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Saturday, January 31, 2004

Paulo Gorjão, anda muito enganado. 

A Bloguítica engana-se redondamente na sua análise à leitura do Expresso.
Primeiro, o Expresso já foi uma referência. Neste momento é uma amálgama de pessoas com maior ou menor reputação e mérito, que escreve o que acha que marca a actualidade. Sem nexo, sem interesses, sem importância real. Mas fait-divers que vão entretendo o nosso povo. Sobretudo uma certa classe alta letrada que acha que ler um jornal lhe dá espírito crítico e cultura.
Desculpelá, mas o Bloguítica, comos seus posts sucessivos, hoje, não passa disto mesmo. Não vislumbro um laivo de juízo crítico, de ideias próprias de P.G. É de uma desolação constrangedora. Ó homem, pense por si! Já é hora, que idade tem?
Segundo, entrando em algumas notícias. Saldanha Sanches não tem crédito. Por ser esquerdista comunista ou pós-comunista. Por ser parcial, por ser anti-PP, por não pautar as suas críticas públicas pela objectividade e rigor. Aparece só quando é para atacar a direita. A sua mulher também.
Quanto a Cavaco Silva e à deriva extrema-ditreita deste governo...é uma análise patética. Você acredita mesmo no que diz? Olhe, eu abomino o personagem, o método, o discurso e o credo do PP e do seu líder PP. Daí a dizer-se que o governo está numa deriva extrema-direita... vai uma distância bem longa. Se Cavaco perder, o que eu duvido, não é por essa razão concerteza.

O resto do seu Blog, para pessoa com conhecimento e gosto pelos assuntos, não sai do que critiquei acima. Os seus posts sobre Guterres, por exemplo, são de uma pobrea de ideias franciscana. Não tem mais nada para dizer? Mais uma vez, se me permite, exercite pensar pela sua cabeça nas coisas. Olhe, vá viver para fora. Faz-lhe bem, ajuda.

E agora... 

...siga para o jogo! Entrar em estágio, claro!

Princípios e Valores 

Do debate "Prós e contras" desta semana, que passou na RTP1 e contou com importantes personalidades do mundo do Direito, retive duas ideias que, por me parecerem disso merecedoras, partilho com o leitor. Dizem elas respeito a situações onde existe conflitos de interesses, onde valores e princípios se acham incompatíveis e se colocam em confronto.
A primeira foi trazida à colação pelo Dr. Paulo Rangel (e a ela volta na crónica deste fds no Independente) e serviu para desarmar o estafado argumento, tantas vezes invocado pelos jornalistas, de que o direito a informar, de dar a conhecer todas as informações que o jornalista repute de interesse público (!), enfim, a liberdade de expressão, deve prevalecer sobre o segredo de justiça. Ora, isto é falso. O segredo de justiça não é, por si, um valor. O segredo de justiça aparece taxativamente consagrado na lei e funciona como "um instrumento de salvaguarda de outros valores". E como tal deve ser respeitado sem mais. O que poderá ser confrontado, e num periodo anterior, são os valores e princípios que o segredo deve procurar defender. Tais como o direito ao bom nome, à igualdade ou a necessidade de defesa da estabilidade do decurso do processo. O que é, reconheça-se, muito diferente.
A segunda ideia falou dela o Dr. Rui Pereira, penalista, quando explicou o erro que pode ser invocar o segredo das fontes pelos jornalistas (e tanto gostam eles de o fazer). É que um juíz de um tribunal de uma instância superior pode, sopesando o segredo das fontes contra um qualquer Princípio de Direito, decidir-se pelo segundo, obrigando, sob pena de desrespeito ao tribunal, à revelação da fonte. Isto mostra que, ao contrário que se pensa, o segredo das fontes não é intocável.

Homem e Animal 

Para este post fui roubar as ideias a Paulo Ferreira da Cunha, na sua obra "O ponto de Arquimedes", que o estudo me pôs no caminho. Fala-nos o autor do "elogio do humano e da sua prevalência sobre o animal (e demais reinos da natureza), assinalando-lhe a diferença específica da racionalidade, da religiosidade, da arte, da própria sociabilidade. Depois, estribado em Clemente de Alexandria, aponta uma outra diferença específica que seria o riso. Mas é Jules Renard que, obrigando-nos a fazer uso desta última característica individualizadora, nos dá a descoberta decisiva para esta velha questão: "Descobri finalmente aquilo que distingue o homem dos outros animais: são os problemas de dinheiro"!!

VPV, a apalpar o terreno das crónicas. Brando, muito suave... 


1 milhão de barris, 6 milhões de barris, 3.4 milhões de barris..... 

....tudo somado, noves fora.....bem, é fazer as contas!
Via JCD (leiam o post, é fabuloso) obtenho o link para a lista dos beneficiários dos vouchers de petróleo do Tio Saddam, esse benfeitor, que os sátrapas dos americanos apanharam, e que mantêm prisioneiro de forma desumana. Confesso que a leitura da lista foi acompanhada de uma sonora gargalhada, logo para começar. Depois, num esforço hercúleo, tentei somar todos os milhões de barris que o Tio Saddam foi distribuindo aqui e ali, sempre naquele espírito de mão amiga estendida ao necessitado, mas, enfim, na melhor tradição da álgebra guterrista, enfim, estava eu a dizer, bem, pois, perdi-me - afinal são muitos milhões de barris. Finalmente, e apenas para oferecer um momento lúdico aos nossos leitores, pensei fazer copy / paste da lista, mas, seria demasiado longa.
Fica o convite, e o desafio matemático: afinal, quantos milhões de barris desbundou o Tio Saddam? Caramelos de Badajoz para os 3 primeiros a certar com a conta.

Jerusalém. 

Esta imagem não é por acaso. São as caras do terror:


Jüdische Museum, Berlin, Julho de 2002


Ainda aquilo de há bocado... 

... eu vou ver se vos (TMM e GPT) telefono, pode ser? Hoje talvez seja complicado porque vou ao futebol, e saio de lá sempre muito cansado. Mas tentarei. Se o Sporting não ganhar (o que não seria nada que eu não esperasse), talvez só vos ligue amanhã. Veremos. O futuro a Deus pertence.
Em relação ao resto, declaro: Not Guilty! Um abraço aos dois.

Alberto João Jardim 

A confirmar-se o que titula o Expresso na sua 1ª página, vamos ter Alberto João no lugar de segunda figura do Estado português: Presidente da Assembleia da República! Vai ser o fim do mundo! Já consigo sentir o alvoroço em que vão passar a andar as cabeças pensantes da nossa praça, e que se revela num leve formigar nos dedos (desejosos de passar ao papel toda a revolta que vão sentir) e por um aumento da dose diária de cafeína. Vão ser sete cães a um osso! Isto ainda vai dar muito que falar. O Bocassa vem para o continente!
Desconfio que ainda vou agradecer à tv cabo por transmitir o canal parlamento!

Rua da Judiaria 

Olha, Nuno, não sei... que dizer. Acho que as imagens são demasiado brutais para um blog... Ao mesmo tempo é importante que as pessoas saibam como é. O dia-a-dia da guerra. sabes, os portugueses que viveram alguma, ou que passaram por isso estão calados, a resolver síndromes de Stress pós-traumático, e o resto da população nem tem uma dica do que significa uma guerra. Nunca percas é uma coisa de vista: ao pôr este vídeo, deves ressalvar, como Hnrique Cymermann da SIC costuma fazer e bem, o que se passou do outro lado das trincheiras. É que no dia anterior morreram 10 Palestinianos, num raide. Dir-me-ás: eram terroristas, Hamas, ao que eu te respondo, sim senhor, estão numa guerra. Mata-se, e morre-se. Não há cavalheirismos, nem justiça, nem cobardias na guerra. Há só...guerra. Cada um mata com a arma que tem à mão.

Acessoriamente, mas muito mais importante é o teu Post falando do David S. Landes, e do seu famoso "Wealth & Poverty of Nations", meu livro de cabeceira há uma ano já. Já postei aqui: é o livro fundamental para perceber o mundo, e sobretudo seria bom para os Portugueses perceberem a Portugalidade.
Ela existiu até D. João II, o HOMEM, o único rei português. A partir da Inquisição, Portugal foi banalidades atrás de banalidades, sem investigação, com muitos preconceitos, ideias-feitas, ignorância,feudalismos, mercantilismos fáceis, sem nenhuma inovação. social, económica, cultural, política.

Digo isto a todos os meus amigos: a Ibéria expulsou os Judeus Sefarditas, e eles fizeram da Inglaterra e da Holanda as potências mundiais dos mil anos seguintes. Isso e que o Partido Nacional socialista na Alemanha, não foi o único , o primeiro a pensar em soluções finais. Elas sempre existiram, na Europa, Dreyfus é emblemático, mas talvez a inquisição fosse o momento mais determinante no curso da história da humanidade. É confortável os Nazis expiarem os pecados dos cristãos europeus. Menos confortável é olhar de frente para o Passado, resolve-lo e ir em frente.

Mais...é de mais neste post, continuo noutro dia...

Eu queria que Lisboa fosse Chicago 

Aliás, como bom europeu que se preze, oscilo entre o ódio e o amor aos Estados Unidos e ao que eles representam para o mundo. Mas, de facto, como não visto a pele de Soissante-huitard, nunca vi "sous les pavés la plage", nem nunca celebrei por aí além o 25/4/74, mas sim o 25/11/75, passo frequentemente à frente dos tais instintos e entretenho-me num exercício mais racional de aprendizagem e crítica do sistema Americano do Norte, e do próprio Europeu. Na foto, apresento um edifício projectado pela SOM, Skidmore, Owens & Merril, os mesmo que projectaram o Pavilhão Atlântico. Eu gostava que Lisboa tivesse Chicago aqui ao pé. Mas Lisboa não é Chicago. Ainda bem.

Copyright S.O.&M. - www.som.com

S. Pietro 

Postei aqui há dias uma foto da vista do cimo da cúpula.
Hoje, uma vista aérea, onde se vê bem colunada de Bernini (de 1656- 1667).
Reparem na fachada, por sinal horrorosa, que tapa a obra-prima projectada por Michelangelo e levada à obra por tantos outros.
A capela Sistina (do Papa Sisto IV) é o edifício à direita do canto superior direito da dita fachada, com nave na mesma orientação da Basílica.

Copyright - www.mediasoft.it

Friday, January 30, 2004

Carta a FMA 

Francisco,

Fomos, esta tarde, levados para longe, bem longe, daquilo que nos juntou. Mais do que a alegria de três amigos reunidos em volta de um projecto, mais do que a alegria de sabermos chegar (não só mas também) a todos os outros nossos amigos, juntou-nos a vontade de tomarmos parte neste entusiasmante e inovador momento da história da comunicação/informação e que começa com o aparecimento dos blogs. Mas essa vontade significava também o acreditar nas nossas ideias, nas nossas culturas, nas nossas verdades, nas nossas construções, sonhos ou visões. E sentir, mais que tudo, que os poderiamos partilhar fosse com quem fosse. Que com isso enriqueceríamos nós e os outros.
Ora, de tudo isto, andámos nós arredados por obra de tão malfadado post. Mas esse post tratou-se de um erro. Um erro que a teoria do jogo de palavras não logra justificar. Um erro que merecia ser reconhecido, porque não aponta o caminho. Nem percorrido, nem a percorrer.
É, ainda, a querer acreditar nisto que termino a carta.
Abraça-te este amigo,
Gonçalo

EU DESAFIO 

Lanço o desafio a FMA, de me mostrar uma notícia credível, com fonte credível (ou segura), em jornal credível, em que se exponham os dados que tão jocosamente se vêm comentando. Um único computador teria sido responsável por 105.271 votos, na eleição de Mourinho como melhor treinador da Europa.

E daqui faço a aposta: pago-lhe um jantar se essa notícia sair num jornal credível, com autor e se esse autor identificar a fonte. Senão, e no caso de aceitar, paga-me ele. Um dos peixinhos que ele tão bem sabe cozinhar! Espero resposta.

Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Expresso, TSF, RR, Antena1, 2 ou 3, RTP, 2:, SIC, TVI, ou cabo. É que eu não a vejo, ou ouço em lado nenhum!

Meus senhores, volto a repetir: Só nos fica bem, antes de copiarmos notícias de blogs que copiam de blogs que copiam de mails, esperar para verificarmos que elas são de facto notícias.

Que é isto? Ainda não chegamos à Madeira!

Posts anteriores de F.M.A. 

-Os posts de FMA são uma verdadeira calúnia, um vil ultraje, uma conspurcada indecência, como bem escreveu GPT, lamentáveis. Os posts, não, o último, mesmo. Aquele intitulado "Nada que não se esperasse.(II)", em que FMA transcreve um post de outro blog, por sua vez transcrito de um mail recebido pelo autor do dito blog. (blá, blá, blá, blá, pois, pois, pois, etc,etc,etc, tá bem, tá bem, tá bem)...... - assim deverão rezar os textos imediatamente abaixo das parangonas dos próximos matutinos.

Com a mesmíssima qualidade dos mesmíssimos jornalistas que tanto criticam, os meus companheiros do Blog-sem-Nome, TMM e GPT, não se dão ao trabalho de ler o título do meu Post, muito menos o analisar ou interpretar. Não. Lêem o post, realizam que não gostam, não lhes convém, é contra algo de que eles gostam, _______________ (substituir por palavras da conveniência), e imediatamente pegaram na aljava, disparando setas molhadas em veneno. Acontece, que tal como aos jornalistas, se recomenda cautela e frieza, depois de analisados os dados de que dispõem. E de que dispõem TMM e GPT, dispõem do meu post intitulado Nada que não se esperasse (II).
Leio, releio, e tre-leio o post à procura das provas que me incriminem, mas nada, não consigo encontrar nada, e já quase conheço o texto de cor.
Que eu saiba, escrever nada que não se esperasse não indica uma tomada de posição, certo, rapazes?
Que eu saiba, escrever nada que não se esperasse não indica que eu acredite no que lá está escrito, ou indica?...talvez para Vossas Mercês....
Que eu saiba, ao escrever nada que não se esperasse, eu não escrevi a minha opinião acerca da dita votação, ou escrevi?
Que eu saiba, escrever nada que não se esperasse, só exprimiu a minha opinião aos meus caros co-bloggers. Por acaso como lhes convinha...
Que eu saiba, ao escrever nada que não se esperasse, eu apenas revelo que tal texto é algo que eu já esperava, algo que não constitui uma novidade para a minha pessoa. Pode ser? Deixam?
E ficamos por aqui, que o tempo é escasso, e o assunto de somenos.
Da próxima vez, meus caros Amigos, leiam o que eu escrevo, e não me quilhem com esta conversa. Muito menos justifiquem a vossa conversa com essas teorias com que encheram os posts anteriores a este - desgraçados dos leitores, temo que fugirão.

Também se esperava 

Lamentável o post de FMA, onde transcreve um post de outro blog. Exemplo acabado de como a inveja e a falta de desportivismo, que andam de braço dado, originam injustas e falsas manifestações. O ódio cego aliado ao desespero pode mais que a sensatez e a razão. Aquilo que é alvo de inveja, incomoda por demais, e tem de ser destruído a qualquer preço. O referido texto, sobre a votação do Mourinho, onde supostamente se desmonta a sua vitória, não passa de uma parvoíce pegada que não tem ponta por onde se lhe pegue. É uma mentira, é um texto inventado, é uma falsidade alevantada. Pretendiam os seus autores (?!) intoxicar e desvalorizar aquilo que lhes custa aceitar. Daí este texto obscenamente falso, colocado a circular na internet para que os pacóvios e crédulos e fanáticos descobrissem nele a luz que acalma as suas ânsias, as suas dores. E corressem a espalhar a boa nova acreditando levar luz e verdade onde antes só existia a mentira e a maquinação (coisa que eles já sabiam desde o início, não tinham era provas) contribuindo para o bem-estar e a paz no mundo! Pobres coitados.
É ao próprio texto que vamos buscar a chave que desmascara o embuste: "a informação do fornecedor do serviço da internet associada àquele IP". Querem chavão mais vago e indeterminado do que este?Só falta que ele seja o irmão da namorada do primo! Como convém, trata-se de coisa impossível de verificar. E assim, se repetida mil vezes...
Haja vergonha.

Já com as inaugurações dos estádios coisa semelhante se passou. O do Dragão era demasiado bom e bonito. Tinha que haver qualquer coisa por onde se pegar. E logo apareceram as fotos de um estádio igualzinho! Recordo o que disse TMM acerca do Alvalade XXI, que era feio mas que era um excelente estádio de futebol, melhor até que o do Porto. Enfim, diferenças.

Parto do princípio que o FMA nem sequer leu o que colocou no post. Doutro modo não o teria feito.

Concordo com TMM, e peço desculpa por ter perdido tempo a responder a coisa tão rasteira.

Post anterior de F.M.A. 

Não me surpreende que F.M.A. postasse esta notícia. Talvez me deixe...desapontado.
Se calhar faltou-lhe ler o Vasco Pulido Valente no último fim-de-semana. Passo a citar:

"As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas das que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam que serão opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro. (...) "

Nos Blogs, e nós somos exemplo disso, tudo são opiniões e rumores, do mais insípido, ao mais sinistro. Com uma constante: uma parcialidade não possível de constestar, uma impunidade total, e sem um código de ética que implique uma verdadeira responsabilização dos autores dos mesmos. É o campo ideal para a emissão de suspeitas, rumores, calúnias e notícias sem fundamento.

Essa notícia que F.M.A. cita (ele devia ter mais atenção) foi enviada, não se sabe por quem, a uma amigo desse senhor, que imediatamente a postou. Não a vi publicada em jornal sério nenhum, e a não ser que o responsável do server apareça, dê entrevistas ou seja citado correctamente (de acordo com critérios esses sim rigorosos e jornalísticos), não posso dar a notícia como verdadeira.

Visto isto, deveria o colega e amigo do Janela para o Rio ter mais cuidado, e deveria F.M.A. também ter mais cuidado. É que vivemos num país que viveu mitos de ordem desportiva e de outra natureza demasiado tempo. Um país onde a realidade foi muitas vezes manipulada para o que alguns julgavam ser melhor. Pelos jornais, pela rádio, e pela televisão. A idade das trevas terminou. Imparcialidade, rigor, transparência, objectividade, correcção, ética, verdade, rectidão, são o que falta nesta notícia, no desporto e no jornalismo nacional. O problema da ausência destas características, é que se entranha, e passa a ser repetida e amplificada por nós.

Já aqui postei para termos cuidado neste blog. Incitei várias vezes a uma opinião mais fundada, informativa, racional e rigorosa. Esforço-me todos os dias, para mostrar fontes e critérios imparciais, racionais e objectivos fundamentando a minha opinião. Talvez não consiga sempre, também. Uma eleição na net não tem relevo. Pode ser que um dia mais tarde, demos eco a coisas mais graves. Evitemos isso. Só vai ficar bem ao Blog-sem-nome.

Nada que não se esperasse. (II) 

Na Janela para o Rio:

"Já se sabe que José Mourinho foi eleito no site da UEFA, através da votação dos cibernautas, o melhor treinador da Europa. Mourinho recolheu 118.390 votos... só que desses 118.390 votos, nada mais nada menos que 105.271 (88.92%) tiveram origem em Portugal, num único endereço de IP da zona do Porto, conforme informação do fornecedor do serviço de Internet associado àquele IP, o qual detectou uma fortíssima acção de spam coincidente com o período em que decorreu a votação.
Deste modo, descontados os referidos 105.271 votos que não deveriam ser considerados válidos por representarem um (ou, no máximo, umas dezenas de participantes), restam 13 119 votos para José Mourinho, relegando-o para a terceira posição, atrás de Marcello Lippi (29.385 votos) e Carlo Ancelotti (18.320 votos), e à frente de Martin O'Neill (9.740 votos)."

Nada que não se esperasse. 

França:mais uma vez, pelos seus mais elevados padrões ideológicos, e através dos seus mais dignos representantes. Vindo de França, nada surpreende.

Vasco Pulido Valente - Diário de Notícias 

No meio do stress, sempre há momentos de felicidade especiais...
Seja bem-vindo, VPV. Já cá fazia falta. Há muito.

Thursday, January 29, 2004

Não sei se ria, se chore... 

Este homem é que é o exemplo de desportivismo ?!
É este o vosso símbolo, que marca a diferença para o Pinto da Costa?
Sem comentários.

Euro 2004 

Proposta TM&RP para os estádios que eventualmente fiquem desertos após o Eurofestival 2004.
Habitação, comércio, serviços, num ex-equipamento. :-))

Foto: The Stadium: Architecture of Mass Sport

Sporting recuou uma vez, vai recuar segunda? 

Tornou-se insustentável a posição da direcção do SCP, depois de contactos com a PSP, e com o Governo, que confirmaram o veiculado pelo Presidente do FCP em conferência de imprensa.
Será que vão recuar na violação dos Regulamentos e do bom-senso, que davam normalmente entre 3000 e 5000 bilhetes aos visitantes?

Vamos ver. Por enquanto, os adeptos do FCP mantêm as excursões. Estas, convém acrescentar, são sempre organizadas pelas claques, apesar de as pessoas que nelas vão poderem não pertencer às mesmas.
São 60 camionetas fretadas, que viajam para Lisboa. 3000 pessoas em camionetas, cerca de 4000 se juntarmos aos carros. Há neste momento 1700 bilhetes disponibilizados.
Repare-se na informação imparcial no Record: " Pinto da Costa não pode gabar-se..." Por amor de Deus. Tenham vergonha.

Ao menos expôem os regulamentos: " O 47.º, que, no seu parágrafo quarto, refere: "Para as claques e grupos de apoiantes organizados devem estar definidos lugares sentados, em sectores específicos, reservados e em locais opostos, com meios de acesso exclusivos e em condições que permitam rápida intervenção dos elementos de segurança"; e o 67.º, cujo primeiro parágrafo indica: "Nos jogos de competições por pontos, os clubes visitantes têm direito a requisitar até 30 por cento dos bilhetes emitidos para o público de cada categoria.""

Mais uma vez lanço a questão: qual a necessidade de fazer isto?

IFFHS - Ranking do melhor Guarda-redes de 2003 

Acessoriamente: No período de 1995-2003 - 9 classificações - Vítor Baía obtem cinco vezes o Top10. Desta vez, esteve no top 20. Onde está o Ricardo? Não sei.

Invasão 

Este fim de semana que se avizinha promete numerosa deslocação de portuenses rumo à capital. Ele é o clássico de alvalade e é o concerto dos Azeitonas no People. Parece que vai tudo lá para baixo e seja o que deus quiser! Invasão!
Com a ajuda do professor Karamba prevejo: FMA a sacrificar peixes em barda aos seus desvarios culinários; a casa de Rei Pires com gente a dormir em todos os cantos e a servir mais jantares do que o self-service da Makro; o Lux transformado em Indústria (do Porto); nenhuma visita cultural efectuada, apesar de programada.
Infelizmente não posso ir.

Wednesday, January 28, 2004

Referendos 

Descanse o leitor que não venho trazer à baila assunto sério, como aborto ou regionalização. Não, vou antes escrever sobre assunto que é uma alegre brincadeira, que entretém, faz rir e muito sorrir. Sim, acertaram, vou falar sobre os referendos académicos da associação de estudantes de Coimbra.
Tudo começou num referendo generalista: deve ou não haver queima das fitas? Lembro que este referendo nasce por causa do luto proposto pelos estudantes por causa do aumento das propinas. E se há luto não pode haver festas. Excelente meio de pressão sobre o governo, preocupado que este está com o divertimento dos estudantes. Decididamente estes estudantes são espertos (e por isso são estudantes). Mas à pergunta colocada correram os estudantes a votar sim. Uma vitória esmagadora da comemoração e do divertimento sobre os deveres morais de uma justa(?) luta a travar. Não se deram por derrotados os dirigentes académicos e trataram de avançar com novo referendo. Salvaguardados que estavam os mais nobres e tradicionais eventos da queima (a saber, entre outros, a serenata, a imposição das insígnias, o baile de gala) perguntava-se agora se deveria haver lugar aos famosos e grandes concertos. Genial golpe de asa dos dirigentes, a virar o bico ao prego, a ver se não somos nós os mais espertos! Mas debalde se manifestou o génio, pois que o chamamento inebriante da folia pôde mais que os graves deveres da luta académica, e o sim tornou a ganhar. E os dirigentes académicos, cabisbaixos, sairam de cena.

Não podendo ficar indiferente ao que acaba de ser narrado, o blog-sem-nome, vem tornar público que está solidário com o esforço dos referidos dirigentes e seus elevados propósitos. E mais, está determinado a não deixar esmorecer o combate e propõe que se continue a saga dos referendos. Desta vez, aconselha-se a pergunta: devem ser realizadas as primeiras partes dos concertos? Em caso de acontecer nova vitória do sim, o blog-sem-nome, previdente, tem já nova pergunta na manga: deverão existir no recinto as barraquinhas do pão com chouriço? Ainda, e precavendo uma decisão de voto mais com o estômago do que com a cabeça, o blog-sem-nome não desarma e saca do seu trunfo: deverá haver a tendinha do guarda redes de madeira que se tenta derrubar com um chuto numa bola colocada a 7 metros de distância? E com esta sim, poderiam haver fundadas esperanças numa vitória do não. E poderiam já, os estudantes, vir bradar que não ia haver uma verdadeira queima das fitas, e que a associação e estudantes estão de luto, e que não pagamos.

Não têm nada que agardecer, o blog-sem-nome gosta de ajudar quem precisa.

Miguel Cadilhe - Euro 2004  

Não é uma novidade. Vem sobretudo de alguém que tem reputação superior na área económica, e que está numa posição de extremo relevo para o país, à frente da A.P.I., herdeira do ICEP, com vocação de captação de empresas (para virem trabalhar para Portugal).

A experiência está a sair-lhe amarga, e eu de perto pude constatar porquê, tendo uns clientes meus recorrido à API para cá se intalarem. Trouxeram alta-tecnologia, know-how de ponta na área dos plásticos de alta-precisão. Úteis sobretudo à indústria automóvel e telecomunicações. Os processos administrativos em Portugal são incompreensíveis para Japoneses e para Alemães. As diligências da equipa projectistas foram apreciadas, embora eu julgue que no essencial, eles ficam com a impressão que estão no Ghana.

Investir na reorganização do estado, na sua desburocratização, no seu melhor funcionamento, era tarefa do Partido que considera o Estado como Providência, como tutor, como regulador. Era tarefa do PS. Mas o PS não sabe para mais. Embarcou na onda da imagem, seguiu o entusiasmo de Sócrates, Madaíl, Calha e Carlos Cruz (meu Deus, que quatro!) e toca de gastar aquilo que não há.

Perguntavam-me quatro japoneses, antes de começar o mundial Japão-Korea (2002): "Jap.: - Portugal is building 8 stadiums, isn't it? Eu: -No, actually, ten... Jap.: - Ohhh! Portugal must be...very rich. Japan built 10 also! And difficult, very difficult! The rest, Korea. How Portugal do? Eu.:- I Don't know."

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Francisco Sarsfield Cabral 

Porque é que são tão poucos os jornalistas como ele? Leiam este texto. Notável. Agora preparem-se para ter FSC de 2ª a 5ª e o Vasco de 6ª a Domingo. Isto vai valer a pena, se vai! Já não estávamos habituados. E o DN custa menos 20 centimos que o Público!

(Desculpem, o link tem estado indisponível no site do DN)

Roma 


Vista da cúpula de S. Pedro, em direcção a Castel St'Angelo.

Sporting x Porto 

Ontem manifestei ao meu co-blogger sportinguista a minha indignação para com o comportamento da direcção do Sporting na preparação do jogo que se avizinha. Não foi respeitado, pela primeira vez na história, o regulamento que estipula o nº de bilhetes a disponibilizar ao adversário. As desculpas, mesmo da direcção, são incompreensíveis, acentuanduando-se a minha indignação ao ler algures que 600 dos 1777 bilhetes estão num sector diferente do estádio!

Neste quadro, um sócio do Porto como eu, associado desde 1985, que já foi cinco vezes a Alvalade e que vive ainda por cima em Lisboa, só pode dizer o seguinte: é de uma baixeza torpe esta atitude, típica de gente com outro nível que não aquele que as direcções do SCP nos habituaram. Sinto-me maltratado, mal-vindo, gozado, e provocado por esta atitude. É um sinal muito claro: não venham mais a Alvalade. Não vos damos bilhetes, mesmo os que somos obrigados a dar. Preferimos ser multados. É isto que querem? pois é isto que vai haver. Mas sabem, isto tem um nome: segregação. Ou como diziam os Afrikaners: apartheid. Vamos assitir a algo que é hoje um mito num país desenvolvido. E já agora, quero ver se alguma proposta vai ser feita para mudança dos regulamentos. Foi a 1ª vez que o SCP falou nisto e estou quase seguro que não tornará a falar.

Pois imagine-se o meu espanto e incredulidadeao ler o texto que vem hoje no site do Sporting (que li bem antes do mail que me enviou F.M.A.): aqui. Dias da Cunha, não só é mal-educado, por tratar todo e qualquer adepto do Porto que queira ir a Alvalade como um Suprer-dragão, um "guerreiro imbuído de...", como está a reincidir na provocação que ele próprio (e a sua direcção) iniciou. Omite-se deliberadamente, de mais explicações de porque ignorou a lei e deleita-se a zurzir o comunicado de Pinto da Costa.

O tom desta parte do texto é intolerável, jocoso, gozão, impróprio de quem corporiza a imagem empresarial racional, correcta e actual do SCP. Quando, no meu entender, a provocação é feita pelo SCP! Pinto da Costa corporiza, é minha opinião, a indignação dos adeptos e associados do FCP, que se sentem espoliados da legítima possibilidade de ir a Alvalade ver a sua equipa jogar. (Ainda por cima, puseram bilhetes à disposiçaõ do FCP, a 45 Euros!! É preciso ter lata!)

Dias da Cunha escuda-se na legislação confusa, o que juntando ao facto de ser a 1ª vez que a lei é desrepeitada, acentua o caractér mal-intencionado da estratégia. Com esta resposta, até a mim me apetece ir a Alvalade. Tranquilo, em paz, correctamente, protestar por aquilo que tenho direito.

Pergunto eu: havia necessidade? Não me parece. Mas pensando bem, talvez esta revolta, este sentimento de injustiça, seja parte de algo com que cresci, que aprendi do meu pai e do meu avô, e que é a substância, a alma e força dos sócios e de todas as nossas equipas (dos vários desportos).

Por esta atitude, só espero que percam no Sábado. E que percam bem, para a questão ficar arrumada de vez. Se ganharem, boa sorte para o resto do campeonato. Por favor não me tornem a falar de desportivismo Sportinguista, em jeito de lição civilizada aos saloios. Porque esse desportivismo e comportamento correcto é um... mito.

E na Vida, 



O melhor que talvez daqui levemos, é até possível que seja o Amor. Tão facilmente fonte da maior felicidade como da maior infelicidade. Assim, acho que é mesmo assim. Ontem vi Lost in Translation, saí da sala embaciado nos olhos. O Amor pode ser muito cabrão com as pessoas. Cheira-me que vou estar mais 2 dias sem postar. Há semanas piores.



Mas a Morte, 

Lembra-me a Vida, e o quão precária ela é. E o quanto uma e outra são inseparáveis. Na vida vemos apenas aquilo que está perto, tudo o que está mais longe do que justamente aquilo que nos é próximo, é desconhecido, é incerto, não sabemos sequer se existe.
E que no fundo, raras são as coisas que superam o valor de uma insignificância.
Talvez a Vida seja um caminho assim:


Novgorod, Rússia, Março de 2001


Meus Caros, 

Terão eventualmente constatado a minha ausência desde Domingo. Tal silêncio foi a única resposta que consegui dar à morte de um rapaz mais novo que eu, que tive a infelicidade de ver em directo num dos meus raros momentos em frente a uma televisão. À morte só associo o silêncio, só isso consigo. São insondáveis os desígnios do Senhor. Paz à sua alma.

God help Kerry (beat Bush) 

Parece que é certa a vitória de John Kerry hoje no New Hampshire.

"May God guide America, this time round."


...E que aquela besta do Ralph Nader não se candidate, e não faça o que fez ao Al Gore na última eleição. Foi o grande responsável por pôr Bush no poder.

Tuesday, January 27, 2004

New Hampshire 

Sei que não concordarão todos comigo...

Mas hoje torço para que a maior parte dos candidatos Democratas desistam da candidatura à Presidência, deixando no máximo dois na corrida. É necessário concentrar esforços, para derrotar Jorge Caminhante Arbusto, Júnior. É uma responsabilidade enorme que cai nos ombros destes homens. Começando na de devolver algum crédito e simpatia mundial aos E.U.A., pois parece que tudo se esvaiu. Estive a ver "Band of Brothers", na semana passada. Se alguém merece respeito e alguma gratidão, são os americanos!

Deixo os dois candidatos mais prováveis aqui, para o leitor os ir conhecendo:

- John Kerry e Howard Dean

Nova-rica-gastronomia 2 

Este Verão, numa tarde de praia, caí no erro de, perante uma plateia jovem, dizer mal das francesinhas. A desaprovação ao meu juízo foi unânime e deixou transparecer o escândalo. Por essa afirmação fiquei totalmente desconsiderado e num ápice fui dizimado. Choveram manifestações de apoio à iguaria, mais do que argumentos. O auditório ficara chocado com o que ouvira. E mostrou-o, pois quando quis ir ao banho e perguntei se alguém vinha ninguém veio!
Vem este post no seguimento deste, de FMA, que nos disserta sobre os novos hábitos na cozinha portuguesa. E vem para falar de um caso ainda mais notório e flagrante (pelo menos no Porto). Falo, já o adivinharam, das francesinhas. Elevadas que foram, desde há poucos anos, à categoria de ícones da gastronomia portuense.
Como fenómeno recente que é, são sobretudo as gerações mais novas os seus mais entusiastas apreciadores. A sua procura é enorme, e é o resultado da sua popularidade. Tornou-se um hábito ir comer uma francesinha acompanhada de uns finos. E sítios onde o fazer multiplicam-se todos os dias. Tanta popularidade e tanta procura obrigam-nos a esconder o espanto quando ouvimos a expressão "prato típico do Porto" e francesinha na mesma frase. E esta é uma ideia cada vez mais frequente. Dou dois exemplos: o primeiro aconteceu já há algum tempo no Porto, em que filmaram em directo do Teatro Rivoli um programa do Herman José (não me lembro já qual) onde este fez subir ao palco uma francesinha, trazida ali do lado, da Regaleira, que o Herman, ignaro, se percipitou a comer com as mãos!!; o outro exemplo é mais recente e passou-se neste último Big Brother onde, a dada altura, foi acometida à casa a tarefa de preparar dois pratos típicos: a açorda com coentros do Alentejo e a francesinha do Porto...
Não vou cair no erro de voltar a depreciar esta nova moda e a excessiva importância e valor que indevidamente recebeu. Mas não posso deixar de dizer que o Porto já tem o seu prato típico, cheio de história e tradição, e que são as famosas tripas, tripas à moda do Porto, e que até nos dão nome, tripeiros, e que o seu lugar nunca, mas nunca, será tomado por esse prato tão pobre.

Mystic River 

Como previa, e se verifica aqui nas nomeações para os Óscares, Sean Penn é posto por Clint na passadeira do óscarde melhor actor. A actuação é tão sofrida, que mal vi o filme tive a sensação Tom Hanks. Enfim, Hollywood sabe fazer ídolos como ninguém. Hnanks smboliza a América bem-comportada e políticamente correcta de direita, porque não um Penn de Esquerda revolucionária?

Sobre a apreciação do objecto artístico 

Belo Post do Nuno Catarino, que continua a dizer coisas bonitas.
Para mais jazz, vejam este Blog: Jazz no País do improviso

Desilusão 

TMM anunciou com o entusiasmo habitual, e eu, contagiado, corri a comprar a Notícias Magazine, com os índices de curiosidade elevadíssimos. Moveu-me não só a admiração por Vasco Pulido Valente mas, sobretudo, a amostra com que o Tiago nos mimou. A coisa prometia. Mas infundadas se revelaram as esperanças. A amostra servida pelo Tiago era o texto introdutório à entrevista, onde apareciam coligidas as duas ou três melhores ideias/respostas de VPV. Pois bem, essas duas ou três ideias/respostas eram as únicas ideias/respostas interessantes em toda a entrevista! (esses tipos do marketing são danados!). Muito pouco, muito pouco mesmo. Uma desilusão.
Resta esperar por sexta-feira para sabermos se, apesar da paragem, VPV mantém intactos os seus predicados enquanto cronista.

Em honra a F.M.A. 

Uns checos que foram a todos os continentes, incluindo à Madeira.


Hoje aconselho 

Blog: Pedra sobre Pedra

Site: Jazzportug@l

Arquitecto: Coop Himmelblau

Fotografia: Robert Doisneau

Dança: Pina Bausch

Der Schweiz 

Como em post anterior, e seguindo pisadas tuas, Lutz, sigo a viagem interior até à Suiça, esse país que tem cerca de 5-10% de população portuguesa.
Neste site, pode o leitor passear-se pelos cantões, montanhas, vales e aldeias, e ter uma ideia mais aproximada do país mais bem sucedido do mundo.



Posts, recentemente... 

Para se saber o que anda a ser postado, ir aqui.. Muito útil.

Monday, January 26, 2004

The Office 2 

É 2 porque já aqui havia falado dela (e não faço link pq não sei onde está), uma sitcom com o mais puro humor britânico. Negro, negro, negro que até doi.
E falo dela porque teve agora a merecida consagração nos Globos de Ouro: melhor série e melhor actor principal. E teve de se bater com as muito mais mediáticas e conhecidas sitcom americanas (Sex and the city, por exemplo). Haverá melhor cartão de visita?
Ainda podem ver a primeira série a passar em reposição aos Sábados à noite no canal a dois.

Avignon 

Lembro-me bem de Avignon, desta praça onde um café e uma cerveja custam o preço Norueguês proibitivo. Um festival de teatro e dança, uma estalagem do outro lado do rio. Uma conversa agradável depois de um jantar banal, mas bem regado. Pontes deformadas, passeios fugidios, uma ascensão e queda invulgares. As muralhas são nobres, o castelo dos papas aqui fica.
Foto de Eugene Webb, do site Washington.edu

Miklos Fehér 

Se há desporto onde é difícil reconhecer a fronteira entre o que são suplementos nutricionais e vitamínicos necessários e aceites para a preparação e recuperação do atleta e aquilo que já cai nas malhas do ilegal, do doping, do que fraudulentamente permite ao atleta atingir limites que de outro modo não atingiria, esse desporto é o ciclismo. Julgo não me enganar muito se disser que o ciclismo é o desporto mais exigente em termos físicos e mentais que existe. Existem, é certo, aquelas provas do "iron-man" e a própria maratona, mas são provas cuja duração não ultrapassa um dia. O ciclismo, por seu lado, consiste numa prova de "endurance" que se prolonga por mais de uma semana sempre a um elevadíssimo ritmo competitivo, com tiradas de centenas de quilómetros entremeadas por outras mais curtas, com agrestes subidas de montanha (com inclinações, às vezes, de 12%!) e velozes contra-relógios. Só por puro romantismo se pode acreditar que é possível competir a esse nível apenas com uma preparação normal. As performances a que obrigam um ciclista são sobre-humanas. E por isso reconhecer-se que a preparação do atleta terá sempre de ser enriquecida por uma forte componente-não-natural das substâncias ingeridas. A dificuladade de estabelecer aqui a tal fronteira é enorme. Saber até que ponto estamos a ultrapassar o limite que o corpo humano aguenta, ao ponto de colocar em risco a própria saúde do atleta e, no limite, a sua vida.
Toda esta dúvida no ciclismo tem resultado numa hipócrita "caça às bruxas", de cujos episódios vamos tendo acesso pelos jornais, movida pela federação internacional de ciclismo (desconheço se esta é a exacta designação). É que por um lado exigem resultados e performances cada vez melhores no ciclismo, o que contribui para a popularidade e sucesso da modalidade, por outro está o não querer ver o preço que se paga para atingir isso. E este raciocínio encontra aplicação válida em qualquer modadlidade que tenha competição profissional.
Mas desconverso, e tomo o que aqui me trouxe.
Penso que o que se passou ontem, e ao contrário do que depreendi serem as conclusões de TMM, não terá sido uma situação de excessos na preparação ou, se quiserem, de ilegalidades na preparação do jogador Miklos Fehér, fruto do mundo competitivo em que vive e dos resultados que a pressão o obriga a alcançar, que terão levado a que a tragédia acontecesse. Como tive o ensejo de escrever no comentário ao referido post, o corpo humano não é uma máquina infalível, e a ciência está ainda longe de um seu completo conhecimento. O que nos coloca por vezes perante situações médicas que não sabemos prever, compreender e, em resultado, controlar.
Corria o mês de Novembro de 2002 quando um jogador do râguebi senior do CDUL caiu inanimado durante um treino com uma paragem cárdio-respiratória. O infeliz rapaz, de 25 anos, que não teve a sorte de Fehér (infelizmente vã) de ser prontamente socorrido por médicos e paramédicos (a ambulância demorou hora e meia a chegar ao local) veio a falecer pouco tempo depois. A história do raguebista amador à semelhança do futebolista profissional. Mostra que pode acontecer a qualquer um, em qualquer situação. Não há muitas explicções a dar nem razões a encontrar. São mistérios da vida que nos devolvem ainda mais à condição humana.

Gargalhada feliz 

Feliz, supreendida e de partilha de credos, emoções, procuras minhas que vi reflectidas no José.

Leon Battista Alberti 

Depois de Vtruvius, houve uma segunda vaga de grandes Mestre Construtores, na Renascença.
Um deles foi Alberti. Aqui em baixo, do site Great Buildings uma imagem de Stª Maria Novella, em Firenze, e de St'Andrea de Mantova


Vã Glória 

Blog do dia: Glória Fácil, onde JPH faz reflexões sobre a TSF idênticas às minhas, excepto no capítulo em que fala do Governo (?!). JPH, que tem a TSF a ver com o Governo?? Sinceramente...
Isto, apesar do começo desastrado de ver MJO a invectivar insolentemente JPP, um dos Homens que mais sabe sobre a história do PCP. De certeza que mais do que os próprios militantes, mantidos seguros pela trela, senão levam com processo de renovação-expulsão sumária gulaguiana.

Desporto, acidentes... e morte. 

O caso não é único e não será o último." Shit happens".
Resta saber, desde Rusedski no Ténis, passando por mais um escândalo no ciclismo em França, ou pela droga descoberta o ano passado, o THG, quanto do desporto actual e passado tem em conta os riscos, as probabilidades de complicações de saúde para os atletas.
Vivemos num mundo livre de Guerra-fria, em que o Bloco de Leste já não necessita de Marita Kochs, e em que não é necessário proteger os americanos, como o foi Carl Lewis do escandâlo do Doping de Seul 1988. Mas nem tudo está bem.

Da natação, ao atletismo, passando pelo ciclismo, e pela EPO, tornou-se nos últimos anos, bastante aparente que o fenómeno da alta competição está envolvido por vários outros, paralelos e precupantes.
De um lado o Negócio, de outro, a glória, a exacerbação dos heróis, e de outro ainda, a evolução da medicina desportiva e da ciência, que dão a ideia de controle total aos corpos médicos que acompanham os clubes e os atletas.

No caso do ciclismo é por demais evidente. Nutrientes, sais minerais, resposta aos esforço, consumo e oxigénio, flexibilidade muscular e de tendões, potência, explosividade, etc. Tudo se trabalha. O peso é medido aos gramas, a massa muscular trabalhada, os ossos medidos, radios, ressonâncias magnéticas, TAC's.

Os atletas, são objecto de estatísticas, fazem parte de um quadro de dados, de exigências, de valores finitos e definidos. De facto, há uns que acompanham e outros não. E o outro facto, é que começam muito cedo neste mundo de exigências, a maior parte físicas, mas extrememente duras também a nível emocional e psíquico. Quem não se lembra de Ronaldo, o Fenómeno, que aos 16 anos foi oferecido ao FCPorto? Foi para o PSV Eindhoven, tendo performances físicas sobre-humanas.

Miki Féher chegou ao FCPorto com 17 anos, e desde muito cedo esteve perto da pressão. A pressão de empresários, o capricho da necessidade de vitórias, o capricho de presidentes, o querer dos adeptos. Tal como Cristiano Ronaldo, Hugo Viana e Quaresma que vão para fora do país à procura da glória, Miki esteve no FCP, no Salgueiros, no SCBraga e depois no SLBenfica, muito novo. Demasiado novo no olho de um furacão.

Ora, no meu entender, o que as famílias têm de saber que é um risco que correm ao porem as suas crianças nas mãos dos clubes. A ciência não pode prever certas reacções orgânicas, a medicina não resolve tudo, ainda. Houve Pavões no passado, e houve no Basquete, o ano passado, o caso do Paulo Pinto, internacional. Nos dois anos anteriores, hove dois casos, na Portugal Telecom, de mortes idênticas. Houve o camaronês Vivien Foé, houve o caso Kanu. No atletismo, houve Florence Griffith Joyner, morta aos trinta e poucos, com paragem cardíaca. Ver outros casos, aqui.

E John McEnroe, que disse que durante 6 anos lhe deram esteróides que eram usados em cavalos de corrida??!


Sunday, January 25, 2004

O Mundo Judeu 

É apaixonante. Venho referindo aqui o blog mais interessante e revelador para mim: a Rua da Judiaria.
Ler uma passagem da bíblia é mergulhar na cultura Judaica. Para laicos, para leigos.
Ir a uma celebração cristã, no caso católica, é reencontrar, revisitar e rever partes, fragmentos, do mundo Judeu.
Jesus ensinava nas sinagogas, celebrava o Hannuká, era Judeu... não há uma origem no Cristianismo, que não seja o Judaísmo. É um pai, um alfa, foi de onde brotou.

Em algum ponto, a transição deu-se e criaramm-se as fundações para uma civilização inteiramente nova, que procura recriar - e de facto re-funda o próprio Judaísmo. Enfim, na óptica da nova comunidade.

Só que temos de admitir, com bastantes defeitos. Não interessa aqui neste post referi-los. Interessa apenas voltar a registar como é importante para todos nós Cristãos aprendermos mais sobreo Judaísmo, pois é sempre uma viagem ao fundo de nós mesmos e de tudo aquilo que acreditamos.

Outro dia, explicava a alguém estrangeiro, que para um Português, ter algures nos seus antepassados um Judeu ou um Cristão-novo era algo de comum, apesar de geralmente as pessoas terem um misto de descoonhecimento e vergonha sobre isso. É óbvio em alguns nomes de família, e nas faces de muitos. Este outro artigo do Nuno inicia uma viagem que se pode mostrar tão interessante para a nossa própria noção de Portugalidade, de nação, de carrossel de culturas, permanente, e total

Sites do Dia 

Passear, olhar, emocionar-se, rir, sorrir:

- Maitena
- John Pawson
- Yann Arthus Bertrand

Prevenção Rodoviária 

A Sombra, por RS, posta hoje um artigo demorado e paciente sobre a prevenção rodoviária e métodos de penalização.
A propósito, lembro-me do artigo interessantíssimo sobre os radares automáticos, invoação polémica e mediática em França. O artigo, publicado hoje na pág. 30 da revista Única do Expresso-espesso.
Ver o gráfico com a proporcionalidade da população vs acidentes, comparando Portugal, Espanha e França.
A novidade é que é ela por ela, ou seja, é tão perigoso conduzir cá, como em qualquer dos dois outros países.
Dados de 2003:
- Portugal: 10 356 117 hab. ; 1344 mortes (1469 em 2002)
- Espanha: 42 717 064 hab. ; 4032 mortes (4026 em 2002)
- França: 60 180 529 hab. ; 5732 mortes (7242 em 2002)

Quadratura do Círculo 

Aconselho vivamente, a partir das 15h00, o Flash-back versão Sic-notícias, aqui..
Depois de ouvir o Carlos Pinto Coelho esta manhã em entrevista a diversas personalidades, incluindo Gérard Castelo-Lopes, invadiu-me de novo a nostalgia pelo Carlos Andrade.
A diferença de postura, o rigor informativo, a posição imparcial, a moderação do debate, opõem-se claramente à soberba vaidosa, opinativa intrusiva de CPC. Mas porque é que temos de aturar este homem? Dedique-se à fotografia!

Lost in translation 

Não consigo perceber porque é que os Globos de Ouro atiram este filme para a categoria de comédia. É certo que o filme, sobretudo no início, recorre a uma série de "gags" (demasiados se calhar) típicos da comédia americana, e que são essenciais para o filme, para nos transmitirem o estado de alma de Bob Harris (Bill Murray). E são sequências capazes de nos fazer sorri, algumas vezes rir, mas sem nunca perdermos de vista a verdadeira tristeza e infelicidade em que vive mergulhado o personagem. Verdadeiro palhaço triste. E com ele entristecemos.
Também a apresentação do filme, disseram-me, que eu não vi, é feita de modo a anunciar uma comédia que provoca a gargalhada saudável e fácil.
Só por isto explico as gargalhadas néscias que ecoaram pela sala desde o início do filme. As pessoas vieram ao engano, pensavam que iriam assistir ao "Melga 2". E tudo serviu para soltar a mais sonora e incomodativa das gargalhadas. A dado momento referiu-se no filme o confronto armado que ocorreu na Baía dos Porcos. Baía dos Porcos!?! ahahahahaha, não se intimidaram de gargalhar uns quantos ignorantes. Uma pobreza.
Mas Sofia Copolla terá também alguma culpa porque, talvez, tenha exagerado nessas situações do burlesco quotidiano. Mas, que posso eu dizer senão que até isso a Sofia se desculpa, por tão bonita história filmar. Uma história de amor. Uma história triste. Uma história linda.
Um filme fabuloso.

Saturday, January 24, 2004

Hoje 

Site: Aconselho a primeira do Le Monde.
Pode o leitor navegar placidamente entre a operação plástica do "Condottiere Berlusconi", ou admirar como Villepin passa graxa em Putin, depois de ler a animada comparação do direito de greve em vários países europeus. Que actual é este artigo.

Música: Para não mudar de língua, aconselho a maravilha que me acompanhou mais uma tarde, Henri Salvador. Procurem a música "St. Germain des Prés". Lindo.

Cinema: Um realizador, desta vez: Eric Rhomer.

Blog:o Merde in France, para ficar tudo em família hoje.

Sunset. 

Desta vez não é nenhuma imagem de Berlin, nada disso. É do nosso País.
Hoje fica aqui um fabuloso pôr do sol, finalizando um dia de praia que foi uma verdadeira supresa para Novembro.
A praia, essa, prefiro não dizer qual é.


Costa Vicentina, Novembro de 2002


O paradoxo do grevista. (III) 

Exactamente, ir aos saldos. Havia tanta gaja (com o dístico grevista orgulhosamente colado na lapela) ontem com sacos de compras a saldo. O dinheiro, claro, vão buscá-lo, mas trabalhar, isso é que é o ca*#%*=. Sempre podiam passar o dia de greve em casa, a ler a cagada do Germinal, do Zola (a quem por alguma razão os fraceses chamavam l'ecrivan de la merde - ora com um elogio destes vindos dos franceses, que já são aquilo que nós bem sabemos, ficamos conversados), para ver se percebem a sorte que têm na vida. Mas isso não! O que interessa é greves à sexta! O azar é ser agora no Inverno, senão ainda dava para uns diazitos de praia. É a velha lei do dá-se-lhes a mão, querem logo o braço.
Ainda me sinto mais grato por poder trabalhar hoje, sábado. Greves? - ....dassssss!

Friday, January 23, 2004

O paradoxo do grevista 2 

O paradoxo do grevista nem é esse. Ou, se quiseres, FMA, o maior paradoxo do grevista não é esse. O maior paradoxo é o modo como encara a greve. É utilizar adjectivos como "espectacular" para classificar os seus números de adesão à greve. É dizer, pleno de satisfação, que esta foi a maior greve da função pública alguma vez vista! É dar a entender que não percebe a gravidade que reveste o recurso a esse meio de luta do trabalhador, a esse meio extremo, a ser usado em última ratio, em situações limites, quando for já o último meio de clamar pela sua situação desesperada. E é fazê-lo inconsciente de que o meio de que faz uso irá prejudicar todo um país, inclusivé a ele trabalhador. Hoje, amanhã ou depois, não interessa. E por isso as suas manifestações/declarações deveriam ser graves e comedidas. E nunca, mas nunca, de júbilo. Porque agreve é um meio e não um fim. E porque assim, ficamos todos a achar que isto não passa de folclore, e que os trabalhadores aproveitaram o dia para ir aos saldos às custas de uma falta justificada. É que para a rua protestar não foram eles, de tão interessados na luta pelo seus direitos.

O paradoxo do grevista. 

Nem sempre o faço, mas hoje saí por momentos do escritório para ir até lá abaixo lanchar. Na minha tranquilidade, reparo que a fila para a paragem de autocarro está enorme, maior que o habitual. Trincando um bolo, acompanhado de uma meia de leite, reparo melhor na fila. Apercebo-me de gente com autocolantes, começo a ver malta de lenço palestiniano, bandeirinhas e restante parafernália de manif. Mas melhor, paradoxo do grevista, um cabrão de megafone no meio da fila, à espera do autocarro que nem saíu da estação de recolha, graças à sua greve.

"CVM: Qual a sua obra de sonho? FSS: É uma cidade ideal..." 

Não sei se ouviram a tal entrevista, podem ir procurá-la de novo aqui.
A ideia de cidade é totalmente alheia às preocupações de um Engº Civil. Este, existe para resolver problemas concretos, mais ou menos relacionados com betão. Acessoriamente, e num país de ignorantes e de analfabetos, o Engº pode ser bom gestor, decisor, organizador, agente pragmático na resolução de vários problemas.

O Engº não pensa por um momento sequer em questões sociais e humanas, que digam respeito à pessoa, ao indivíduo, ou a um conjunto de indivíduos. Números, cifrões, estatística, contas, probabilidades, racionalidade, objectividade. Ora, no meu entender, o que está aparente na entrevista é isto mesmo: uma falta de sensibilidade brutal para o fenómeno urbano. O que em si não contitui surpresa, sabendo nós que as 2 Urbes Portuguesas são feitas por Engºs. E a porcaria que eles fizeram.

Mais grave, o Bastonário ensaia um discurso do Engº sobre a cidade, procura vencer em terreno do adversário. É isto que eu venho chamando à atenção a todos os Arquitectos. Esta gente é pragmática. Não é uma gente que perca tempo com teorias. Anunciam, e ...fazem. O anúncio qual é? A cidade é dos Engºs, a temática é nossa. A construção? Ela já era deles. apenas 5-10% do total construido tem a intervenção de Arquitecto.

Fui lendo ideias soltas, dispersas e partilho imenso do que foi escrito pelo Gang, pelo Projecto, pela Epiderme, pelo Forum cidade, nos Vizinhos, no Planeta Reboque, pelo Lutz, e pelo Daniel . Reparem que há um aspecto que o Bastonário vence: a formulação dele é clara, concisa, sintética. Ela tem mais impacto. Na forma. É possível formular uma alternativa Arquitectónica? Quais são as diferenças entre nós e eles? Qual a nossa mundividência? Existe a cidade ideal para nós?

Qual é a vossa cidade favorita? Porquê? É possível uma cidade diferente em Lisboa, no Porto, Como? Espaço público, Desenho puro, Estratégias autárquicas, Políticas... É o tratamento do Lixo? São os transportes, é o ar cosmopolita, o anonimato? Será a Arquitectura?

B.I. do Edifício. 

DN, pág. 20., não aparece on-line.
Conselho de Ministros aprovou ontem a criação da Ficha Técnica da Habitação.
Ver notícia no Público, atenção às notícias relacionadas.

Vasco Pulido Valente 

Chamo a atenção para a rentrée de VPV.
Ela é anunciada no DN, com entrevista exclusiva na revista Notícias Magazine de amanhã.
O anúncio tem página inteira, na qual surge a seguinte citação:

" Temos uma classe média iletrada resultado de um "sistema educativo" desastroso, poucos e maus empresários, e dinheiro nem vê-lo. Podia salvar-nos uma anexação pelos espanhóis, mas é uma ilusão, porque Espanha prefere explorar o nosso mercado, sem mais responsabilidades. Enquanto isto, a política faz-se na televisão, e as bichas crescem às portas de Carnaxide e Queluz, de gente à espera que os ecrãs lhe dêem um nome"

Em boa hora, seja bem-vindo, que falta faz!

Tele culinária e doçaria. (II) 

A primeira receita é bastante simples, e proporciona-se a um jantar a dois. Sabe melhor do que o trabalho que dá a fazer, logo é o ideal para quando a convidada é alguém a quem queremos surpreender e agradar. Até agora tem uma eficácia comprovada de 95%. È um spaghetti com camarões em natas, na versão portuguesa.
Ao mesmo tempo que se põe o spaghetti a cozer (8 minutos para que fique al dente), deitam-se os camarões (daqueles descascados que se compram congelados) numa frigideira em que os esperam bem quentes algum azeite (0.7º ou 0.5º), pimenta moída na altura, alho picado, algum sumo de limão (1/2 para cada 2 pessoas) e coentros picados. Deixam-se fritar os camarões nesta mistela durante os 8 minutos do spaghetti, e mesmo antes de se tirar o spaghetti do lume para escorrer, deitam-se natas sobre os camarões já devidamente fritos e mais um pouco de coentros picados. Deixa-se estar até levantar fervura, altura digna para lhe juntar o spaghetti por 1 minuto, apenas para ganhar algum sabor. Resta apenas servir, e disfrutar. E seduzir, claro!

Tele culinária e doçaria. (I) 

(Nova rúbrica deste blog, escrita a espaços e segundo a melhor ou pior inspiração dos escribas.)

Um complotista sugere, pede, um blog de receitas, um gastro-blog. Nada que nunca me tenha passado pela cabeça. Por várias vezes estive para lançar o repto, por outras tantas alinhavei mentalmente o postar de uma receita. Mas, até ao dia d’hoje, nunca acordei virado para esse lado. Hoje, quem sabe, talvez tenha chegado o dia da primeira receita gentilmente cedida à blogosfera pelo Blog-sem-Nome, neste caso, por mim.

Devo, numa honestidade introdutória, desenhar em traços largos o meu percurso culinário. Nestes mesmos traços, largos, tudo se explica com a total ausência de noções de cozinha até surgir a necessidade, numa simples palavra, a fome. A 3.000 kilómetros da Casa Parental não havia congelados para aquecer, etc, etc, não havia a boa comidinha caseira. Da necessidade à iniciativa dei um passo invisível, e, nas palavras de um amigo, dinamizei a cozinha. Tudo começou com hambugers – dos quais enjoei ao fim de um mês - feitos por mim em casa, e a partir daí tem sido uma longa auto-estrada de sabores experimentados e saberes ganhos. Antes de adormecer os leitores, uma última explicação: dos livros de receitas nunca sigo nada à risca – gosto de tirar um pouco de 3 ou 4 receitas, aproveitar este ou aquele tempêro sugerido para um outro prato, enfim, experimentar com o senso possível. Como digo nas conversas em que o assunto surge: a nossa arte também está no que cozinhamos.

Para que serve uma praça? 

Para que serve, afinal?
Tal como aqui, mais uma encruzilhada.
Desta vez, num regresso a casa, de mais uma noite entre tantas. De uma noite pequena de Verão, ainda não são 5 da manhã, e já o céu aclara.


Alexanderplatz, Berlin, Julho de 2002


Manela Ferreira Leite é incompetente. 

Neste Blog temos por hábito ser pluralistas. Críticos, mas pluralistas. Por isso, e em contra-corrente, chamo a atenção para artigos de gente capaz e brilhante, da área ideológica Socialista.
Esta semana, foi o Prof. Sousa Franco que nos deu a honra, com a sua visão iluminada sobre a governação de Portugal em geral, e das finanças em particular. Ver o artigo na Visão.

Em linhas gerais, Sousa Franco já foi PSD, foi presidente do Tribunal de Contas, e também Ministro das Finanças do Engº Guterres. É hoje aceite por todos que os 1ºs M.F. do Engº, foram gente competente, que soube conter a despesa pública até à aceitação pela UE da entrada de Portugal na Moeda Única. A partir daí, foi o descalabro, com Pina Moura a delapidar o património de Estado (apanágio de qualquer Comunista que se preze).

Se o Professor não foi responsável pelo descalabro, isso dar-lhe-á alguma margem de crítica, mas não muita. As suas intervenções mediáticas têm sido pautadas mais pela intervenção política do que propriamente pelo rigor científico-económico. E isso tira-lhe credibilidade. Há uma clara diferença para economistas como Vítor Constâncio e Daniel Bessa. Ou para socialistas responsáveis, como o Presidente da República.

É grave os cidadãos perceberem que o PS não aceita a sua própria incompetência. É grave o PS querer manter a imagem de competente, e dar-lhe mais valor, do que fazer o que é essencial para Portugal. Esse orgulho e teimosia vão-lhe sair caros. Pior, já estão a sair caros a todos os Portugueses. Nós é que estamos a pagar hoje a factura da incompetênca dos seus camaradas.

No Blog-sem-nome pensamos que o Socialismo já morreu. Até os socialistas têm vergonha da canção da Internacional! No entanto, precisamos todos de um PS forte, de um PS válido, com alternativas, mesmo que ideológicamente agarrado à ideia do Estado-providência, e que não ceda a Comunistas como Carvalho da Silva, ou a Bloquistas como Louçã.

Um PS que acredite no Estado regulador das assimetrias sociais, e das diferenças de oportunidades de cada um de nós à nascença. Republicano, democrata, socializante. É esse o caminho. Aí estará a alternativa. Aí devem intervir, e mostrar que ainda são capazes de governar este país. Quanto à Economia, mais vale estar calado do que só dizer asneiras.

Thursday, January 22, 2004

Momento publicitário. 

Este, já lá canta em casa, e no campo, na festa, no barco, nesses sítios onde nós malta de direita temos a mania de ir. E recomenda-se. Boa qualidade, e facilidade de transporte, num design que será admirado daqui a 20 anos. Mais informações aqui.



Nova-rica-gastronomia. 

Não sei se o meu aturado leitor partilha desta observação que me vem acompanhando desde, não diria as calendas, isso não, mas desde há algum tempo. Prende-se tal reparo com o facto de se ter tornado habitual, pelos restaurantes do nosso país – já tão bem munidos com a nossa gastronomia, tanto nacional como a mais específica regional – apresentarem a picanha nas suas listas. Esta novidade, esta importação, tão rapidamente se apoderou dos cardápios como dos hábitos. Reparem!, qualquer urbano, tanto no escritório como entre amigos, vos fala da tenríssima picanha que jantou ali, naquele restaurante que – tu sabes! -, ou daqueloutra que comprou naquele óptimo supermercado e fez depois em casa deliciando os convidados comensais. Não denegrindo a qualidade da dita carne, observo a sua ascensão a novo-riquismo gastronómico, a ostensiva simbologia de rica alimentação. E o mesmo pensarão os hoteleiros de restaurante, não privando os seus clientes de tão afamado manjar.

Não obstante, e como um mal nunca vem só, facilmente se encontra o outro fenómeno, em qualquer lista, umas linhas abaixo ou acima, ao critério do freguês: ei-lo, o porco preto! De como subitamente todo o porco em restaurantes passou a ser preto, indaga-se ente vosso escriba vezes sem conta. Onde estavam tantos porcos pretos guardados, para alimentar tamanha saciedade? Questiono-me: - já não há porco sem ser preto? Inerente ao dito negro reco, surge a minha última pergunta deste perdido textículo: - afinal, o que são os secretos?

Clube de fans do José Cid 

Blog do dia: o Club de fãs do Zé Cid
Graças ao Nuno Catarino, tive acesso a este único e insubstituível blog (sei que os meus co-bloggers vão gostar)

Música do dia: "Beautiful" - Snoop Dogg feat. Pharrell Williams

Livro do dia: "O Riso" de Bergson

Site do dia: Laboratório de Acústica da Feup, e outros

Constata-se 

Tenho vindo a constatar que:
- os trabalhadores nunca estariam à espera que a fábrica fechasse e ficaram muito surpreendidos quando, nessa manhã, deram com o nariz na porta;
- os trabalhadores não percebem porque é que a fábrica fechou se até recusava encomendas;
- é perfeitamente normal que os trabalhadores se dirijam para mais um dia de trabalho com bandeiras da cgtp e tiras de pano com dizeres de protesto debaixo do braço;
- a delegada sindical do sector trabalha sempre nas fábricas que encerram;
- as equipas de reportagem da televisão são de uma rapidez e pontaria tais, na maneira como mobilizam os meios de cobertura, que até aparece que foram avisadas na véspera, mas não foram.

Tudo de uma naturalidade e espontaneidade enternecedoras. E que se repete.

Um pedido. 

Caro Minimalista, parece-me que por aqui gostaríamos de ter uma descrição sua. Esteja à vontade.

Bayerischer Rundfunk  

Ontem tive o privilégio de ser convidado por uns amigos a ver e ouvir a Orquestra Radiofónica da Baviera, no Coliseu dos Recreios (Lisboa). Foi uma experiência única e inesquecível, tirando um público que:
1- Não entende que não se tosse nos intervalos;
2 - Tinha uma média de idades de 57 anos;
3 - Não percebe que uma Orquestra não sai de cena enquanto não acabam as palmas;

Ouvimos um Russo, qualquer coisa como Tschastakovich, e a Simphonie Fantastique de Hector Berlioz. O maestro é um emotivo, um Letão e a orquestra bastante internacinal, não sendo estranhas as caras Bávaras típicas. O blasé alemão chega a borrecer.

Pois bem, 8 contra-baixos não chegam para se fazer ouvir os graves necessários, portanto imaginem. Estão à direita, atrás das 8 violas, essa espécie de violinos escala grande. Em frente ao maestro, que está no centro, estão 6 violencelos, e à sua esquerda dois grupos de violinos. Os 1ºs, tenores, junto ao público, num total de 8, e os 2ºs violinos, sopranos, atrás destes, também somando oito músicos.

Lá trás, os sopros, fagotes, clarinetes, oboés, tubas, trompetes e trombones, em número não perceptível. O bombo e tambores da praxe, manipulados pelo mesmo músico dos pratos. Um espanto, não fosse a péssima acústica da sala. Berlioz deu-nos a possibilidade de ouvir ainda duas harpas, coisa não muito comum. E eu que gosto tanto de um piano com orquestra... enfim. Não nos podemos queixar. Foi uma maravilha.

Destaque do dia: Australian Open 

Não é que se possa ver a horas decentes, pois é todo de madrugada.
O que é importante é que é mais um de muitos desportos óptimos, acessíveis a todos, que não é praticado em Portugal por ter uma aura de elitista (acho).
As alternativas ao futebol passam por uma cultura de ocupação dos tempos livres diária, ou quando muito semanal, que complemente a nossa sedentarização excessiva.

Na foto, tirada da Gazzetta.it, James Blake.


Wednesday, January 21, 2004

Lugares comuns 

Aconteceu hoje almoçar sozinho. E como todas as vezes em que acontece almoçar sozinho envolvi-me (ou vi-me envolvido...) em longas conversa com a minha empregada. Esta, também como habitualmente acontece, inspirada pela ausência dos "patrões" não se fez rogada em dar largar à ânsia palradora das suas cordas vocais, no dia a dia oprimidas. Alegremente falou, falou e falou. E eu, religiosamente ia assentindo com repetidas e graves inclinações de cabeça. A dado momento a conversa descambou para o futebol (a conversa, a dado momento, descamba sempre para o futebol- "ai o nosso puorto, menino!") e é entaõ que a minha empregada não se ensaia para se sair com esta: "- O benfica? o benfica só serve para promover ministros!". O benfica só serve para promover ministros? o que é isto quererá dizer? perguntei-me eu (e nunca a ela, que esta era das que dava assunto até ao café) entre duas garfadas de arroz. E a pensar na resposta me entretive almoço fora. Várias foram as teorias que se arquitectaram na minha cabeça para responder a tão intrigante questão, mas que eu poupo ao leitor benévolo, tão desenxabidas de imaginação resultaram elas. E porque a resposta veio com a sobremesa: laranjas (a sobremesa, não a resposta). "- Aqui tem, o menino, laranjas da quinta descascadinhas, são uma delícia, sabem mesmo a laranja, não são como as que se compram no supermercado!". Fez-se-me luz! Essa dos ministros e do benfica não quer dizer rigorosamente nada, é tão só mais uma dessas frases feitas que povoam densamente o universo do diálogo nacional. Mais uma dessas expressões que se atira despreocupadamente para o ar sempre que o assunto o permite. Automaticamente. Sem pensar. Porque parecem acertadíssimas, carregadas de razão, inquestionáveis, intocáveis, e porque se não são inteiramente verdade também não se pode dizer que sejam completamente mentira. E que passam de boca em boca à velocidade da luz. E por isso as vemos aplicadas vezes e vezes sem conta relativamente a tudo e mais qualquer coisa. Tal como a tirada das laranjas, ou alguém não presenciou já a rábula de que os produtos caseiros, em comparação com os comprados no supermercado, são sempre melhores, mesmo quando são piores? E exemplos como estes há muitos. É só parar um pouco e prestar atenção ao que à nossa volta se diz, para ver como o nosso dia-a-dia está pejado destes lugares comuns, que dizem tudo sem dizerem nada. Ainda agora, no telejornal das 13:00 da RTP, apanhei com o clássico: "este é o pior governo desde o 25 de Abril", proferido por uns sindicalistas quaisquer. É óbvio que este é o pior governo desde o 25 de Abril. É que não há nenhum governo desde o 25 de Abril que não seja o pior governo desde o 25 de Abril! E, já não me lembro, mas de certeza ter-se-à ouvido nessa reportagem o familiar "a culpa é do governo"! É sempre. Mas há mais, há a actualíssima auto-estima de cuja falta todos nós padecemos. Todos, sem excepção. Enfim, e por aí fora seguiriamos escrevendo e rindo não mandasse o bom senso ficar por aqui, porque temo abusar da paciência do leitor amigo. Afinal, já não há leitores como antigamente...

Hora do almoço. Má publicidade.  

A hora do almoço, seja ela qual for, é um tempo propício à deslocação pela cidade, ou melhor, por parte dela. Quer almocemos ao lado do escritório, na zona do escritório, em casa, no sítio de todos os dias, wherever. É normal um movimento, uma deslocação de um local para outro, e o eventual retorno à base. É o que me acontece todos os dias.

Entre o ir e voltar, onde quer que almoce, há sempre tempo para algumas observações furtivas, uns segundos roubados ao rio, o eléctrico que passa, o engraxador de sapatos, os bloqueadores da Emel, as obras desta cidade (por todo o lado), coisas várias e quase sempre de reduzida importância. Noutras vezes vou reparando na publicidade; p.e. ainda na semana passada fiquei impressionado com o horror das cores de fundo daquele anúncio ao BES com o Cristiano Ronaldo. Reparem, aquilo que tenta ser um céu electrizante é um bizarro céu feito de uma mèlange de fuchsia e púrpura; como público-alvo falho redondamente, pois rejeito o anúncio. Maus publicitários.

Já hoje, o mesmo anúncio foi substituído (quem sabe se para um retoque de cores) por um muito pior. Desta vez, da Europcar. O dito anúncio publicita o aluguer do Smart Roadster Coupé, com a frase mais apropriada a Portugal: "Seja um Nikki Lauda" (não encontrei a imagem online). Exactamente isso. Incitação deliberada ao condutor para usar e abusar da velocidade. Publicidade negligente e perigosa. Creio não ser necessário perder aqui tempo a explicar por que motivos este tipo de incitações são completamente inusitadas, totalmente idiotas, loucamente insensatas. Neste país em que se morre na estrada mais do que por qualquer outra coisa, fazer um anúncio destes deveria dar penas graves.

post scriptum: aproveito para aqui deixar os links para a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados e para o seu blog, Paz na Estrada

Francisco Sousa Soares 

Pessoal e transmissível, TSF, dia 16 de Janeiro de 2004, aqui.
" Carlos Vaz Marques: Engº Francisco Sousa Soares, qual é a obra dos seus sonhos?
Engº FSS: Uma cidade ideal, com uma qualidade de vida invejável, com jardins muito bem cuidados, sem trânsito, com óptimas avenidas, com os prédios todos bem recuperados e reabilitados...(etc)"

É quase imbecil como resposta, cheia de banalidades e com poucas ideias práticas. Sem visão de construção, sem engenho, sem planeamento, sem rigor.

Apresento-vos o Bastonário da Ordem dos Engenheiros. Que quer acabar o mandato sem deixar aos Arquitectos o exclusivo da autoria de Projectos de Arquitectura. Ó máxima desonra, esses Arquitectos a quererem o exclusivo da sua profissão! Mas não o censurem, ele é do Porto, não sabe o que é uma Avenida...

Mas convém reflectir o seguinte: qual é a nossa ideia para a cidade? Qual a nossa cidade ideal? Temos ideias? Temos ideais melhores ou mais válidos que os Engenheiros?

O facto é... que não se sabe e não se vê nada aos Arquitectos. Por muito tempo?


Convite a quem não gosta de Futebol. 

Convido a ver os três golos do FCPorto contra o SCBraga, no fim de semana que passou, aqui.
Reparem que no 2º golo a bola passa por 6 jogadores diferentes, e no 3º, passa por cinco.
(Pena ter sido contra a escarpa, em vez de ser com uma multidão em fundo, mas é por estas que os Arquitectos hão-de sempre ser os artistas)

Ah! Desculpem a música...

Sobre emigrantes e imigrantes... 

... vale a pena ler este post do Gabriel. Elucidativo, sem dúvida.

Quadratura do Círculo! 

Quando hoje fui ao Projecto, eis se não quando me sai ao caminho a Quadratura do Círculo. Não tenho palavras.

É começar a interagir. Proposta: agir sobre o Dec. Lei 73/73 e provocar a reacção num programa futuro. Começar a dar visibilidade parlamentar à questão central da Arquitectura Portuguesa.

Escolher outra questão para luta é falhar onde os nossos patrões falharam, ser um perdedor crónico na nossa sociedade, um derrotado, um artista sem relação com o meio onde se insere, um "intelectual de Esquerda" ( é assim que os Professores do Técnico e FEUP nos vêem, é assim que os Engºs e desenhadores nos vêem).

Vamos então a isso.

Reflexões do dia. 

Música - Cody Chestnutt - presença em 2003 num Gilles Peterson Worlwide.

Sites: Mais um de ranking de clubes Uefa, all-time, aqui

Filmes: Mystic River - fui vê-lo ontem. Mais um filme. Hollywood, para os óscares dos actores. De resto, indiferente e já visto. (FMA há-de me perdoar, mas é)

Imprensa: Corriere della Sera, aqui.

Blog: A forma do Jazz a vir.

Imagem: Tokyo, aqui.

Tuesday, January 20, 2004

Arquitectos, temos de estar atentos. 

Alguns livros na Fnac, despercebidos, menos aparentes.
Muitíssimo valiosos. Livros daqueles de consultar para sempre.

Uma tradução inglesa de Vitruvius, comentada, simples, com exemplos demonstrativos.
Vários livros de construção, dos quais destaco a série de Jorge Mascarenhas, vol I, II e IIIm com o título "Sistemas de Construção", da Livros Horizonte. Imperdível.

Dois livros sobre construção de Edifícios, da GG, tímidos castanhos valiosos aliados.
E que dizer do livro do ano? "Edifícios", publicado pela Ordem dos Engenheiros? Inestimável, e exemplo maior de como os usurpadores nos vão passar por cima, mesmo que passe o Dec. Lei revogador do infame 73/73. Preparam-se para isso, folheiem este livro e me dirão de quem é o trabalho descrito ali. É deles??

Por falar nisso, tive jantar este FDS, em casa de amigos aqui em Lisboa.

A notícia corre, célere como a morte: Carmona Rodrigues reuniu a semana passada com os representantes da Ordem dos Engenheiros e Técnicos de Projecto... e a promessa no ar foi a do adiamento pelo Presidente da República do Decreto por nós todos desejado.

Lanço o apelo à Blogosfera, visto a consciência estar mais ou menos criada, e gostava de receber sugestões sobre linhas de actuação. Desde já vos digo: visto do Técnico, parece-me bastante credível a tal notícia. Sugestão: perguntem entre amigos e depois colegas. Confirmem, primeiro. Depois, há que pressionar. A OA, o PR, a Assembleia. Isto não pode ficar assim!


Conselho musical do dia 

O Blog-sem-nome começa, por meu intermédio, (desde já lanço o desafio os seus co-bloggers), a por em prática o seu credo de divulgação de informação geral, contribuindo para vários objectivos:

1- Criarmos uma identidade que o nosso público reconheça como original;
2- Contribuir para a divulgação de cultura. Ou melhor, do que vamos apreciando;
3- Debater, discutir, inovar, provocar. Nem que minimamente...
4- Contribuir para que haja novidades no blog, para que seja sempre uma agradável surpresa para si, caro leitor/a.

Vamos a isso. Fico à espera de F.M.A. e de G.P.T., e dos seus reportórios interessantes.

Hoje, recomendo ao nossos leitores, ouvirem Cannonball Adderley.

Podem começar, aqui, a seguir vão aqui,

Porque não...um Museu? 

E porque não, de Karl Friedrich Schinkel?


Altes Museum, Berlin, Agosto de 2002

Informações sobre Schinkel e sobre a Museumsinsel.

Colombo, Fnac, Gramática 

Hoje a vida de neo-lisboeta levou-me a paragens não muito apreciadas.
As colunas do meu PC foram ao maneta e dirigi-me ao colombo para algumas compras adicionais.
Os comerciantes estão-se borrifando para os clientes. De facto, quem tem clientela garantida, não precisa de se esforçar a agradar. O meu dinheiro não tornam a levar tão cedo.
Colunas na worten, e uma camisola na Zara, onde mais uma vez o cliente é desrespeitado, quase ignorado. A comprar o jornal, a ser servido ao almoço, a ver uns sapatos, a perguntar preços, todos se estão borrifando.
Enfim, há a Fnac, e o único problema é resistir à vontade de levar tudo de bom que se vê e ouve.

Não pude fazê-lo ao ver uma gramática da língua portuguesa, pois assim posso tirar dúvidas com o meu co-blogger e uma das suas paixões:
Trata-se da silabação e divisão/hifenização em caso de mudança de linha, das vogais consecutivas do fim de algumas palavras. São elas, a saber: corropio, assobio, tio, rio, casario, luzidio, bio, etc...

Diz-nos o "Prontuário Ortográfico e guia da língua Portuguesa", de Neves Reis, Ed Notícias, 2003, Lisboa:

Pág. 15

" Hiatos
Chama-se hiato à sequência de duas vogais fonéticas que pertencem a sílabas diferentes. Na escrita não se distinguem os hiatos dos ditongos, pelo que será sempre necessário ter em conta a pronúncia para os diferenciar. Recorre-se normalmente à divisão silábica (v. Sílabas, p.22) (...) Temos hiatos em palavras como boa, dia, lua. (...) ...uma mesma sequência gráfica pode ser pronunciada como ditongo, numa fala mais ráouda, ou como um hiato numa fala mais pausada."

Pág. 22

" Sílabas
(...) Em português, o elemento obrigatório da sílaba é a vogal, que constitui o seu núcleo ou elemento central. Assim, uma sílaba pode ser constituida apenas por uma vogal (...)"

A dúvida que está em discussão é a seguinte: se as palavras referidas contêm hiatos nos últimos pares de vogais, ou se constituem estas duas últimas 2 vogais um ditongo indivisível.

A maior parte das gramáticas são omissas quanto ao assunto, e digo que este permanece aberto até ao contacto efectivo com algum filólogo da língua portuguesa, que aqui já agora se pede, ao leitor que se entreteu a ler estas linhas. Pede...e agradece!

Monday, January 19, 2004

Já que se fala disso... 

A não perder este post de m'A do Gang, interessante também para não-arquitectos. Não sendo uma revista que eu compre, por vezes, tal pedaço de papel, cortado em folhas iguais e colado na lombada, vem-me parar às mãos. Foi o que aconteceu há um ano atrás, quando regressado a Portugal, folheio o dito magazine numa sala de espera de dentista - enfim, quando me esqueço de literatura a sério na algibeira, tenho que me entreter com os recursos mais próximos para diluir o tempo de espera. Nele encontro uma entrevista a Silva Dias, feita pelos Papas da teoria em Portugal (ok, ligeira ironia), Rui Barreiros Duarte e Vitor Consiglieri. A páginas tantas, falam no Hansa Viertel de Berlin, e, sai asneira, daquelas à rookie. Não tendo eu practicamente nada que fazer, dedico-me então a escrever uma carta à sumidade, apontando-lhe o erro, corrigindo-o, explicando o quê e porquê. Eis que dois meses depois a minha carta aparece publicada, obviamente com todas as partes menos agradáveis truncadas (...). A resposta de Barreiros Duarte foi um exercício de self-pitty trisonho e derrotado, e obviamente pernicioso: cita-me XPTO de La Palisse a narrar a sua visita a Berlin há 40 ou 50 anos atrás. Enfim, fui às lágrimas de tanto me rir, pensando naquilo que um ego ferido é capaz de fazer. Como não tenho lareira, logo deito o papel desinteressante para o lixo, já não tenho a dita revista, mas informo que a resposta foi publicada em Fevereiro ou Março de 2003 (se alguém a tiver e quiser ter a gentileza de enviar a tal resposta para este correio, desde já agradece). A carta que escrevi, irei procurá-la nos meus arquivos, e assim que a encontre a publicarei aqui.

Quanto ao que o Gang escreve depois, obrigado pela parte que nos toca. Não sendo exclusivista no tema, o Blog sem Nome conta com 66,6% de Arquitectos nas suas fileiras, e volta e meia aflora e debate a arquitectura, é verdade.

Quanto ao enviar para a A&V os posts, não esperemos surpresas: uma parte devidamente seleccionada e enquadrada entre reticências será publicada, seguida de uma qualquer imprevisível citação de La Palisse e de outra de um antropólogo aleatoriamente seleccionado entre 427 possíveis. Caro m'A, já que estás com a mão na massa, aproveita e manda-lhes também o link para este post.

Assim está muito melhor. 

Nada como repensar e esclarecer. Foi o que me parece ter feito o Crítico Musical, neste seu terceiro post sobre Siza e as torres de Alcântara. Mesmo sem linkar ninguém, escreve agora com outra serenidade, tenta explicar os seus argumentos, chegando mesmo a dizer que prevê um trabalho de altíssimo nível, pondo de parte as certezas absolutas dos posts anteriores. Sem dúvida, muito mais salutar, e aqui o reconheço. Ainda assim, estava desconcentrado: faz os dois primeiros parágrafos na 1ª pessoa do singular, mas remata o post na 1ª do plural. Caro Crítico, habituado que estou ao seu rigor, resta-me apenas perguntar-lhe: - Em que ficamos?

Los Angeles 

Bom, é de facto surpreendente que passados alguns anos de estar a viver em Los Angeles, Nuno, da Rua da Judiaria continue, não só a escrever, como apaixonadamente a sentir em Português.
Apesar das suas reflexões serem eminentemente sobre o mundo Judeu, sente-se algo luso por trás desta driving force que ele revela.

Posso dizer que os seus textos são um raro exemplo de reconciliação do imaginário comum de todos nós cristãos por herança nascidos em Portugal, idos ao mundo e retornados ao rectângulo virado para o mar, com um passado de coexistência perturbada com a comunidade Judaica. Como é exemplo este post aqui, luminoso. Que é importante, didático, informativo, em algo tão esquivo, obscurecido e esquecido no nosso país.

O que posso dizer a Nuno é o seguinte: é muito importante o que este universo do teu blog permite. Único, inimitável, precioso, inestimável. Obrigado. E que a vida e o trabalho te possam sempre trazer a Portugal, terra de contradições mas sempre sensível e interessante. Nós cá ficamos, mudando o país e esperando que tanta gente que foi para fora tenha condições para um dia voltar.

Shalom

A Confederação Helvética 

Tal como Lutz neste post no Quase em Português, admiro imenso a Confederação Helvética.
A história da Suiça é interessante, um case-study sociológico, cultural, económico.
Um caso de sucesso incomparável, incontornável, extraordinário.

Sobretudo por se tratar de pastagens alpinas, históricamente, trata-se de uma região de difícil acesso, e de populações que não fizeram propriamente um êxodo para as cidades no final do século XIX. A distribuição geográfica, mesmo com comboios e auto-estradas, permaneceu bastante dispersa, e as gentes em unidades pequenas de população. Manteve-se a ligação à natureza, um sentido rural muito forte, evita-se ainda hoje grandes contactos, apesar de Zurich, Bern, Basel e Geneve serem hoje carrosséis de transportes e culturas.

A Confederação não tem unidade administrativa. Os cantões germanófilos e Francês mandam, sendo que o germanófilo manda mais. Mas em que mandam? Em leis gerais, porque a nível local esteve, está e sempre estará o real poder. As linguas na Suiça são locais, e em toda a aldeia há um conselho de anciãos que decidem aquilo que referendos directos à população da aldeia ainda não decidiu. Pontos de passagem das estradas, aspectos de direito, códigos de construção, ordenamento do território, são aspectos regulados pelo parlamento da aldeia.

Der Schweiz propõe assim uma construção muito interessante, muito controlada, modular, standardizada, normalizada. É o exemplo acabado do sistema internacional de Normalização - ISO, que de resto tem a sua sede no país. É uma arquitectura que nunca deixou de ser ecológica, ou sustentável, e que por isso está em plena contemporaneidade. É tremendamente local e apaixonantemente global. É extremamente rica, sem ser vaidosa. Uma lição.

Merci viel mahl de nos lembrar, Lutz!

Perdiz com duas asas. 

Não pude evitar aquele sorriso estúpido (mas genuíno) que nos fica na cara quando lemos algo de que gostamos. O post desta Senhora sobre esta tasca deu-me a sensação de dejà vu que se tem quando se lê sobre algo que nos é próximo, que conhecemos, que sabemos. A tasca de que fala é exactamente assim, uma animação total, acompanhada sempre pelo peixe mais fresco e a mais pura prontidão, simpatia e dedicação de quem lá trabalha. Mas a Charlotte esqueceu-me de referir os magnânimes bigodes de quem lá trabalha, exemplo acabado da arte do tratamento capilar facial. Para além das sempre habituais 50 imperiais quando são apenas 5, ocorre-me ainda um outro nome próprio com que as coisas são tratadas dentro daquelas paredes. No fim do jantar, ao pedir um Famous Grouse com 2 pedras de gelo, o Sr. Carlos apenas diz para trás do balcão:
- Sai uma perdiz com duas asas!

Vento Norte. 

Chama-se Nortadas e já o acrescentei aos links há algum tempo, mas só nestes últimos dias pude confirmar aquilo de que já suspeitava: a familiar proximidade de um dos escribas. É verdade, aquele senhor que assina José Mexia é meu primo direito, e um daqueles primos que me orgulho de ter. A ti, Zé, um grande abraço.

Actualizando. 

Após um fim de semana passado distante desta Lisboa que hoje na atmosfera límpida reflecte todos os raios deste Sol que avassaladoramente a domina e tenta aquecer, é tempo de voltar à triologia dos dias de semana: monitor, teclado, e rato. Volta-se ao blog, ouvem-se carros nas ruas, há o movimento da cidade, mas há hoje, sobretudo, muita luz, há todo o esplendor do sol d'inverno.

Rankings e coeficientes 

Aliás, em relação a este último post, é interessante ir a este site e informarmo-nos do que realmente importa, quando se trata de competições europeias.
Como se tornam completamente patéticas as discussões, sobretudo contra o FC Porto, cá em Portugal. O que interessava, era que a nível europeu, as nossas equipas fossem competitivas. É isso que é imperdoável no Sporting, e até na União de Leiria, no seu jogo contra o Molde. De resto, procurem a posição da Turquia e da Noruega. Imperdoável.

Houve um jogo este fim de semana que mostrou o caminho. Foi o Beira-mar x Marítimo. Tirando o ambiente marinheiro dos nomes, foi um extraordinário jogo de futebol. Táctico, físico, disputado, intenso, com jogadores confiantes, motivados e com técnica acima da média europeia. Jogando futebol equilibrado, não desistindo do ataque. Foi como um jogo de meio da tabela de futebol espanhol. Se as equipas portuguesas jogassem entre si desta forma, estou certo que nas competições da UEFA, não partiriam resignadas, teriam ambição, dariam lições de futebol.

Infelizmente, aqui, continuam-se a justificar derrotas por 4 - 1 com erros dos árbitros.
O meu desejo é que daqui a duas semanas haja um jogo a sério, ganhe quem ganhar. Precisamos de um Sporting forte e de um Benfica forte, sobretudo que ganhem mentalidade de competições europeias.

Todos vamos ganhar com isso. E isso é gostar de futebol e sem dúvida de Portugal.

Sunday, January 18, 2004

Old Trafford 

Nos Oitavos de final da Liga dos Campeões Europeus, este ano, teremos a oportunidade de ver o FCPorto defrontar o Manchester United. Não é propriamente um jogo a feijões, nem um jogo de apresentação de príncipio de época para os Red Devils. O mais provável é uma goleada como os 4-0 da última vez que o FCP visitou Old Trafford.

E daí...talvez não. Apesar do golpe tremendo que é perder Derlei para estes dois jogos, parece-me que a equipa do FCP tem possibilidades de fazer algo que não fez nesse tal jogo de má memória. Jogar bom futebol. Com uma equipa serena em campo, com uma táctica bem montada, e tentando ganhar, seja qual for o onze titular.

E bom futebol é do que todos gostamos. Só que umas vezes ganha-se, outras perde-se. Na Liga dos Campeões, não há jogos fáceis, e o Man Utd é concerteza favorito de início. Que bonito que era um resultado nivelado e uma eliminatória renhida! Que lindo era se o Porto passasse às meias finais! Quantos pontos no ranking da Uefa Portugal não ganharia dessa forma? Seriam, sem dúvida, 5 anos de subida no ranking, o que permitiria que outras equpas fossem formando mentalidade ganhadora em palcos diversos, contra qualquer equipa. O nosso campeonato seria mais competitivo.

E começava-se a jogar futebol a sério. Mesmo o FCP, só com José Mourinho o começou a fazer. Os outros todos, mesmo os do Penta, partiam para os jogos sem calma, inferiorizados. tirando a vitória 3-2 em S. Siro, nada de mais foi conseguido. Quem não se lembra da última meia-final, em Camp Nou, 3-0 , com o Aloísio a defesa-esquerdo, com Stoichkov pela frente? Espero que desta vez não seja assim.

Ficha sobre o Clube aqui, imagens do estádio aqui, e aqui.
Foto a 360º aqui, e aqui.
História do clube aqui.

Saturday, January 17, 2004

Não se esqueçam 

Rádio Oxigénio 102.6 FM, Domingo a partir das 22h00, Gilles Peterson Worldwide...

Música para respirar.

Torres 

Tenho aqui à minha frente um livro de um Arquitecto notável, apesar de Arquitecto de regime. Ainda bem que já não os há.
Enfim, quando se fazem estádios para o estado, ou o Pavilhão de Portugal, não se será de regime?
Passando à frente, falo de Pardal Monteiro.

Os prédios de rendimento do Arqto Pardal Monteiro não são uma coisa feia em Lisboa. São algo que forma e estrutura a paisagem urbana da cidade, contribuindo activamente para as interacções das pessoas nelas, para além de servir para a formação de uma identidade fundida entre o indivíduo e o espaço urbano.

O que em qualquer outra cidade do nosso país o que seria uma torre - com mais de 10 andares é uma torre no Porto - é a cércea comum, muitas vezes em Lisboa.

O Arqtº Pardal Monteiro deu-nos o Ritz, entre tantas obras de relevo. É sem dúvida, uma torre interessante.
Mas a única que se consegue ver, de facto é o Sheraton, o resto é a miséria.

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