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Friday, April 30, 2004

Coimbra Capital da Cultura 

Acaba hoje a Coimbra Capital da Cultura. Acaba não, que para perpetuar a sua memória ficam uns ilustres dois milhões de euros de dívidas por saldar. A serem pagas em último termo pelo Estado, esse excelente pagador (pode pagar com atraso mas paga sempre). Mas também ficam as declarações ouvidas hoje do seu presidente, Abílio Hernandez, que justifica tamanho passivo com um inadequado modelo de gestão para os carentes tempos que correm. Não sei, mas estou em crer que viu recentemente, a pessoa em causa, o filme "A paixão de Cristo" pois que, como Pilatos, tenta despudoradamente lavar as mãos em público. Então só agora, depois do evento terminar e o mal estar feito, é que se lembra de vir criticar o dito modelo? E enquanto decorria o evento, quando se cuidou de disponibilzar os meios para contratar com artistas, pessoal e espaços que vieram abrilhantar a festa e prestigiar os seus responsáveis, onde é que ficaram todas essas reservas tão lúcidas e prontamente levantadas mal se viu caído o pano?

Fátima, Felgueiras, Rio de Janeiro 

Mais um capítulo neste folhetim (melhor diria novela) protagonizado pela senhora Fátima Felgueiras, edil da cidade homónima, teve hoje lugar. Foi por fim deduzida acusação contra a senhora (fala-se em 28 crimes e valores a rondar os 800 mil euros; que bem que se vive em Felgueiras!). Era esta a "porta de esperança" que Fátima Felgueiras estava à espera para poder agora "esclarecer toda a verdade". Engano seu, concerteza, pois o que devia querer dizer era: esclarecer todas as mentiras; as mentiras que estiveram na origem de todo este processo. Processo injusto, claro está. Seja como for, estamos de acordo em quanto aos esclarecimentos. Queremos que nos expliquem muito bem explicadinho toda a atitude da autarca de Felgueiras. Queremos perceber como é que vivendo nós num estado de direito, submetido ao primado da lei como garante da liberdade e igualdade de todos os cidadãos, e cuja aplicação incumbe à magistratura no âmbito de processos penais (neste caso), e que comportam em si, porque do erro não estão livres, os mais variados instrumentos processuais de defesa e que em última instância podem ir até ao recurso, como é que surge esta atitude da fuga, da fuga à justiça. Para que não começemos todos a subverter aquela máxima, nos últimos tempos tanto ouvida, de que ninguém é culpado até prova em contrário.

Wednesday, April 28, 2004

Portugal 2 Suécia 2 

Aí está, o empate da nossa seleção! Jogadores do Porto para quê?

Mas, que seleção é esta que consegue impôr um empate à traiçoeira equipa sueca? É uma seleção sem confiança, apática, desgarrada, nervosa, sem fio de jogo, que vive dos fogachos das suas estrelas, tão longe de jogar como equipa (e se Scolari visse mais jogos do Porto saberia como isso rende muitas vitórias). Uma equipa perturbada, desestabilizada. E uma desestabilização, digam o que disserem, vão por onde forem, que também vem de fora mas que só partiu de dentro. E mais não é, afinal, do que o resultado da política seguida por este treinador, um treinador que é um brigão, que já sabe tudo de futebol, que é campeão do mundo, que não está cá para fazer favores a ninguém, que pode, quer e manda, e ai de quem sonhe sequer em atravessar-se no seu caminho! Pois, senhor Scolari, só lhe digo que já só faltam 3 jogos (os do Euro 2004) para o podermos pôr na alheta. E não deixa saudades. (E já agora podia aproveitar e levar consigo o nosso presidente da Federação- sim esse, que perante o caso apito doutrado só conseguiu ver os problemas que podiam advir para a sua candidatura a não sei quê da FIFA- e iam os dois, muito amigos, beber uma àguas de côco para uma praia de areia branca no Nordeste brasileiro. Eu até pagava a primeira rodada).

O Sr. Halcon 

A Luiz Filipe Scolari deu-lhe agora para ser operador turístico. "Venham a Portugal, país do sol e mar, das gentes acolhedoras, onde há liberdade e segurança e encantos naturais sem fim que o surpreenderão a cada dia!". O problema é que nem neste papel me conseguiu convencer. Coisa idêntica havia já feito, ou faz, na sua rábula como treinador de futebol (e que outro treinador da seleção nacional de futebol estaria ausente do Porto - Corunha?; nenhum decente com certeza). E assim, para Scolari só me apetece usar as palavras de Miguel Sousa Tavares (cujas certeiras e acutilantes opiniões desportivas até levam F.M.A. a confundi-lo com Jorge Nuno Pinto da Costa!) e dar-lhe uma palmadinha nas costas, meter-lhe um cartucho de trouxas de ovos das Caldas debaixo do braço e dizer-lhe obrigado pela disponibilidade, obrigado por nos ter entretido com tanta graça nestes últimos meses, mas é de um treinador de futebol que precisamos, e como tal boa viagem. E não volte sempre, claro.


E o mais engraçado seria Portugal ganhar hoje à Suécia para que um qualquer papalvo viesse dizer que a seleção não precisa dos jogadores do Porto. Quando é o Porto que não precisa da seleção para nada.

Tuesday, April 27, 2004

Vejam como foge um espanhol 

Adaptação livre para o espanhol da frase "-Vejam como morre um italiano" que terá sido proferida por um dos italianos sequestrados no momento da sua execução. (E que a ser mesmo verdade justifica todo o meu arrepio e admiração).

Mais palavras a erradicar. (cont. da cont.) 

Faltando o assunto para outros posts, apertando o calor e digerindo sushi, aqui fica à escolha de Vossas Mercês, um 3 em 1:

- do género (muito em voga entre turistas italianos de todas as classes: "-Lisboa é muito do género de Roma");
- do tipo (também habitualmente aplicada usando só tipo: -Tipo isto que eu acabei de escrever) ;
- do estilo (definitivamente a pior, geralmente nunca vem só: " -Aquele jovem é muito do estilo moderno, tás a ver?)

(o tás a ver? ficará para uma próxima oportunidade)

Monday, April 26, 2004

Telemóveis 

Da operação apito dourado, e de entre todas as confusões, dúvidas e incertezas, retira-se o dado de uma investigação judicial feita com base em milhares de escutas telefónicas. Já no processo Casa Pia idêntico procedimento havia sucedido. E, para sermos mais rigorosos, não se tratam aqui de escutas de telefone, por que se entende telefone fixo, mas sim de telefones móveis (telemóveis). E elevados estes à condição de elemento principal das investigações judiciais assalta-me uma dúvida pertinente: como é que era possível vingar a investigação judicial em Portugal antes do advento do telemóvel?


25 de Abril 

Aos microfones da rádio ouço esta declaração de Vasco Gonçalves: "O dia 25 de Abril de 1974 foi o dia mais feliz da minha vida". Que raio de vida terá tido o homem para se sair com esta afirmação é no que fico a pensar. Mas uns minutos depois, raciocinando com mais frieza, ponho a hipótese de ser um (mais um) dos excessos em que estes festejos foram férteis.

Friday, April 23, 2004

Palavras a erradicar (cont.) 

"É assim..." - definitivamente a pior de todas.

1/2 dúzia de coisas. 

Volto ao teclado neste blog. Finalmente mas não ainda de forma regular. Para além do trabalho, há ainda uma mudança de casa para fazer, encaixotar, transportar (ainda que só sejam só 2 lanços de escadas a descer, 250 metros de caminho, e 4 pisos a subir), desencaixotar, arrumar, pensar em novas ordens de arrumação em função de novos espaços, no mínimo diferentes, etc, etc.


Entrementes, a tal 1/2 dúzia de coisas:

- links: tem havido algumas mexidas nos links à direita; actualização, é mais ou menos isso;

- a ler: o Público de hoje, secção Espaço Público, com 2 excelentes crónicas, uma de Miguel Pinto da Costa / Sousa Tavares (riscar o que não interessa) e outra do douto Professor Doutor Prado Coelho, esse grão-mestre da croniqueta, essa escola-viva da subtileza no discorrer de carácter transcendentalmente abstracto em Portugal. Neste brilhante artículo, podemos aprender que o apito se "trata de um figura de tipo metonímico", e que quando é dourado, é "fundamentalmente aqui que o lado "kitsch" vem ao de cima". Enfim, não percam mais tempo, vão até lá e leiam. Eu, guardei já com afoito as ditas páginas - o verão está à porta, e dá sempre jeito uma folha de jornal para acender as brasas de um bom churrasco;

- leitores: este blog está com leitores a mais, por vezes penso nisso, no voyeurismo, na privacidade, nos comentários. Geralmente, este pensamento é seguido de um esclarecedor "Que se foda!" (também poderia ter escrito aqui um "É a vida.", mas o engenheiro Guterres enjoa-me). Ainda os leitores, os que comentam anonimamente. É de facto um triste corolário ser descoberto, para aqueles que escondidos num falso nome dizem o que nunca tiveram coragem para dizer ostentando o seu. Enfim, só não percebo porque não dizem a mesma coisa quando assinam o nome por baixo;

- palavras a erradicar:
- "fica bem"
- "'tá tudo!"
- "jovem", ou melhor, a interjeição "Oh jovem!" e ainda "a jovem";

- e porque hoje é hoje (expressão quasi-prado-coelhiana) deixo-te esta, que bem sabes de onde foi tirada....


Lisboa, Março de 2004

- esta última coisa, é, isso mesmo, private. Bom fim de semana.

Thursday, April 22, 2004

GNR-BT 

Hoje pela manhã, na auto-estrada que liga o Porto a Amarante, a A4, aconteceram 2 acidentes graves que fizeram 3 vítimas mortais. Já a operação Páscoa levada a cabo pela GNR-BT tinha conseguido bater o triste recorde de acidentes e vítimas em relação ao ano transacto. Faz amanhã uma semana em que uma operação stop me multou em 250 euros. Motivo? Falta de inspecção ao carro. Que é obrigatória a partir do segundo ano de matrícula, porque o carro é um comercial de mercadorias. É culpa minha, que desconhecia esta exigência legal (se bem que a devia repartir com o concessionário que me vendeu o carro e que nada a este respeito me disse, mas adiante). O objectivo da lei percebe-se: é uma exigência que se faz a carros que se usam quase sempre em trabalho e que, como tal, estão sujeitos a um maior desgaste. Com a obrigatoriedade da inspecção consegue-se, através da reprovação, retirar de circulação todos aqueles que não cumprem os requisitos mínimos de segurança. Segurança para eles próprios mas também para os outros. Ora, o carro em causa tem dois anos e 4 meses, tem menos de 20000 Km e as inspecções feitas na marca; ou seja, está em perfeitas condições. Se pensarmos que um carro destes tem uma esperança de vida de 15 a 20 anos, e que a inspeção é anual, conseguimos compreender bem a utilidade de que se poderá revestir esta exigência a partir de determinada idade da viatura. Pelo mesmo raciocínio, e pelos dados que do carro dei, também não haverá dúvidas em concluir pela injustiça da minha multa. Não obstante, a multa foi passada. 250 euros. Sem espinhas. E assim, as minhas economias irão servir, com certeza, para que no balanço da contabilidade deste ano as receitas apresentem um aumento face ao ano anterior (o que quererá dizer que todos cumpriram os seus objectivos e haverá prémios a distribuir). O facto de o número de vítimas também ter aumentado perderá então importância.

Porto 0 Corunha 0 

Do rescaldo do jogo do Porto com o Corunha ressalta que (para além da óbvia conclusão que a operação apito dourado escolheu os organismos errados; sim, devia ter começado pela UEFA) está tudo em aberto para a segunda mão. É certo que não foi um grande jogo de futebol, não foi sequer um bom jogo de futebol, pronto, foi um mau jogo de futebol, com o Porto bem longe daquelas lições de coragem que em tantas outras noites europeias soube oferecer. Mas para tal contribuiu um Porto que pareceu cansado (o que não espanta), desinspirado (e estas duas características não poderão ser vistas separadamente, não há inspiração que resista ao cansaço), e um bocadinho nervoso (meias finais são meias finais...), a par de um Corunha que veio jogar para empatar (e que pena que não se tenha verificado aquela máxima de que quem joga para o empate acaba por perder), e, sobretudo, um senhor árbitro, que responde pelo nome de Markus Merk, que veio ao Dragão para afinar pelo diapasão do anti-jogo do Corunha, ou mesmo até incentivá-lo. Ainda assim, acredito que este seja um resultado menos mau para o Porto, pois basta-nos o empate com golos, ou uma vitória seja por que números for, para que cheguemos à final da Liga dos Campeões. E até o facto de Corunha levar agora certa vantagem na eliminatória pode ser benéfico para nós. Basta que nos lembremos que todos as grandes exibições e resultados épicos obtidos pelo Corunha no Riazor (a vitória sobre o Milão; a reviravolta contra o PSG) foram-no numa altura em que a eliminatória estava dada como perdida e a equipa do Corunha pôde jogar com aquela fúria espanhola de quem não receia perder, porque perdido por um perdido por mil. E o mais provável é agora o Corunha encarar o jogo com algumas cautelas. Já o Porto poderá fazer um pouco uso dessa filosofia Kamikaze. Uma derrota na Corunha será um resultado perfeitamente normal, numa eliminatória que começou a ser perdida no Dragão. Logo, poderá o Porto jogar sem medo de perder, correndo riscos, ambicionando ganhar. E se a isto juntar-mos a motivação extra de quem está ferido com as injustiças da patética arbitragem do alemão Markus Merk, e uma equipa que se poderá apresentar com outra frescura física, caso possa descansar na partida da super liga imediatamente antes (e para isso é preciso vencer já na próxima jornada o Alverca, e assim tornarmo-nos bi-campeões nacionais), acho que podemos encarar com optimismo o jogo no Riazor.

Wednesday, April 21, 2004

Algumas considerações sobre a operação apito dourado 

Não concordo com Gilberto Madail quando este diz que esta investigação do Ministério público é má para o futebol português. Mesmo estando a pouco mais de dois meses do início do campeonato da europa de futebol, e mesmo até que estivessemos com ele já a decorrer, esta acção só pode ser vista como boa e deve ser louvada. E por duas razões: primeiro porque se existem situações ilícitas nos campeonatos nacionais, se estas ficarem provadas, nomeadamente a nível da arbitragem, urge acabar com elas para bem da verdade desportiva (é um cliché bem o sei, mas é verdade) e a bem do futebol português, e o melhor momento para o fazer será sempre o momento imediato, calhe este onde calhar; segundo porque não considero que faça esta investigação judicial qualquer mossa na organização do Euro 2004 ou nas seleções que cá se deslocam para nele participar. O europeu de futebol é um evento superintendido pela UEFA, acima de Portugal, e as seleções qualificadas vêm cá para jogar futebol, e não para fazer parte dos corpos sociais da Liga dos Clubes ou para fazer qualquer curso de arbitragem, nem será da Comissão Portuguesa de arbitragem que sairão os árbitros que irão apitar os seus jogos. Além disso, e por agora, os envolvidos não passam de árbitros de 3ª categoria e as implicações dos seus actos acontecem ao nível de um escalão secundário. E mais, estou mesmo convencido que casos similares (com maior ou menor extensão) existirão também nos campeonatos de futebol dos países que ao nosso farão deslocar as suas seleções representativas. E, vendo as coisas pela positiva, se calhar não tiveram foi ainda a coragem, ou a arte, para desmascarar tais situações. Como nós o vamos agora fazer. Ou pelo menos tentar. (vejo que estas minhas últimas afirmações suscitaram sorrisos; não os censuro, não os censuro...)


Todos aqueles que até agora fizeram uso do "vocês sabem do que é que eu estou a falar", da "escandaleira", do "o futebol está podre", das cumplicidades que "passam de pai para filho" e que atribuiram as culpas ao "sistema" para justificar os seus fracassos, têm agora uma oportunidade para virem, em sede própria (como tanto gostam de dizer), denunciar e provar aquilo que têm afirmado por meias palavras. Caso contrário calam-se para sempre.


O nome operação apito dourado é formidável. Encerra nele toda a essência do burlesco-popular lusitano (o mesmo que Rafael Bordalo Pinheiro tão bem soube captar no seu zé povinho). E nisto levamos a palma aos italianos, que para idêntica operação não conseguiram arranjar melhor que o asséptico nome de operação mãos limpas.

À margem de tudo isto disputa-se hoje a primeira meia final da Liga dos Campeões entre o Porto eo Corunha. Isto, definitivamente, é que é bom para o futebol português.

Tuesday, April 20, 2004

O meu reino por um prato de lentilhas 


©DN- Leonardo Negrão

O que fazemos para chegar a um pedaço de céu. 


Direito de resposta 

Decidiu-se um leitor deste blog, e em seguimento deste meu post, a entabular diálogo comigo. Esse diálogo, pode o leitor que não o seguiu, encontrá-lo nos comentários ao mesmo. Penso que valerá mesmo a pena de lá ir, para que desse modo perceba melhor a razão de ser deste post. Post que surge, digamos assim, como um comentário alargado.
O leitor em causa assina com o nome OMEGA (enfim...), e é um frequentador assíduo do Blog-sem-nome, a avaliar pelos comentários que vai deixando. Os quais, nas vezes em que não cai na tentação da facécia estéril, e que não são tão poucas como isso, até são interessantes. Como é o caso dos agora em causa, e que, se nos abstrairmos de alguma da sua confusão (vicissitudes do formato do comment, por certo), até são edificantes. Mesmo contendo erros. Porque o erro corrige-se, o disparate é que já não.
Mas nos seus comentários, e a dada altura, o leitor OMEGA exorta-me a corrigir o meu post, tal é, e são palavras suas, a quantidade de erros em texto de tão pequena dimensão. Mesmo dando de barato que tanta valentia se deverá à cobertura do anonimato ainda assim reconheço valor à frontalidade demonstrada. Porém, não reconheço é correção nos argumentos utilizados. E isto leva-me à utilização ao direito de resposta, do mesmo modo que achar interessante o assunto me leva a querer partilhá-lo com o leitor deste blog, elevando o comentário a post.
Termino esta introdução escrevendo que ofereço ao nosso leitor OMEGA a possibilidade de se bater com iguais armas, isto é, ofereço-lhe a possibilidade de publicar o post de resposta aqui no B-S-N. Bastando para tal que a envie para o nosso e-mail (que aparece no canto superior da página) e que o assine, deixando assim cair o anonimato. Porque quem escreve nesta página tem nome e rosto.
E agora vamos à resposta.

Caro Omega,
de uma vez por todas, entendamo-nos: o fracasso da CED (Comunidade Europeia de Defesa; cuja criação foi proposta pela França em 1950, a mesma que em 1954 a deixou cair; não sei onde é que foi desencantar a data de 1952) o fracasso da CED, dizia eu, provou à saciedade que querer uma unidade política e militar para a Europa era ainda uma utopia. E que curiosa é esta frase que ainda nos nossos dias faz sentido. Sendo assim, o caminho que se optou por trilhar foi rumo a uma integração económica europeia. E esta frase é já muito mais do que curiosa: é a chave da história da união europeia que se começou a escrever com o fim da 2ª Grande Guerra. Exactamente com o Plano Marshall, onde os EUA, ao contrário do que fizeram na 1ª G.G., não optaram pelo afastamento e assumiram a responsabilidade ,como primeira potência mundial, de ajudar a Europa.( Dava-se assim também inicio ao que ficou conhecido como "Guerra fria"). Também com o aval dos EUA se criou, em 1948 a OECE (Organização para a Cooperação Económica Europeia). Estava lançado um processo de unificação económica que foi passando por sucessivas criações: desde o Benelux, a CECA (a nossa amiga CECA...), a CEE, a CE, até à UE como hoje a conhecemos. Todos elas sem excepção, e incluindo a CECA (ao contrário do que diz; e recordo-lhe o que disse: "a CECA não tem qualquer cariz económico") são organizações de matriz essencialmente económica. E repare que eu disse essencialmente, porque desde o Acto Único Europeu que a CEE se encontra positivamente dotada de um estatuto jurídico para a cooperação política europeia, que tem ganho corpo ao longo dos anos, como por exemplo estas duas medidas que resultaram do Tratado de Maastricht: a substituição da regra da unânimidade nas votações das decisões de certas matérias menos importantes; e, mais importante, a adopção de uma política externa comum (cujos contornos, infelizmente, são ainda um bocado dificeis de definir). O que mostra bem uma maior propensão para uma integração também política. Ao contrário, a integração militar está ainda longe do desejável, como esta 2ª Guerra do Iraque se tem fartado de demonstrar, e os consensos parecem ainda demasiado longe. Pese embora haver o objectivo de manutenção da paz, este está completamente entregue à NATO.
Mesmo se pensarmos nas grandes medidas tomadas ao longo do tempo, criação da Moeda Única à cabeça, mas também a criação do BCE (Banco Central Europeu), do Tribunal de Contas, do FSE (Fundo Social Europeu), o estabelecimento de uma PAC (Política Agrícola Comum), entre outros, mostram a propensão quase que exclusivamente económica desta UE. E até o Acordo de Schengen, que revistirá caractér particular por ter um âmbito mais alargado do que as fronteiras da UE, tem por detrás inegáveis factores, e consequências, económicas.
Por isto, por tudo isto, lhe volto a frisar que o vector fulcral de toda a integração europeia é o factor económico. E não há como negá-lo. Provavelmente, e esperemos que já num futuro próximo, outras realidades se darão a conhecer à Europa (e este alargamento pode ser um bom indício), mas no presente são as matérias económicas que mantêm a UE de pé, e, não obstante as suas teses revisionistas em contrário, foram elas que nos trouxeram até aqui.
O meu post está muito bem como está.
Ficarei agora a aguardar novas suas,
atentamente,
Gonçalo Pinheiro Torres


Monday, April 19, 2004

Aproximei-me e perguntei-lhe se me podia dar agora boleia, pois estava apeado e com horas para cumprir.

Ela sorriu e disse que não podia ir já embora e de expressão contristada pediu desculpa por não me poder ajudar.

Não faz mal, disse eu de olhos a brilhar, quem sabe não me poderás ajudar noutra altura!? E sorrimos cumplicemente.

Esta história é toda verdadeira menos a minha tirada final (na altura só me saiu um desenxabido e mastigado deixa lá). Dela só me lembrei hoje de manhã. Raios!

Beira Mar 0 Porto 0 

Depois do empatezinho de ontem (mais um, Porto?) confesso que não consegui deixar de sentir algum desalento. Mas, bem vistas as coisas, e agora à distancia necessária para que elas sejam bem vistas, realizo que ficam a faltar apenas 3 pontinhos (uma vitória) para que o Porto se sagre campeão nacional. Do mesmo modo concluo que fico mais perto de voltar a comprar um livro de José Mourinho (onde o que falta da época se irá pronunciar sobre o número final de capítulos).
Isto só é mentira porque eu não comprei o livro que José Mourinho lançou no final da época passada, nem tão pouco o li. O que não quer dizer que não o(s) possa ainda comprar e ler, nem que seja na casa de banho. E nisto não queiram ver qualquer desprimor ou desconsideração; ou não foi Gabriel Garcia Marquez quem leu na íntegra o Dom Quixote de La Mancha de Cervantes em tão intimo espaço (em preparos que só o próprio saberá narrar...)?

Boavista - Sporting. 

Não há comentários possíveis a bruno paixão e à arbitragem feita no Bessa. Paixão tenta ser simultaneamente árbitro e palhaço de circo, obtendo apenas sucesso nesta última carreira.
Mas eis que subitamente encontro num jornal de referência esta pérola, elucidativa da personagem em questão:

Atentado ao pudor em Coimbra

Episódio singular envolvendo Bruno Paixão teve lugar a 17 de Fevereiro de 2001, após o embate entre a Académica e o Imortal. Duas mulheres-polícia da PSP de Coimbra acusaram-no de atentado ao pudor.

O árbitro setubalense garantiu que nada se passou, mas a versão da autoridade avançou no sentido de terem existido "bocas" e até um "convite" para que as agentes entrassem no balneário, onde Bruno Paixão teria exibido, ostensivamente e por diversas vezes, os órgãos genitais.


Pois, parece-me que não há mesmo mais nada a dizer.

Sul. Há três semanas atrás. Caraíbas? Para quê? 


Friday, April 16, 2004

Estoril Open 

Fantástico! Fantático o jogo de ténis ontem no Estoril Open entre os jovens Rafael Nadal e Richard Gasquet. Ambos de 17 anos de idade! E só dois jogadores de 17 anos podiam proporcionar um espectáculo daqueles. Entrar num jogo de um torneio a eliminar e jogar com aquela despreocupação, aquela alegria, aquela ambição só mesmo a irreverência e alguma ingenuidade de quem tem 17 anos e dá agora os primeiros passos no circuito de ténis sénior profissional.
E por isto o jogo foi vivo, alegre, disputadíssimo, como os dois jogadores a jogarem ao ataque, cheios de garra, energia, prontos a arriscar, sem medo de errar, a cometer erros, mas também a proporcionar pontos belíssimos com trocas de bola prolongadas ou chegando a bolas impossíveis. Qualquer um deles estava em campo decidido a ganhar o jogo desde o primeiro ponto. E o resultado só podia ser um jogo espectacular.
Ganhou o jovem espanhol Rafael Nadal, a quem já chamam prodígio (recorde-se só a sua vitória-sensação sobre Roger Federer, nº1 do mundo que tinha acabado de "limpar" o torneio de Indian Wells, e que caiu ao seus pés por 6-3 6-3 logo na primeira ronda do torneio Cayo Viscaíno) e que tem uma direita que só sabe atacar! Mas também impressionou o à vontade de Gasquet, disputando todos os pontos como se fossem o primeiro, sempre de rosto impávido, como se já fosse um veterano destas coisas.
O futuro do ténis seguirá com atenção estes dois nomes.

Só para confirmar a foto de TMM. 

Eu estava, de facto, a fotografar o magnífico sunset.
Ei-lo:


Portugal, Abril de 2004


Um mês 

Falta um mês para que seja divulgada a convocatória dos 23 jogadores que representarão a seleção nacional no Euro 2004. É a má-fé de Luiz Filipe Scolari que torna notícia este facto.

Thursday, April 15, 2004

Nascer-do-sol. Sul. Não tão sul assim. 


Ironias 

Curiosa ironia (macabra ironia!) esta de um dos japoneses sequestrados ser um activista anti-guerra!

Nunca 

Em 1945, Jean Monnet, sonhou uma europa unida e deu à estampa um livro que conheceu grande repercussão: "Os Estados Unidos da Europa começaram?". Entrava em marcha um processo de unificação dos povos europeus. Este começa por ser económico, com a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) e a CEEA (Comunidade Europeia da Energia Atómica) cujo fracasso é corajosamente substituido pela CEE (Comunidade Económica Europeia) instituída pela Tratado de Roma (1957) pela mão dos países do Benelux mais a França, a Itália e a Alemanha. Depois disto, e até 1986, não conhece a unificação europeia grandes avanços, mas nesse ano o Acto Único Europeu introduz o conceito de mercado interno com a liberdade de circulação para pessoas, mercadorias e capitais. Alguns anos depois, é novamente um francófono, Jaques Delors, quem vai inspirar nova evolução europeia que se irá dar com o Tratado de Maastricht (1992) que cria a União Europeia. Dela fazem parte, e num momento inicial, 13 países (entre eles Portugal). Finalmente, o Tratado de Nice (2001), dando continuidade ao processo iniciado em Amesterdão, visou criar as condições para a integração de 13 novos países (que serão 14 quando houver visão e coragem para integrar a Turquia) para perfazer uma União com um total de 27 países.

É a esta europa em crescente união que Osama Bin Laden, e toda a política de terror por ele representada, vem propor paz a alguns dos seus membros mantendo a guerra com os outros. A resposta, que deverá vir de todos, só pode ser uma: não aceitamos!

(F.M.A.) tirando fotos ao pôr-do-sol. Sul. 


Wednesday, April 14, 2004

Quem te mandou a ti, Zapatero, tocar rabecão? 

Zapatero mostrou aos terroristas que estes tinham força para levar as suas pretensões avante quando perante o atentado terrorista recuou e decidiu retirar as forças espanholas do Iraque. Com zapatero, os fundamentalistas islâmicos perceberam que estavam perante "terreno mole", onde lhes seria fácil impôr as suas pretensões (por mais insensatas que estas fossem). Vai daí toca a fazer novas exigências que, a coberto de novas ameaças, deverão ser novamente acatadas. Agora pedem a retirada das tropas espanholas do Afeganistão, o terreno de guerra onde os EUA exerceram o direito de legítima defesa contra o regime taliban, de acordo com o 51º da Carta das Nações Unidas e com o apoio das próprias Nações Unidas e países dela integrantes. Quem cede uma vez cede duas. Como vais sair desta, Zapatero?

Canta-autores 

A expressão é usada para designar os já chamados cançonetistas de Abril, agora lembrados pelos 30 anos passados sobre a revolução, por serem ao mesmo tempo compositores e intérpretes das suas músicas. E foram tantas as as vezes que ouvi a expressão que, dado o desconhecimento, me decidi procurá-la no dicionário. Para tal socorri-me de vários dicionários de língua portuguesa (Academia de Ciências de Lisboa; Sociedade de Língua Portuguesa; Porto Editora). Mas em nenhum deles encontrei a dita expressão. Donde concluo que a expressão não existia.
Aos denominados cantores da revolução não lhes chegava terem-se apropriado do mês de Abril (cantores de Abril), para agora receberem também esta novíssima designação de canta-autores (cantautores?). Que fiquem com ela à vontade. Pois é de um mau gosto atroz.

Tuesday, April 13, 2004

Filmes de Páscoa 

Cumprida a preceito mais uma Páscoa. Não houve de faltar nenhum dos clássicos da quadra: a reunião familiar, as almoçardas, as amendoas, o pão de ló, o vinho do Porto, os ovos de chocolate e os serões passados em passeatas pelos jardins, que a isso convidavam os dias soalheiros, a conversar e, claro, a ver épicos cinematográficos aos bocados. "Os dez mandamentos", "Ben Hur", "Moisés", e mais uns tantos são incontornavelmente corpo presente em todas as páscoas. Impossível é nunca os ter visto. Mesmo que sem grande atenção ou incompletos. Mas ainda assim o suficiente para se ter bem presente cenas como a corrida de quadrigas de "Ben Hur", a separação das àguas do Mar Vermelho em "Moisés", ou uma (mais uma) crucificação de Cristo. Não há verdadeira Páscoa sem eles.

Mas destes filmes de Páscoa destaco dois. Um é o "Ben Hur", que uma boa refeição e uma maior dose de paciência me fizeram ver, pela primeira vez, do princípio ao fim.( A taça de amendoas de chocolate ao alcance da mão também foi uma boa ajuda...). Um filme tão galardoado tinha de merecer a pena. E mereceu. Quanto mais não fosse para apagar aquela imagem decrépita com que fiquei de Charlton Heston depois de o ver em Bowling for Columbine. Mas a pena valeu mesmo foi quando percebi que o filme me poupou a quase 70 minutos de sofrimento a que estaria sujeito se tivesse visto todo o Porto-Maritimo. Assim, pouco padeci até que o golo de Ricardo Carvalho (verdadeiro milagre pascal!) apareceu para me tornar ainda melhor cristão!
O outro filme que destaco vi-o no cinema. A "Paixão de Cristo" de Mel Gibson. Já dele aqui falei, em pouco afortunado post que não teve a melhor compreensão, merecendo mesmo o remoque do meu colega de blog TMM (ver comentários ao post). [Nós aqui somos para o blog o que os sócios são para uma sociedade: os seus melhores fiscais!].Pois o meu propósito era tão só mostrar que colocava o filme muito acima de qualquer querela que este pudesse suscitar (ver no filme um manifesto anti-semita?!? ver no filme excessos de violência ?!?pffff!) porque para mim este filme tem os mais belos momentos de cinema que vi na minha vida. E que ficasse o conselho de ver o filme onde ele merece ser visto: no cinema.

Pois Caro LAC, 

Acredito que tenha sido pela pressa que não pudeste provar do fantástico eco que tal Igreja proporciona aos fiéis, que desta forma se podem entreter num exercício de decifração dos sons auscultados enquanto se distraem com a vista proporcionada pela comprida janela à cota das suas cabeças sentadas em duras e desconfortáveis cadeiras. Nesse aspecto, concordo, a tal Igreja é lúdica. E vale a pena fazer um qualquer ruído durante um silêncio, apenas para comprovar.
Poderás sempre invocar que o eco faz parte das Igrejas - nem mais. Faz parte das grandes catedrais góticas, um pouco também das barrocas. Mas, é normal. Na época da sua construção não havia nem grandes mecanismos de controle do som, nem grande preocupação. Basta atentarmos que os poucos que compreenderiam uma missa, rezada em latim e de costas para os fiéis, seriam o Clero e a Nobreza, que justamente se sentavam nos lugares mais próximos do altar. A restante audiência (o povo), sentada ao longo da nave principal, apenas escutava um incompreensível eco, que tanto poderia vir da boca do prelado, como das trevas.

Referendo: uma boa ideia. 

Ao ser verdade, eis uma óptima notícia: os cidadãos a decidirem sobre as suas cidades. Que o referendo avance e sirva de exemplo para tantas outras decidões que interferem na vida dos cidadãos. Fico à espera.

Monday, April 12, 2004

Partida para o Sul - 6h45 


Thursday, April 08, 2004

Páscoa. 

Regresso de passagem ao blog, mas breve e sucinto. Esta foi uma semana diferente, assistindo a formações de importância e interesse que não me apetece comentar. Comprei 2 livros, tinha que ler alguma coisa para superar o tédio, e como tinha palitos a segurar as pálpebras corria o risco de as furar casos estas descessem sobre meus olhos, podendo depois vir a ser conhecido entre a vizinhança pelo Camões, o que só me agradaria no que à poesia diz respeito. Enfim, coisas da vida - já pareço aquele negligente que até chegou a primeiro-ministro de Portugal.

A vidinha segue o seu trânsito normal, animada aqui e ali por estrelas que brilham forte no celestial firmamento. Tinha uns posts rabiscados em papéis que me esqueci algures, talvez os encontre mais tarde já desactualizados.

Entretanto, eu sei que já postei esta foto uma vez, mas aqui fica (para a invejazinha) a notícia de que dentro de horas sigo para este paraíso:


XXXXXXX, Novembro de 2002

Que estes dias sejam o que são sempre lá, uma visita ao paraíso na Terra. Agora tenho que voltar para a formação. Viva o tédio, viva o tédio!

Wednesday, April 07, 2004

A paixão de Cristo 

Eis um filme que ultrapassa as comezinhas divisões do gostei/ não gostei. É mais importante do que isso, é um filme espantoso, que fica e marca a história do cinema. Classificar um filme como imperdível nunca foi tão acertado.

As constatações do PS 

A propósito dos dois anos de governação falou o líder do PS, Ferro Rodrigues, "o PS limita-se a constatar, o PS não exige nada, limita-se a constatar,(...)". É um discurso que não causa qualquer tipo de estranheza, já é habitual, e é até passível de ser complementado em exercício de adivinhação pouco arriscado. O PS limita-se a constatar, o PS não faz qualquer crítica, positiva ou negativa, o PS não apresenta qualquer ideia ou solução concreta, o PS está longe de ter um programa para o país, o PS limita-se a constatar. O PS está desunido, no PS ninguém reconhece um líder, este PS não é um partido, é um conjunto de pessoas, o PS não faz oposição, limita-se a esperar que o governo caia por si, coisa que o PS se prontificará a constatar. Este PS não é alternativa de governo. Fica constatado.

Tuesday, April 06, 2004

Somos todos espanhois 

Foi com muita apreensão que ouvi a notícia da ameaça da al-qaeda em carta publicada nas páginas do diário "EL país". "Muito sangue irá ser jorrado". Não é brincadeira nenhuma (mesmo que seja essa a, parva, intenção dos seus autores). Do que são estes terroristas capazes, e até onde estão dispostos a ir, ficou anteontem bem demonstrado quando se fizeram explodir. Em nome de Alá, disseram. E explodiram, morreram, mataram-se, puseram fim à vida, ofereceram-se em sacrifício ao seu deus, o deus que os alumia nesta luta contra "o grande satã", contra o inimigo, contra nós. Sim nós, todos nós, espanhois, portugueses americanos, franceses, alemães, suíços, belgas, ingleses, ..., rigorosamente todos nós, porque não queiram enganar-se acreditando que os terroristas nos distinguem. Somos todos os mesmos. Matar 100 americanos num atentado a um edifício, matar 100 espanhois num atentado a um comboio ou matar 100 portugueses num...nem quero sequer tentar adivinhar... é-lhes rigorosamente igual! Sem mais. Aliás, se calhar até há uma diferença, que nem queria dizê-la: fazê-lo em Portugal seria mais fácil.
De uma vez por todas era bom que se acabasse com essa coisinha tão nossa que é a auto comiseração, e que tanto partido dela gostamos de tirar. Somos pequeninos, estamos aqui no cantinho, até somos confundidos com a Espanha (e isto, neste momento, nem descansa nada). Não fazemos mal a ninguém, as nossas poucas missões militares são mais para assegurar a paz do que fazer a guerra, deixámos boa imagem nas ex-colónias (fomos dos poucos...) e gostamos realmente é de cerveja, praia e bola. E depois temos um país castiço onde há sol e vinho do Porto...
Esqueçam isso. EUA, Inglaterra e Espanha mantêm presentemente um conflito armado contra incertos. E os EUA, a Inglaterra e a Espanha são o Ocidente. E o Ocidente somos todos nós.

Monday, April 05, 2004

O homem duplicado 

Das leituras da imprensa do fim de semana ressalta que serei eu o único português que ainda não escreveu sobre o novo livro de Saramago, mas a situação resolve-se já.
De facto, editoriais, artigos de opinião, crónicas, entrevistas ou meras notícias sobre o livro, sobre a mensagem que pretende transmitir, sucederam-se esta semana em catadupa, vindos de tudo quanto era lado. O próprio autor desmultiplicou-se em aparições públicas, num corre corre que nem lhe é habitual, escondido que costuma estar lá para o sítio dos cadernos.
Portugal inteiro falava, discutia, o "Ensaio sobre a lucidez".
Do vazio ou da irracionalidade dos argumentos de Saramago não me vou ocupar eu, que outros já o fizeram melhor do que eu o faria. Mas uma coisa me quer parecer certa: tudo não foi mais do que uma gigantesca operação de marketing para promoção do livro. Aliás, os 100 000 livros da primeira edição, coisa rara e ousada para o mercado português, também para aí apontam. Ora, isto é, e bem vistas as coisas, uma evidente cedência de Saramago às leis do mercado, à tirania do lucro, à crueldade das tabelas de venda, enfim, ao capitalismo, que é emanado por essa "democracia burguesa" que o autor procura (?) combater. Incongruência? Ou Saramago personagem dele próprio?

Memorável. 

Zero 7, ontem à noite, Coliseu dos Recreios, únicamente únicos.
Ainda com o som nos ouvidos, por enquanto sem as palavras para comentar.
Volto mais tarde.

Friday, April 02, 2004

Portugal - Sudoeste - Amado 


Carta de Atenas. 

Eis a ideia brilhante de Le Corbusier e dos seus apóstolos, uma cidade construída em altura com muito verde pelo meio. Infelizmente a ideia ainda estava demasiado fresca quando acabou a 2ª grande guerra, e ambas as Alemanhas lhe pegaram, cada uma à sua maneira, mas com igualmente nefastas consequências. Hoje ainda, em quase todas as cidades alemãs, são bem visíveis as zonas que foram reconstruídas seguindo a lógica da dita Carta. E basta passear um pouco por lá para que percebamos que nenhuma (so)ci(e)dade funciona assim. Nem funcionará.


Berlin, Agosto de 2002


Parece que vem aí o Sol (finalmente). 


Porto, Outubro de 2002


Thursday, April 01, 2004

Carta a Scolari 

Caro Luiz Filipe Scolari,

antes de mais, deixe-me fazer a sumaríssima apresentação que se impõe: o meu nome é Gonçalo, sou português, gosto muito de futebol e sou adepto e sócio do Futebol Clube do Porto. Sou, ainda, um incondicional apoiante da seleção nacional de futebol (o que aqui me traz, afinal) onde revejo o meu orgulho em ser português ao lado da minha paixão por futebol.

Lido este pequeno retrato verá que não sou, afinal, muito diferente da grande maioria dos portugueses (ser portista à parte). Alguns dos quais ainda ontem estiveram consigo em Braga, à chuva e ao frio, para o apoiarem a si e à nossa seleção. Apoio esse, que pouco lhe terá valido, pois a turma das quinas não conseguiu evitar uma (mais uma...) derrota. Mas, fique descansado, que não é do desaire de ontem que lhe venho falar. Desaire que até relativizo. Tratava-se de um mero jogo particular, que vale o que vale. E valerá até mais pela experiência do que pelo resultado.

Mas adiante, que com certeza o seu tempo é limitado e precioso. Pois bem, o que me vai por aqui trazendo são as suas opções para a seleção nacional, que vejo como cada vez mais definidas.

Olhando para as últimas convocatórias, e atendendo até às suas palavras, estará já encontrado o grupo de eleitos que o acompanhará ao Euro 2004. Assim sendo, e a não ser que aconteça algum excepcional caso de lesão, Vitor Baía, um dos melhores, e seguramente o mais experiente, guarda redes português, e Maniche, um dos mais dinâmicos e competitivos centro campistas a actuar em Portugal, não serão chamados.

Também dos últimos jogos de Portugal se pode começar a adivinhar o seu onze ideal. Ricardo na baliza, Paulo Ferreira no lado direito da defesa (vá lá que já descobriu que o Miguel não é um defesa direito; agora só falta descobrir que tão pouco é um bom médio direito), Rui Jorge na esquerda, Jorge Andrade e Fernando Couto no eixo. Ricardo Carvalho parece que irá percorrer longo caminho até à titularidade, à imagem daquele que percorreu até aos convocados (!). No meio campo Costinha é rei e senhor e terá cá atrás a companhia de Petit. À frente deles, com o número 10 nas costas e a responsabilidade de pautar todo o jogo ofensivo, estará Rui Costa, jogador da 3ª equipa do Milan (a 1ª jogou na quarta feira, na Liga dos Campeões, contra o Corunha com Rui Costa no banco; a 2ª jogou no domingo para a Liga italiana com o Chievo, com Rui Costa no banco; a 3ª há-de ter feito um qualquer jogo nas primeiras eliminatórias da taça de Itália). Deco, entrará para o seu lugar em caso de lesão ou fadiga. Na direita do ataque a referência é Figo. Na esquerda o veloz, e às vezes feliz, Simão. O matador Pauleta encabeçará o ataque, e será a ele que se pedirão golos.

Se lhe disser agora, Luiz Filipe Scolari, que do acima exposto retiro 4 situações com as quais não só não concordo como ainda as considero tremendamente injustas, tenho a certeza que não terá dificuldade em dizê-las, melhor, em nomeá-las comigo: Vitor Baia, Maniche, Deco e Ricardo Carvalho. E com a possibilidade de haver uma 5ª situação, caso se confirme a subida de forma de Sérgio Conceição (ainda tem tempo). É que se é um substituto para Figo que procura, não é no Miguel que o vai encontrar com certeza.

Isto dito, faço agora entrar em campo o meu amor à seleção.

Confio em si, Luiz Filipe Scolari. Confio nesta seleção, na seleção que apresenta, acredito nela, quero acreditar nela, e nas coisas boas que esta pode fazer no Europeu. E é a esta seleção que eu darei todo o meu apoio. Tudo porque interpretro à luz da razão, da sua razão, as opções que faz, e porque as faz. E porque estas não me escandalizam. Não concordo com elas é certo, e vejo nelas injustiça, mas aceito-as sem escândalo. O Ricardo é um excelente guarda redes. Mas o Baía também. E se vão 3 redes, porque não irem 2 excelentes? Como o faz a Espanha ou a Itália (que senta Toldo no banco), por exemplo. E o Jorge Andrade ainda há 2 anos fazia, e bem, o papel do Ricardo Carvalho no Porto; e o Fernando Couto é um experiente central, capitão de equipa e tudo. Mas o Ricardo Carvalho continua a ser o melhor central português. E no meio campo podemos até ter operários de sobeja, mas jogadores com o querer, a garra, a competitividade do Maniche são um luxo que nenhum treinador é capaz de recusar. E, vá lá, o Rui Costa ainda vai fazendo alguma boas aberturas de quando em vez (falta-lhe é aliar a isso uns quantos carrinhos por jogo, como o Deco faz, e que dão em recuperações de bola, a que o Deco alia a algumas boas aberturas).

Por isso, por tudo isto, declaro-lhe publicamente o meu apoio, o meu apoio à seleção nacional, na qual acredito. É uma excelente seleção e pode ir longe (não disse, de propósito, deve).

No entanto, e não há bela sem senão, não me vou esquecer nunca das opções que tomou ao formar esta seleção, e tomou ao arrepio do que eu, e mais boa gente, considera que teriam sido ainda melhores escolhas. E isto fará toda a diferença: se vencer o mérito será todo seu; se perder a culpa será toda sua.

Mtº attº e ddº , creia-me,

GPT

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