e o SCP apenas (e só) falham um pouco animicamente/psicologicamente, enquanto a equipa do FCP tem uma calma colectiva muito grande. 3- Um jogo visto de um topo, é para quem gosta mesmo de futebol. Lê-se o jogo como os jogadores o vêem. De uma baliza para a outra. No estádio é de facto diferente.

P.S.: Há muito campeonato e pontos para perder, penso que está tudo em aberto. Mantenho que os adeptos do Porto foram maltratados pela SAD e pelo SCP. Continuo zangado por não ter tido condições para ter ido a Alvalade. À Luz, foi a ... 6ª vez que fui. E não vai de certeza ser a última. Porque gosto de futebol. Desde 1983 a ir ao estádio. Próximo: 25 de Fevereiro , Man Utd x FCP. Futebol a sério, e não quando a minha equipa tem certeza de ganhar. Bem hajam, e boa sorte a todos.

Seis Nações on the move 

Ensaios fabulosos, um râguebi de ataque, defesas impiedosas. Um Torneio que começa em grande estilo. Ver em L'Equipe.
Resultados: França-35, Irlanda-17; Itália-09 x Inglaterra-50; Gales-23 x Escócia-10.

Sunday, February 15, 2004

MARCO PANTANI MORREU 

É uma tristeza enorme que me invade. Dirá o leitor menos amante do ciclismo: quem foi este ciclista? Sinteticamente, pode-se dizer que é dos poucos que ganhou o Tour de France e o Giro de Italia. Homem de trabalho incansável, subiu na hierarquia apertada de equipas médias, até se impor como homem forte em etapas rainhas de montanha. As suas arrancadas nos Alpes e nos Pirinéu ficaram célebres. Em França, em 1998, falou-se quase tanto das etapas alpinas de Marco Pantani, como da Coupe du Monde e de Zidane. Teve uma daquelas carreiras de ascenção meteórica e queda livre, manchada pelo doping, levando-o nos últimos anos à desgraça.

Quando Fehér morreu, postei aqui sobre o ciclismo e a violência que envolve para o corpo dos profissionais que o praticam. Acabo de ler no L'Equipe que se tratou de uma paragem cardíaca. As semelhanças não nos devem iludir, ou criar fantasmas. Mas devem manter-nos atentos e alerta.

Pantani era franzino, muito pequenino, rapou o cabelo, que lhe realçou as orelhas enormes. Era inultrapassável na montanha, tinha o bichinho das pendentes, qual colombiano adoptado. Pos o lenço à cabeça e de imediato o nome Pirata ultrapassava a menos simpática alcunha de elefantino.

Esquecido, abandonado, substimado, voltou à luta fazendo o Giro 2003. Passados tempos, cai de novo no esquecimento. A história de um desportista de alta competião. A fama e a glória tão próximas da desgraça.
Não se sabe o que se passou. Num quarto de hotel, no court de basket, no relvado, estes homens morrem, e não parece haver nada a fazer. Acontece!
Ver notícias na Gazzetta, na Marca, no L'Equipe, na Reppublica, no Corriere della Sera.

Pantani lidera nos Alpes, o Giro de Italia, na frente de outro ciclista famoso na montanha, Richard Virenque. Virenque também esteve envolvido num escândalo de Doping.

Friday, February 13, 2004

Há um ano atrás. 

Estava eu com a Jean e o Maik num comboio entre Bern e Milano. Uma viagem verdadeiramente inesquecível, pela beleza das paisagens únicas daquela manhã de imenso sol e frio. Subitamente, a neve desaparece e estamos no Lago di Como, já só com neve ao longe, nos Alpes mais altos. Uma imagem:


Lago di Como, Italia, Fevereiro de 2003


Barbie e Ken. 

Ontem, pela noite, em casa que não a minha, vi 5 minutos de televisão. Não foram muitos, dir-me-ão, mas foram suficientes, dir-vos-ei. Foram suficientes para ver uma anormalidade tão grande que até ao momento foi a maior aberração que vi e ouvi em 2004. Noticiava então a TVI (quem senão?) que Barbie e Ken se decidiram divorciar ao fim de 43 anos de casamento. Ia-me babando! Como é que é possível noticiar semelhante estupidez? Confesso que estupidifico perante o conceito de dois bonecos se divorciarem. Mas que é isto? Onde é que estamos a chegar? Qual a reacção das crianças? Será apenas marketing? Isto não pode ser normal, só pode ser consequência dos tempos modernos.

Piratas informáticos 

O Diário de Notícias faz a primeira página de hoje com a notícia de piratas informáticos que espiam os tribunais, furando os sistemas de segurança dos programas informáticos dos tribunais, tendo acesso a informação classificada e secreta e ficando em posição de furar o já tão maltratado segredo de justiça. Quem faz a denúncia é um Procurador da República. Ora, acontece que ao programa em causa - o Habilus-, como tratou de esclarecer o Director de Administração da Justiça já esta manhã, apenas têm acesso os oficiais de justiça. Nem juízes nem procuradores poderão utilizar o programa. Assim sendo, não é preciso ir mais longe, está encontrado o hacker!

Discos a estourar por aí - Tudo material de 2004. 

Zero 7 - "When it falls" (e vêem a Lisboa)
Amp Fidler - "Waltz of a ghetto fly
Beanfield - "Seek" - Compost Promo
Dani Siciliano - "Likes"
Fila Brasilia - " Another fine mess"
RJD2 - "Since we last spoke"
Savath+ Savalas - "Apropat"

Thursday, February 12, 2004

Nunca vamos esquecer: 13 de Agosto de 1961 / 9 de Novembro de 1989 

Alguns sites para ver, aprender, procurar respostas acerca do Berlinermauer: aqui, e aqui, e aqui.
Atenção a este, muito especial, com fotografias extraordinárias.


Copyright www.oldimprints.com

Beethoven 

Uma amostra do que nos oferece o compositor alemão com nome Holandês, surdo "como uma pedra" no final da vida. Ver uma biografia aqui.

Carlos Vaz Marques - 3º aniversário 

Hoje faz três anos que o dito jornalista, que tem até um blog, ter começado na TSF, o seu pessoal e Transmissível. Fica aqui o link para entrevistas históricas. Hoje, Carlos Nuñez, galego que faz viver e vibrar o espírito Celta nas gentes do Nordeste da Península Ibérica.

A.S. Roma-4 x Juventus Torino- 0 

Vai dar muito que falar o último clássico do futebol italiano. Para quem conhece a Itália, não será espanto identificar a Roma como o underdog, e a Juve como o Real Madrid/SLB local, o papa-campeonatos. Ora o que se passou foi o seguinte: Francesco Totti, símbolo desportivo nacional, mas sobretudo um Romano da gema (fala dialecto, inclusive), fez um gesto ao ir para os balneários, na direcção dos jogadores da Juventus. Lippi não gostou, Del Piero também não, as direcções reprovaram, foi um escândalo. Totti arrisca-se a um castigo da Federação.

O facto é que as imagens foram transmitidas em directo, e foram de imediato feitos postais e t-shirts com a sequência do já mítico nº 10, com os quatro dedos bem abertos e olhar provocador. E vendem-se a ritmo alucinante, ao preço de dez euros. Só em Itália, só em Roma. "Estes Romanos são loucos."


Copyright Gazzetta Dello Sport

30 Propostas para o próximo milénio 

Italo Calvino não tem nada a ver com o título do post. As 30 propostas são merecedoras de exame sério e leitura paciente. Ao lê-las, encontrei uma dúzia que são fundamentais, porque nunca entraram em nenhum artigo, livro, programa de governo, ou debate de assembleia de República. Estão registadas num documento, e constituem não uma amálgama, mas um todo coeso que forma um estratégia.

Um guia para todo e qualquer governo em funções. A visão estratégica das elites, a sua preparação, capacidade, vontade e compromisso de reforma e vontade de mudança ficam aqui expressas de forma clara, objectiva e pragmática. Estas elites, a sua incompetência e falta de vontade e de noção de serviço público, são os grandes reponsáveis pelo rumo do país nos últimos 50 anos. [Se assim não fosse, os Portugueses emigrados não produziam e não tinham o sucesso que têm lá fora.]

A partir deste momento, não há desculpas. Um país de 10 milhões de habitantes não tem de ser uma pocilga. Não tem de ser um lugar de infelizes e de deprimidos. Tem de ser organizado, responsável e ter uma estratégia nacional.

Destaco um aspecto que venho referindo neste blog: o Estado. No meu entender, tem de se agilizar e perder peso, tem de se informatizar e tem de desburocratizar processos, delegar competências, aumentar eficácia dos serviços. Só assim se pode concentrar na redistribuição e regulação do fornecimento de serviços de Educação, saúde, justiça (fiscal, penal, social). Só com um estado justo poderemos ter uma sociedade mais justa. A minha opinião é que a Esquerda devia acreditar mais nisto, e lutar para que tal acontecesse. Não foi assim com Guterres (salvo a loja do Cidadão) que se perdeu no aumento da despesa pública. E lá foi Portugal para a bancarrota de novo...

Immanuel Kant 

Festeja-se hoje o segundo centenário da morte de Kant. Pode-se ter uma perspectiva neste artigo sumário do Público, na sua edição de hoje. Falta ao Público dizer que o filósofo nasceu, viveu e morreu na tal vila de Königsberg ( o monte do rei), que hoje se chama Kalinegrado e está dentro do enclave Russo do Báltico. É Rússia! Era Prússia, na altura.

Os contornos das Hansas e a expansão dos povos germânicos, sobretudo o Prussiano, para o báltico são de um enorme interesse. As influências faziam-se sentir até aos pequenos estados bálticos (Lituânia, Estónia e Letónia). Gdansk, hoje Polónia, era Danzig, porto Prussiano.

A história da Prússia confunde-se com a unificação dos diversos povos de influência germânica, numa nação única. Poder-se-á estudar a liderança de Willhelm II, de Bismark. Ou até procurar entender como uma nação sem história como a Prússia domina culturas tão antigas como a Badense, a Suávia, a Saxónica, ou a Bávara. A elevada militarização terá tido o seu papel. Terá a cultura protestante tido a influência mais forte?

De qualquer modo, é nesta época que é re-fundada Berlin, ao lado de Potsdam, a verdadeira capital da Prússia. E é a partir desta época também que a grande Alemanha surge, com tudo o de bom e de mau que dela adveio.

Copyright www.worldatlas.com

Wednesday, February 11, 2004

Springtime. 

Já anda por aí uma brisa de Primavera:


©Lambchop

Nota: tem bastante piada deambular um pouco pelas várias revistas de música, as ditas "da especialidade", e ver como uns e outros oscilam entre qual dos dois albuns simultâneos considerar melhor. Confesso que também eu ainda não sei, mais me parece que se completam.

No Quinto dos Impérios 

Já aqui chamei a atenção para JV, e a sua (já histórica) Glosa a Rosas. Parece que pelo blog há quem escreva em sintonia comigo. Fica então a referência ao FMS, e à sua visão sobre a esquerda actual.

Já é hora! 

Tenho postado insistentemente sobre o Partido Socialista português. Ferro é bom homem, cresceu no Liceu francês e tudo, mas na hora do aperto, portou-se como uma pessoa comum. Que eu perca a calma entendo. Que um potencial Primeiro Ministro o faça, é inadmissível. Misturar o público com o privado, é indesculpável. Convicto da inocência do seu delfim ou não, nunca deveria ter confundido o âmbito das suas declarações. O PS-Açores mostrou-lhe como se reage a notícias desse cariz. Com sobriedade, dignidade, sentido de estado e noção clara do impacto na opinião pública. Não interferir, em última análise. Ferro está marcado. Para substituição eminente.

Há dias, Jorge Coelho apareceu como disponível para liderar o PS. Hoje, foi João Soares. Os sinais aparecem, as coincidências não existem. Ferro prepara a saída. Só é natural. Coelho, Soares Jr, A. Vitorino, ou V. Constâncio, não interessa. O PS tem que ter no líder alguém capaz de reerguer a reputação e o crédito do Partido para governar Portugal. Não há democracia sem um PS capaz. E neste momento, a incompetência e a grande característica de quem está no poder no PS. Seja bem-vinda a mudança.

As cores de Roma.  

Roma tem uma cor de céu muito parecida com Lisboa. A cor de Roma, no entanto, é muito diferente da cor de Lisboa. Pavimentada de forma semelhante, o centro da cidade vive bem com o cubo de pedra, não tem necessidade do alcatrão. Mas as cores dos edifícios...não é possível a descrição. Fica a imagem. É uma cidade que pode muito bem ser apreendida sensorialmente. Não lhe colocando o fardo da história. Se o fizermos, adensa-se até a uma ponto em que temos de parar. Demasiada informação. A consumir com moderação. Roma é demais, para uma vez só.

É isto que o Foster quer para Lisboa? 

E andamos todos contentes. Bom, eu nem sou de cá, vim cá só ver a bola. De facto, não se pode dizer que Lisboa não tenha animação... Aquela torre, aiaiai, aquela torre em Santos... que desatre seria. Ver foto mais próxima, em TM&RP.

Copyright Foster & Partners

Lutz, ainda sobre o teu Post 

Tenho a dizer que a resposta nos comments foi clara. Desde já agradeço pela paciência. Incidindo sobre a Arquitectura, deste-me a entender que pensas como eu. Ser bom ou mau Arquitecto não tem nada que ver com a ideologia, tem que ver com dedicação, bom senso, e sensibilidade.
No entanto, ressalvo o último parágrafo do meu post. Aliado com outro em que digo que os grandes são todos homens de negócios. Não há outra forma. E aí, têm de contradizer essa tal preocupação pelo bem de todos. Projectar Parques da Cidade no Porto, Estádios imbecis de preço exorbitante, ou torres em Alcântara. Vale tudo. Agora a pergunta: Siza e Souto Moura são de esquerda? São tanto como nós. Ou seja, há trabalho, fazem. Só que a incoerência é notória e brutal. Tal como Picasso, esse militante do Partido Comunista (até à morte) que assinava papéis e vendia.

Tuesday, February 10, 2004

Expresso 

Nem tudo é mau neste semanário, neste jornal "O Incrível" dos sábados de manhã (como lhe chamaram no Independente, apoiados nos incontáveis "grandes furos" da primeira página e respectivos desmentidos).
Este fim de semana, por exemplo, e sem o ter lido todo (o jornal, bem entendido), posso salientar o artigo do Dr. Rui Feijó (dono de um carro em cuja traseira já tive o prazer de me espetar!) sobre o referendo. Mesmo não concordando com o que diz não posso deixar de elogiar a sua visão lúcida e interessante sobre tão importante e actual assunto. E pelo andar da carruagem vamos todos andar a falar disto bem mais cedo do que esperariamos. Vale a pena ler e guardar.
Outra coisa que também gostei, foi de uma das ideias que apanhei na crónica do director do jornal, António J. Saraiva (o tal que escreve em estilo bíblico, cada parágrafo um mandamento!- sim, Independente outra vez...), e onde defendia ser desprestigiante para Cavaco Silva o cargo de Presidente da República. Cavaco deixou ao país a imagem de um líder, um líder de personalidade forte, um líder activo e empreendedor, um líder que sabia de onde vinha e para onde queria ir, e foi. E prepara-se agora para aspirar a um cargo sem qualquer poder ou competências. Um cargo cujo grande feito é uma ilusão: ser o único titular de um orgão de soberania eleito por sufrágio universal directo. Onde lhe incumbirá nomear um Primeiro Ministro previamente escolhido pelos portugueses. E destituí-lo nos casos extremos de perturbação do "regular funcionamento das instituições democráticas", ou seja nunca. E mais uma série de competências meramente protocolares ( "sob proposta de...")que nem interessa perder tempo com. Longe, bem longe, da possibilidade de ser parte tida e achada na real governação do país. Bem diferente afinal da imagem que de Cavaco Silva temos.

Momento dos leitores. 

Car@ Omega*,

Devo antes de mais dizer-lhe que gostei de si. Melhor, de parte de si. Já pela manhã de ontem tinha tido a oportunidade de o escrever a GPT.
Sabe uma coisa? Eu gosto da crítica. Gosto sinceramente de ser criticado, quer negativa quer positivamente. E gostei das críticas que fez ao blog. Ironicamente, poderei até concordar consigo, quem sabe? Acho apenas que amoleceu, foi mais acutilante nos primeiros comentários, nos segundos quase se torna uma criatura ternurenta que tenta dar uma ajuda (tenho uma lágrima no canto do olho), embora com a vantagem de conseguir pôr a sua ideia por escrito. Não consegui foi perceber bem se tinha uma ou mais ideias. Percebo que não gosta do nosso blog, embora simpatize com o GPT. Contraditório? – Nem por isso, diria normal. Há leitores que preferem o TMM, e pasme-se, haverá um ou outro que ao engano me prefira a mim. São opiniões, não é? Não custam nada a dar, e todos as temos em barda. As suas, sabe Deus, provavelmente melhores que as nossas, que são fracas e banais. Mas pelo menos são assumidas e têm um nome que as assinam. Não resultam do déficit de coragem que um falso nome esconde. É triste, mas é verdade. Tanta espontaneidade quando não se dá a cara, mas tão pouca intrepidez para a dar, ajudam a destacar a cobardia.
Já agora, e quando assinar com o seu nome, explique-me lá porque é que me acha um "tristíssimo escritor". Deixo-lhe uma dica: vá pela parte do tristíssimo, porque pela parte do escritor eu não me interesso nada.


*Omega – aparentemente um leitor deste blog, embora na diagonal (vidé comments a este post); vigésima quarta e última letra do alfabeto grego; marca suíça de relógios.

Lourenço e Lutz 

O assunto, como é óbvio, interessa-me. Tenho a acrescentar o seguinte:
O serviço público não é exclusivo da esquerda. É característica de todo o cidadão. Ou devia ser. A diferença entre a Esquerda e a Direita, é isso mesmo. A esquerda não acredita que os privados cumpram um serviço público. A Inglaterra e os E.U.A. foram construidos assim. Com os privados. Pior, as pessoas de esquerda acham que os privados só têm como objectivo o lucro. Ganz falsch. Não podia discordar mais. Sobretudo vivendo em Portugal, onde o Estado socialista parece ter querido tudo menos o nosso bem.

Uma razão, quanto a mim, para haver mais Arquitectos de esquerda (em alguns países), é a origem histórica e prática dos cursos nas Escolas de Belas Artes. Vim da FAUP do Porto, fiz o teste em Lisboa no Chiado, estudei nas Beaux-arts de Paris, e conheci a HDK de Berlim. Sei bem o que isso significa. A ver: uma cultura de alternativa, de questionamento do poder instalado, de consciencialização social, de luta contra a sociedade instalada, contra os diversos sistemas que nos formam e dão identidade. Outcast, será uma palavra. No que se veste, no que se ouve, nos filmes que se vê, no que se lê. Negação da sociedade de mercado é apenas o aspecto fundamental do assunto. Elevada literacia, cultura, sensibilidade, serão acessórios. Sem se aperceberem, os artistas são meramente membros de mais uma sociedade. A deles. Que precisa urgentemente de alternativas.

Mesmo quanto a estes, eu digo-vos onde a arte é mais válida: é onde é conhecida, divulgada, comprada e vendida. É quando chega a algum tipo de público. A arte nos ateliers, a arte só para artistas, é um mito. Os grandes artistas contemporâneos são grandes business-men. Desde Picasso (que teve cartão PCF até à morte) , passando por Dali até Jeff Koons. A arte é um negócio. Também é um serviço, mas é um negócio. Já há alguns anos, os cursos de Arquitectura autonomizaram-se e foram de encontro ao que é essencial: uma cultura de rigor, eficácia, organização e gestão, para semos capazes de integrar as equipas que vêm construindo a Europa. Em Portugal, os Arquitectos não sabem construir. Sabem falar, filosofar, pintar, poetizar. Construir, nada. A paisagem urbana e rural está aí para provar. E porquê, Lutz? Porque são intelectuais a falar com técnicos. E construir é muuuita técnica. Se não falamos a mesma linguagem que os engenheiros ou os Bauleiters, ou os empreiteiros, como queres que nos dêem trabalho?

A arquitectura de esquerda não tem futuro. Paga mal, não faz contractos, não faz contabilidade organizada, não faz nem quer fazer um gestão eficaz. Incentiva o sistema Mestre-discípulo que é um dos cancros da nossa actividade, priviligiando uma transmissão do saber secretiva, num presente em que o conceito de SHARE é a contemporaneidade. Acentua o sistema do estrelato-vedeta, outro desastre da nossa profissão. Estimula nos jovens a procura da imagem e das revistas, em vez da cultura de trabalho. Estimula a filosofia, em vez de estimular o espírito prático. Faz a apologia dos concursos geniais, em vez da construção efectiva com os meios existentes. Baseia a análise da Arquitectura em critérios subjectivos, relegando critérios de rigor, objectividade para segundo plano. A arquitectura de esquerda, a não ser que tenha patrocínios, subsídios, ou mecenas, não sobrevive, porque não é auto-sustentável. Ela não o procura ser, ela desdenha a gestão e a economia de mercado. Mas pior e sobretudo, não aprende nada de novo em métodos, instrumentos e processos, o que faz dela vagamente reaccionária à contemporaneidade. Para mim, ela ou se contradiz, ou morre. Por isso é que para mim, Siza e Souto Moura se contradisseram. Ser de esquerda é bom, mas fazer torres dá muito dinheiro.

Há mais arquitectos bons de Esquerda? Bom, o melhor é fazer contas. Se contarem com os Inlgeses, Holandeses, Americanos, Suiços e Japoneses, que não sabem o que é isso do Marxismo (esquerda), terão somente o dobro de arquitectos BONS de economia de mercado, por oposição aos Arquitectos do socialismo público. É preciso mais?

Torres de Foster em Santos. 

Que Sir Norman entre num projecto imobiliário para fazer uma Torre (de S. Marcos diz ele!) em Santos, eu não me espanto. Ao lado está um exemplo dos anos 80/90 em Lisboa, o célebre totobola de Taveira. Eu admiro Taveira.´Tal como Foster, é um Arquitecto do Mercado. em alguns programas, apesar de fazer projectos mais feios, fê-los mais úteis e válidos para os utentes. Agora, sem dúvida de uma coisa, desfiguram a imagem urbana da cidade.

Foster é um Arquitecto do aço e do vidro, um arquitecto do dinheiro, do sistema Y€S de que falava Rem Koolhas na Casa das Artes no Porto, quando apresentava o seu Sabonete da Música. Um dia posto aqui sobre este projecto, para o LAC e o Lutz ouvirem outra perspectiva sobre os seus questionamentos. Foster é high-tech, não espanta ninguém que se diga ecologista-preocupado. Ninguém se espanta também que se esteja borrifando para o ambiente existente em Lisboa. Ele quer é o guito. Está no mercado, e para ganhar dinheiro.

Lembro-me de estar a trabalhar em 97 em Paris para uma alemã chefe de projecto Birgit, que se fartou e ganhou um lugar no Foster. E ela aí disse-me: vou fazer dinheiro. A sério. Não há cá Sizas, a pagar aos dedicados 60 contos por mês, estão a perceber? O conceito é diferente. Se o Siza se submete ao Capitalismo, aí solto uma exclamação. Pois nós do Porto sabemos como ele professa a ideologia Marxista-Leninista-estalinista do PCP. No entanto, é um poeta.

Se ser de esquerda é fazer boa arquitectura? Não Lutz, não posso concordar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se me disseres que quem é de esquerda presta um serviço sem fazer um negócio aí entendo o que dizes. Só que na vida, só os intelectuais de esquerda ainda não ultrapassaram os complexos sobre o dinheiro, da sua produção e transacção. Lembro que aos católicos era proibido guardar dinheiro, tocar no dinheiro, transaccionar dinheiro. Na idade média, bem entendido. Quem tratava do dito? Bom, várias entidades. Os Templários, ...os judeus, entre outros. Quem o tem é sempre detestado. O dinheiro corrompe. Pobre, honrado é que é bom. Querer enriquecer é pecado. Ora, quanto aos católicos, até a Opus Dei já veio permitir-lhes essa realização material, ao propor a salvação pelo trabalho. Hoje, os conservadores reaccionários são os Marxistas que cantam a Internacional. Se tentam uma terceira via... não sabemos no que dá. Veja-se Schoeder e Guterres.


Copyright DN - José Carlos Carvalho

Monday, February 09, 2004

Exp_esso 

JMF, do Terras do Nunca chegou a conclusão idêntica à minha. Há duas semanas disse o mesmo ao PG do Bloguítica, que me pareceu prisioneiro da Rotunda que influencia e dita modas na esfera do Poder em Portugal. Reparem que ao contrário de JMF, não digo Política, mas sim Poder. Gestores, públicos e privados, homens da banca, empresários, pessoas de cultura, gays e heteros, emigrantes ou portugueses cujas famílias remontam à nacionalidade, são influenciados e e influenciam o Exp_esso, numa dialética de antítese aparente. Que não mais do que a simples afirmação do Status Quo Português. Uns em cima, muitos em baixo. E assim fica. Não haverá gente que fure o esquema?!

Pina Moura Vs PS 

Realmente extraordinária a aproximação de Pina Moura ao PSD. Não há palavras. O homem que nos levou ao abismo, com a ideologia financeira comunista-socialista, está sob a aba protectora da liberal-democarcia. Será que ele pensa que se vai salvar e à sua reputação, por ter esta atitude? E que ganha o Governo? Não se entende. Só se for para P.M. não ter hipóteses de voltar ao cargo num hipotético futuro governo PS... E isso é sempre bom. Veja-se Veiga Simão: o que é mau pode sempre voltar. Para fazer asneiras piores ou no mínimo caricatas (como a divulgação da lista de "espiões", quando foi Ministro da Defesa de Guterres).

Jazz - New Orleans Jazz Club Vintage Broadcasts. 


Ana Gomes 

Ouvi na rádio que Ana Gomes se prepara para chefiar uma delegação que se deslocará ao Iraque. Irão para se inteirar da situação das mulheres iraquianas.
A acção, analisada de maneira superficial, seria admissível e até elogiável. Porém, olhada mais de perto, desde logo dois escolhos se opõem à racionalidade da decisão. Primeiro, esta não parece ser ainda uma boa altura para excursões ao Iraque pois este é, bem vistas as coisas, território que está em guerra, e pelo tanto, não é um lugar seguro. Uma tal comitiva será sempre vista por terroristas como uma forma de atingir o Ocidente, por mais humanistas que sejam as intenções da mesma (nem a Cruz Vermelha foi poupada!). Logo, esta é uma missão perigosa. Mas a sua perigosidade saltaria para segundo plano quando confrontada com a sua necessidade. E aqui chegamos ao segundo ponto que pretendia referir. É que pelo actual estado das coisas não se percebe que sejam as mulheres os únicos alvos de preocupação. Então, e as crianças? e os velhos? e, até, os homens? É o Iraque no seu todo, toda a sua população afectada por uma guerra, que precisa hoje de ajuda. Isto tresanda a feminismo.

Pontos de vista diferentes sobre um mesmo tema. 


Copyright Tiago Machado Matos

John Kerry em boa posição. 

Para ser o candidato democrata nas próximas presidenciais Americanas. Com este perfil, espero que os americanos ponham Bush Jr no lugar que ele merece na história: o 3º presidente a não ser reeleito, a seguir ao Bush Pai e a Jimmy Carter. Era um sinal forte dos E.U.A. para o mundo. Uma esperança em gente mais capaz, à frente da nação mais poderosa do mundo. Esperemos...

Râguebi - Selecção retoma o trabalho em Lisboa 

Tomás Morais, o selecionador nacional, dá entrevista extensa ao DN. Parece complicadaa tarefa este ano da Selecção. Registe-se a impossibilidade de Francisco Fontes ( por trabalho) em acompanhar o XV nacional, e a chamada de Sarmento aos treinos que começaram no fim-de-semana em Carcavelos.Depois de época decepcionante, parece que os Verdes ainda não perderam a reputação.

Berlin - Renzo Piano - Potsdamer Platz 

Na foto podem-se ver: Esquerda, a meio: Filarmónica de Berlin, de Hans Scharoun; a Neues Nationale Gallerie de Mies Van Der Rohe; a Biblioteca Nacional de Scharoun; todas as novas construções do atelier Renzo Piano ao centro. O parque à esquerda é o Tiergarten.

Copyright Renzo Piano Bldg Workshop

Sunday, February 08, 2004

Todi - Bramante - Umbria, Itália, Verão 2003 


Copyright Tiago Machado Matos

SLB x FCP 

No fim-de-semana que vem, se a viagem à Invicta não mo impedir, poderei saborear o meu primeiro clássico desde que vim viver para Lisboa. Ao contrário dos vizinhos, espero a normalidade possível durante a semana, que me dê condições para comprar um bilhete e ir estrear a nova-Luz. Com os adeptos do Porto, ou no meio dos adeptos do SLB. Refira-se que vou ver futebol, não vou só ver o FCP. Por isso é indiferente onde fique. Acessoriamente, como Arquitecto, vou ver as instalações do novo estádio.

Com o bilhete para ver o Manchester United no bolso, não posso queixar-me de oportunidades para ver bons jogos. Tendo o SCP dado este f-d-s ao FCP uns dois pontos muito preciosos, espero que o FCP não perca três no dito jogo que se avizinha. Seria a primeira derrota da época. Nada, espero, que abalasse a confiança da equipa que tem, nete momento, o melhor ataque, a melhor defesa do campeonato.

Com uma jornada de taça pelo meio, só espero que FCP e SLB passem os Quartos-de-final, para podermos ter hipótese de mais um jogo grande nas meias-finais, ou na final. Perca-se ou ganhe-se, uma coisa é certa, quando se vai ver o FCP ao estádio: o futebol é de primeira qualidade.

Artigo de Cavaco Silva no DN, hoje. 

Este artigo de opinião de Cavaco, é sintomático da estatura do Professor. Ele não quer falar de Presidenciais. Acho bem. Sampaio é o nosso Presidente. E está a desempenhar com assinalável sensatez o cargo, diga-se.

Goste-se ou não se goste de Cavaco, uma coisa é certa: Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar gente desta craveira, de nível superior. Um Presidente da República pode e deve ser regulador dos Legisladores. Quem lida com a lei - um Arquitecto a isso é obrigado- sabe que cada Projecto-Lei é assinado/aprovado pelo Presidente. Se hoje em dia temos a impressão que a Presidência é um lugar simbólico e representativo, isso deve-se à falta de capacidade e saber de quem ocupou o lugar, mais do que à inerência do cargo. Capacidade de análise das leis, ideias concretas sobre o rumo que o país deve levar. Queixo-me sobretudo das questões orçamentais e macro-económicas, como é óbvio.

Ora, Cavaco sabe, e sabe muito. Seja com o PSD, seja com um governo PS, a garantia é uma: com ele não haverá hipótese de aumentar o défice da forma Monstruosa como fez Guterres. Foi o primeiro a chamar a atenção, aliás, para o abismo a que o Monstro nos levava. Vai ser o primeiro Presidente da III República. Talvez até seja o primeiro Presidente de uma IV República, em que Portugal se renova e reforma, partindo decisivamente para a contemporaneidade.

Oxalá (Deus queira).

Roma - Museus Vaticanos. Escadaria de saída. Dupla helicoidal, em rampa. 


Copyright Tiago Machado Matos

25 Novembro 1975 

Dê-se lhe o valor que se quizer dar, estou de acordo com as palavras duras do Rui do Cataláxia, quanto ao 25.04.1974. Já aqui disse e repito: a democracia nasceu a 25.11.1975. É essa a data que festejo.

Saturday, February 07, 2004

Porto 

Há sempre uma satisfação ao chegar ao Porto de comboio. É que depois de passar as devesas, há a oportunidade dever a cidade antiga de frente. É sempre diferente, é sempre espantoso. E se calha de ser um Fim-de-semana com sol, não há como o mar no Porto para revigorar a alma. Variando por uma vez, da Ronca do Farol. Ah, esquecia-me, há um bar novo - o Bazaar, em Massarelos. Interessante, sofisticado, pacífico, a passar broken-beat. Porque não? Depois, P.J.R. levar-nos-ia até ao POP, para ver M. B. talvez pegar nos pratos e passar um hip-hop. Às quintas, dizem-me. Ok. Passar lá e dar um abraço, então. Para mim, já chegou. Esteve-se bem. O Porto está de saúde e recomenda-se. Com uma luz muito bonita também. A Casa da Música ainda não está acabada.

Comboios 

Uma viagem num Alfa-pendular é uma dor de cabeça. Para já, se há o azar de viajar virado para trás, o desastre do enjoo será iminente. O ranger da carrossaria do comboio, quando chega a 150 km/h é de uma reberberação assustadora, e de um ruído muito incomodativo. Impossível ler. e Raramente vai a mais dos ditos 150 Km/h. Há períodos em que anda mesmo a 40 !! Outros em que está cerca de 5 minutos a 220. Incompreensível. Os balanços do Pendulino Italiano devem ser muito bons na cordilheira Apenina. Aqui, são inúteis. 3 horas, que diabo! Um comboio que pode dar 200 KM/h, num percurso de 300 Km, 3 horas! Não entendo.

Esquerda europeia 

São momentos conturbados para a Gauche. Links ist nicht super. A esquerda não só não está na moda, mas também parece seguir as pisadas da entourage de Jospin aquando das últimas presidenciais em França. Pulverizada e envergonhada por um ano económico humilhante, ela está sem capacidade de resposta. Portugal seria trivial descrever. Um PS a reboque do Bloco, com um líder que quando the "going got tough, he got going". Ferro, simplesmente não teve estatura para homem de estado.

Que dizer de Zapatero em Espanha? O escândalo das eleições para a Comunidade de Madrid fez descer o seu crédito. Quando um catalão assumiu uma reunião com a ETA, o PSOE ficou colado à imagem, mais uma vez, de falta de autoridade sobre as suas hostes. Isto num ano em que Aznar informa o G7 que a Espanha espera convite para a próxima reunião dos mais ricos do Mundo, e puxa as orelhas à França e Alemanha por não cumprirem o PEC. Zapatero não tem hipótese. Talvez a saída de Aznar o ajude... quien sabrá?

Em Itália, há notícias de greves. A última grande notícia da Esquerda foi a grande manif anti-glow de Génova, há dois anos. Prostrados por uma coligação Olivo que nunca esteve à altura, a "Sinistra" recolhe remendos. Nessuna possibilitá. Na Alemanha, o SPD vê Schroeder dedicar-se a ser "Bundes-Kanzler" a full-time depois de um ano de todas as humilhações para a Alemanha. O aluno mal comportado da Europa! Shade, shade, Herr Schroeder.

Em Inglaterra, Robin Cook, o ex-número 2 de Blair, conta espingardas e prepara Frondes contra o Prime-minister caído em desgraça depois do escândalo WMD-Kelly-BBC. I say, thing really are falling apart aren't they? A Áustria e a Suiça obviamente, conservadores e montanhistas que são, estão em fase Rechts (direita). Quanto a Holanda, Bélgica e estados nórdicos, uma política pacífica dá a entender que passe o que passar, eles estarão sempre bem. Ou que as preocupações são outras.

Referências na Esquerda Europeia, precisam-se. Não será inocente a intervenção política do futuro ex-Euro-deputado Mário S. a favor da esquerda-revolucionária, aliados a anteriores gritos estridentes a favor do sindicalismo CGTP. As Europeias aproximam-se a todo o gás. Adivinha-se uma débacle histórica para o PSE.

Romano Prodi sai pela porta do cavalo, um pouco desacreditado e com problemas- até com os Judeus (imagine-se!) A esquerda está orfã de um líder carismático do Cap Nord ao Cabo da Roca. Com este panorama, só uma coisa preocupa: uma esquerda de rastos, a exemplo do que aconteceu em França, não pode fazer resvalar certa parte da população para uma aceitação do discurso fácil e populista? Não há condições criadas, dir-me-ão. Mas eles, digo eu, andam aí. E andam muito atentos.

Friday, February 06, 2004

Acordo ortográfico 

Leio presentemente um livro de autor português editado no Brasil. Como já esperava, muitas vezes se me engasga a leitura perante os atos, os fatos, as atividades, as ações, os fatores, os setores ou as diretas, e causam estranheza as equipes, as espectativas, ou o bebê, a idéia, o gênio, a colônia ou o saimento. A dada altura (por falar em sair) sai-me ao caminho a palavra anistia (para amnistia). Gralha? Brasileirismo? Como já estou por tudo nem sei o que pensar. Olhem, penso que ainda bem que o acordo ortográfico ficou por aí esquecido em algum fundo de gaveta!



P.P. (Post Postum)- A palavra anistia existe efectivamente em português, mas o seu significado é diverso daquele que o texto reclama.

Para o TMM. 

Já que o TMM gosta desta recomendações sonoras, escritas e outras, aqui fica uma solteira recomendação minha, presença habitual na turntable aqui do escriba:

© www.chicobuarque.com

E já agora, aqui fica também a letra de Meu Caro Amigo, que vale a pena ler, mas ainda mais ouvir (coincidência até, a letra foi escrita para Augusto Boal, na altura exilado, em Lisboa).

Meu Caro Amigo

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal
Adeus

Falando do tal sofismo ao meu caro GPT. 

Antes de mais deixa-me dizer-te que eu não pretendo a ressureição dos Sofistas nem o triunfo da retórica. Eu só questionei (a mim próprio e ao eventual leitor) se os blogs não estariam a ser um regresso da retórica. Mui menos o proclamei, foi algo como um "Poderá ser?". Provavelmente pretendo não complicar ao entrar pelo campo das correntes do discurso, mas antes simplificar. Apenas pego em Descartes para te dizer que "o bom senso é a cousa do mundo mais bem distribuída, porque cada qual pensa ser tão bem provido dele que mesmo os que são mais difíceis de contentar noutras cousas não costumam desejar mais do que o que têm. (...) Quanto a mim, nunca presumi que o meu espírito fosse em nada mais perfeito que os do comum; muitas vezes mesmo desejei ter o pensamento tão pronto, ou a imaginação tão nítida e distinta, ou a memória tão ampla ou tão presente, como alguns outros."
Para além disso, quando mencionava a retórica, e questionava o seu triunfo, estava mais focado noutros episódios. Lembro-me de há 1 ano atrás ter encontrado o meu antigo patrão de Berlin no bar do train de nuit Paris-Berlin, e que por ali ficámos durante 2 horas à conversa, acompanhados pelo seu cognac. A bem da conversa, falámos apenas 10 ou 15 minutos de arquitectura, e o resto do tempo deambulámos pelos Europeus, mais propriamente entre franceses e alemães. Aqui importa referir-te que ele, Finn, é um alemão, mais propriamente um prussiano, mas culturalmente é um francês, consequência de ter vivido mais de metade da sua vida em Paris. Às tantas falava da sua admiração pela minha preferência do sistema anglo-saxónico em detrimento do latino, do meu abominar de certos detalhes do comportamento latino, do espanto que lhe causava um português perder-se em viagens e interesse pela Europa de leste e pelo mundo eslavo. E disse-me algo que não esqueci, fruto da sua experiência e grande conhecimento tanto da Alemanha como de França. Disse-me que em França ganhas facilmente uma discussão pela retórica, mesmo não tendo razão, exactamente o contrário da Alemanha, em que uma discussão é determinadamente objectiva, dependendo dos factores e dos argumentos. Ou seja, na Alemanha ganhas uma discussão pela validade dos teus argumentos objectivos, e muitas vezes essa é a última vez que discutes com essa pessoa, porque ela simplesmente deixa de te interessar. Em França, com boa prosápia, óptima retórica, fracos argumentos e nenhuma razão também ganhas a mesma discussão. Sem querer generalizar (mas caindo na tentação de o fazer, repara na fraqueza), creio que isto é facilmente aplicável ao mundo latino e ao mundo anglo-saxónico. Qual o sistema que cada um de nós prefere, isso já é outra conversa. Mas vejo aqui, não sei se erradamente, a dicotomia entre subjectividade e objectividade. Creio que sabes que eu não gosto de ir pela retórica, que eu só em certas excepções aceito a subjectividade. Aliás, faço geralmente acompanhar a palavra subjectividade pela palavra puta, já agora, completando, refiro-me mais à puta da subjectividade do que à subjectividade singelamente. Não é por acaso. Ocorre-me aqui espontaneamente uma sugestão em relação a esta dicotomia. Pensa em gajas, pensa nas objectivas e nas subjectivas. Pensa no que te agrada num caso e no outro. (A mim isto lembra-me, imagina lá tu a coincidência, a diferença entre as latinas e as anglo-saxónicas, imagina lá tu, ele há coincidências... – mas se calhar é melhor nem entrarmos por aí.)
Pegando nas tuas palavras, creio-me na maiêutica pós-socrática. E já que tenho aqui à mão o Descartes, "pode ser que me engane, e tome por ouro e diamantes o que é apenas um pouco de cobre e vidro.(...) Assim, o meu intento não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir a sua razão, mas somente mostrar de que maneira procurei conduzir a minha."

António costa contra Pina Moura 

Palavras muito duras do líder da bancada do PS com o ex-super-ministro que iniciou o descalabro

Thursday, February 05, 2004

Ricos dias... 

...lá fora. E o que mais me apetece é pegar num livro e deitar-me num relvado a ler, a aproveitar a temperatura precocemente primaveril. Não sei se as andorinhas já voltaram, se a água dos rios ainda está gelada, mas já há árvores com flor, eu vi (da minha janela a buganvília), e sim, hoje o confirmei várias vezes, ainda é só 5 de Fevereiro.
Apetecia-me este descanso, esta calma, este paradoxal bucolismo urbano (e é só isso, um gajo às vezes tem dias assim):


Lustgarten, Berlin, Julho de 2002


As armas de destruição maciça 

Hoje no Público o primeiro de dois artigos de Pacheco Pereira. E no Diário de Notícias Sarsefield Cabral. Resulta de um e de outro, e FSC di-lo expressamente, estar a questão longe de acabada. Agora é a vez de se pôr em cheque os serviços de informação. Aguardemos a sua defesa.

Miles Davis 

O "Kind of Blue", do Miles, é para mim dos discos de Jazz da minha vida. Tal como para o Nuno Catarino, e talvez para meio mundo. Encontrarmos algo por nós, numa experiência íntima, sem sermos até lá conduzidos por publicidade ou media-coverage, é interessante, sobretudo nos dias que correm. Se for um processo exterior a nós que nos conduz às experiências, não tem importância. O que interessa é descobrir, aprender, ouvir e ver.

Miles foi dos poucos Jazzmen mediáticos que houve na história. Hoje em dia, por exemplo, não há um que se lhe compare nesse aspecto. Por ser mediático, é comum dizer que o Kind of Blue é o melhor disco de jazz de sempre (como se pudesse existir tal coisa). Só que isso não vai impedir de um dia, no futuro, mais pessoas intimamente ouvirem uma música do disco, e ficarem embalados ou hipnotizados. Pode o leitor tomar esse contacto por esta publicidade singela, e ir à procura do que lhe diz pessoalmente o disco, ouvindo um pouco do mesmo aqui, aqui, ou >aqui.

Copyright www.milesdavis.com

P.S.: O homem do piano é Bill Evans. Também vale a pena procurar a sua discografia.

Postar num Blog 

O Quase em Português, pelo Lutz, deixa-nos uma reflexão pessoal sobre o acto de postar. Tirando exactamente a parte mais próxima e pessoal, muito de acertado virá na pequena reflexão.

No Quinto dos Impérios 

Há muito tempo que não me ria (tão a sério) como hoje de manhã. O post-espelho do Quinto, de um artigo publicado por Fernando Rosas no Público. Do mais brilhante que já foi escrito na Blogosfera (ou na imprensa portuguesa). Um exercício fabuloso.

O triunfo dos sofistas 

Em post recente, FMA, não encontrou prurido algum em proclamar aos quatro ventos o triunfo da retórica. Partindo de uma análise ao fenómeno da blogosfera e da interação entre os diversos blogues, conclui que o que se passa nos blogues, melhor diria, o que os blogues passam, não são mais do que meros exercícios de estilo, escrita ou vaidade, pois que o que importa é que cada um apresente o seu entendimento das coisas como certo e acabado, rejeitando, desconsiderando e até, se necessário for, destruindo qualquer posição contrária, ou mesmo, não totalmente coincidente. O móbil de quem escreve um post seria, então, servir os seus argumentos em requintada prosa, rica em adjectivos e advérbios e generosa em figuras de estilo, hipérboles, metáforas, aliterações, repetições, pleonasmos...uf!, de maneira a que sua opinião, magnificamente exposta, fique ainda suficientemente forte e elástica para ora se defender ora se esquivar de possíveis ataques. E desse modo, possa quedar-se o autor de tão esplendorosa prosa, senhor do seu império do saber, indiferente e altivo perante as opiniões discordantes (as quais, aliás, pode quando quiser, esmagar em só duas singelas linhas). E isto é, com efeito, o triunfo da retórica.
Quem com isto estará dar pulos de alegria serão os Sofistas, que só tiveram de esperar 26 séculos para que lhes fosse, afinal, reconhecida razão. Apenas com a pequeníssima diferença de que agora, para a formação práctica do homem como cidadão e político releva não já a oratória, cuja preparação era realizada pelas disciplinas da retórica e da dialéctica, mas sim a escrita. O fundamental hoje é dominar a escrita para que através dela se imponham os argumentos ao adversário. Defendiam os Sofistas que, como as opiniões divergem de pessoa para pessoa, então não vale a pena buscar a verdade em si, pois esta não é a mesma deste para aquele. E, assim, o importante é cultivar a arte de expor, argumentar, convencer, da sua (de cada um) verdade.
E isto ficava por aqui não corresse eu a agarrar o braço de Sócrates antes de este beber a cicuta e, conduzindo-o pela mão até à ágora, lhe pedisse que tomasse a palavra contra este esmorecimento na procura da verdade e que nos falasse na procura da verdadeira sabedoria e da virtude como via segura para encontrar a felicidade. Sócrates fez mais e explicou os dois processos a utilizar para se chegar à verdade: o da ironia, que consistia em interrogar e contra-interrogar o interlocutor até ele se aperceber que as ideias que defendia não eram tão certas ou seguras quanto isso; e o da maiêutica, fase constructiva em que, sem pretender transmitir um saber ou ensinar a verdade, se pretende levar o interlocutor à reflexão para que retire a verdade do próprio pensamento ao mesmo tempo que se abre ao dos outros.
Deixemos agora que Sócrates vá à sua vida e sentemo-nos os dois, o leitor e eu, a matutar em tudo quanto se disse e interroguemo-nos se queremos mesmo ver nos blogues a ressurreição dos Sofistas e da sua retórica pomposamente vazia (como pretende FMA) ou se devemos lutar acreditando que ainda alguma coisa trazemos e levamos deste lugar? Tem a palavra o leitor.

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