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Wednesday, March 31, 2004

E hoje: 

Atingimos as 10.000 visitas.
A quem nos lê, uma palavra: obrigado.

Fachadas no Porto em dia de sol. 


A RTP tem nova morada  

É um fait divers. Um saudosismo, se quiserem. Mas esta mudança de instalações da RTP consegue deixar-me nostálgico. Tudo porque consigo ver aqui muito mais do que uma simples mudança de endereço postal. Sim, consigo ver aqui uma mudança de hábitos ou costumes, uma alteração de mentalidade, seus valores e importâncias, uma mudança para um Portugal diferente. As mudanças, afinal, que o tempo, a sua acção, inexoravelmente sempre provoca.
A anterior morada da RTP, a Av. 5 de Outubro, fazia parte do imaginário português, todos a sabiam e continuarão a saber. Fartamo-nos de vê-la passar em rodapé, vezes e vezes sem conta, nos mais diversos programas de televisão. Era necessária para nos candidatar-mos a um concurso de televisão. Era necessária para assistirmos a esses mesmos concursos. Era necessária para enviarmos o cupão a cujo sorteio assistiamos em directo. Era até necessária para podermos enviar as, já entradas em desuso, reclamações (hoje, se não gostamos mudamos de canal). Sempre na esperança de sermos selecionados para o concurso, ganhar o prémio, mudar o que discordávamos (na altura ainda se acreditava que vontade e empenho podiam mudar as coisas...).
Ora, nos dias de hoje, e com a extensão à totalidade do território da rede fixa de telefone, com a rede móvel perto de atingir um telemóvel por pessoa, e com, sobretudo com, o aparecimento e afirmação da internet, a nova morada da RTP, Av. Marechal Gomes da Costa, perdeu toda e qualquer importância. Ninguém mais precisará de a saber. Ninguém mais a irá saber.

Tuesday, March 30, 2004

Portugal campeão europeu de rugby 

Estava a faltar este post. Sempre tão de perto aqui seguidas, as proezas da seleção sénior de rugby, deram nisto: tornaram-nos campeões europeus de rugby de 15 no grupo B! Bastava um empate em casa contra a Rússia para assegurar o ceptro. Mas a turma das quinas não quis fazer por menos e ganhou mesmo o jogo. Nos descontos, que é para ser mais dramático e empolgante. Gonçalo Malheiro, o nosso Maradona dos Clérigos, que marcou o pontapé de penalidade decisivo sobre o apito fianl do árbitro, terá de receber novo epíteto: o Johny Wilkinson português!

Deep Purple tocam na China 

São quatro, em quatro cidades diferentes, e são os primeiros concertos de música rock a ter lugar na China. Demonizada pelo anterior regime comunista, a música rock vai finalmente ouvir-se no país de Confúcio. E isto não é a excepção a coisa nenhuma, é antes um começo, um começo de um movimento que promete ser avassalador e sem caminho de retorno. Porque, doravante, concertos rock, heavy metal, tecnho, e tudo o mais que o leitor quiser, tocado por bandas americanas e europeias serão presença constante na China, nesta China de regime comunista cada vez mais mastigado pelo capitalismo, nesta China que professa de forma brutal e decepcionante uma colagem descarada ao Ocidente, e ao que este apresenta de pior: a cultura do consumismo. É uma das mais impressionantes características que me foi dado a ver no povo chinês (se para isso tem posses), a voragem pelo consumo. Comprar, comprar, comprar. É uma máxima que, com certeza, não vem no livrinho vermelho do Mao, mas parece, tal a religiosidade com que a isso os chineses se devotam. E se as compras puderem recair sobre marcas ocidentais melhor. O carro topo de gama é alemão. As sapatilhas americanas. E o restaurante de sucesso, sempre cheio, serve comida que está longe de demandar o manejo dos pauzinhos para a sua ingestão: o Mac Donald's.
No fundo, no fundo, a globalização é, também, isto. Mas sempre causa tristeza e desilusão perceber que um país com mais de mil milhões de habitantes e uma história milenar procura, no presente, ser tão igual a nós.
Na noite do concerto em Pequim, e quando soarem os primeiros acordes de guitarra eléctrica, os alicerces do mausoleu de Mao Tse Tung, visitado diariamente por milhares de silênciosos chineses, em plena praça Tianamen, irão tremer de uma forma como nunca tremeram até hoje. É bom que se vão habituando.

Saramago - Parte II 

Desde o seu Capital, Marx reflecte sobre a capacidade das massas em se organizar segundo o modelo socialista. A revolução teria de ser levada a cabo por elites com capacidade intelectual para perceber que o mundo tinha de mudar. Essa seria uma fase transitória, até as massas serem educadas a detestar a economia maldita de mercado, que os escraviza e leva à exploração do homem pelo homem. As elites foram sempre o objectivo dos comunistas, e Portugal é disso um exemplo muito claro. Das artes à ciência, o comunismo português procurou cativar, arregimentar homens e mulheres inteligentes ou superiores em qualquer aspecto que fosse. O

PCP nunca esteve do lado do povo. Por isso o povo nunca aderiu ao Partido. Neste partido de elites, nos anos 80, sabia-se de muitos que tinham cartão de militante. Com a queda do muro, alguns libertaram-se, outros como Saramago ficaram, ou melhor, exilaram-se nas Canárias (que fácil é fugir). Saramago viu ser-lhe cobrada a crítica a Fidel Castro, quando este encarcerou (por delito político de opinião) perseguiu, torturou e matou opositores em 2003. Este último livro, que folheei, é político, ditado, ou resultado de coacção. Estou convencido que o PCP o coagiu, depois da crítica a Castro. Ele teve de dar um sinal político de fé no Partido. Voto em branco, crítica à democracia.

Ouvi Soares hoje declarar que não é isso que está implícito, mas também ouvi Carvalhas afirmar que sim. Saramago desdobra-se em entrvistas e declarações propondo que 20% de votos em branco não o escandalizam.

Caro Sr Saramago:

Nós não queremos COMUNISMO. Nós não queremos FASCISMO. Nós queremos a democracia. Nem que isso signifique ter de ouvir a si e aos seus amigos anti-democráticos criticá-la e declarar a sua morte. Sr Saramago, o Sr não merece sequer este post. Mas aqui fica a promessa: há pessoas que vão estar sempre atentas. Não vão subestimar o Comunismo como decadente força que é, mas vão reflectir no que ele pode tornar-se se este sistema se deixar degradar. Combater o seu sistema e melhorar o nosso, é o desafio, pois enquanto que este tem potencial de mudança e reforma, o seu nunca o teve, nem nunca vai ter. O que o levou à lenta agonia e implosão com estrondo.

Saramago - Parte I 

Eu sei que o homem não merece um título de Post. Mas afinal de contas, trata-se de um Nobel Português. Saramago não é nome de cágado, é nome de cisne. No célebre bailado desse russo com nome polaco (Tschaikowsky), o cisme morre no último acto. JS é um símbolo do Comunismo e do intelectual comunista, no seu último estertor. O comunismo está em agonia, e tem de recorrer ao seu personagem sinistro de maior crédito (que não possa ser discutido, repare-se, o que é útil).

Para quem leu, com muita dedicação cinco livros dele, sinto-me à vontade para falar da sua escrita também. O único livro que realmente gostei foi aquela volta a Portugal, em que o homem abandona a sua postura literária elitista e altamente conceptual (sem vírgulas, sem parágrafos) e escreve normalmente sobre vilas e aldeias portuguesas. Uma forma de ver o país tão semelhante à minha, que fiquei quase enternecido. Os restantes livros são uma tentativa de ser considerado um escritor que faz história no estilo e no conceito por trás dos seus ensaios e romances. De facto, com a atribuição do Nobel, ele consegue-o. Glória aos vencedores, honra aos vencidos.

Não deixa de ser verdade, ainda assim (Nobel) que JS escreve de uma forma intragável. Pode-se aceitar, e faço-o sem pudor, que os livros são bons. Mas são como um bom peixe grelhado conceptualmente de 3 minutos em três minutos, 45º oblíquo em relação à grelha, com 23,345 gr de sal, 2,45 cascas de cebola, e os dois olhos virados para frente. A grelha tem de estar quente há precisamente 3,45 minutos. Peixe genial concerteza. Mas pelo conteúdo, não pela forma como foi grelhado. O peixe fresco é sempre bom, não precisa de se lhe tirar parágrafos e vírgulas para ser genial.

Dito isto, passemos ao Homem. Há tão pouco a dizer de um Comunista... Um comunista, entre 1917 e 1939 era um gajo idealista, apaixonado, poderoso e algo perigoso. Entre 1939 e 1945, para além de arrebatado e de ideais, foi uma espécie de traidor agente-duplo, sem o qual talvez não houvesse vitória na Europa. Entre 1945 e 1961 foi um traidor agente-duplo que através de arrufos, ameaças e um jogo estratégico, encostou o mundo normal ao terror e ao medo. Entre 1961 e 1989, foi talvez temido, imprevisível, perigoso, e lunático. Entre 1989 e o dia presente, o comunista que resta é um pobre coitado sem referências, galhardia ou sensatez, agarrando-se a mitos caídos em descrédito como um cego que não quer ver. É uma gente que vive numa realidade totalmente irreal, e que não hesita em recorrer a métodos anti-democráticos, subversivos e possivelmente viiolentos para alcançar os seus objectivos.

Não digo que sejam extremistas religiosos, mas para lá caminham a largos passos.

Monday, March 29, 2004

Mota Amaral 2 

Da entrevista à "Única" destaco:

"Pergunta- Tem no Parlamento um deputado que convida as pessoas para rezar no gabinete dele. Concorda?
Mota Amaral- Não tenho nada a opor. Fá-lo no exercício da sua liberdade, bem como os que o acompanham.
Nunca participou?
Não.
Costuma utilizar muito a máxima ""a César o que é de Céser e a Deus o que é de Deus"". O Parlamento não é a casa de Deus...
Não me choca. É no gabinete do deputado. Também não pergunto o que outros farão nos seus gabinetes. (...)"


O que se faz no recato da vida privada, seja-se figura pública ou não, à consciência de cada um diz respeito e no domínio do privado deve permanecer. A não ser que seja um crime. Respondeu muito bem Mota Amaral

Mota Amaral 

Não sei bem porquê mas confio neste homem.
Conheço mal o seu percurso político, mas com a leitura da entrevista que concedeu à revista "Única", do jornal "Expresso" deste fim de semana, confirmo a impressão que dele tenho: uma pessoa séria, ponderada e particularmente inodora.
Começa pela época de estudante universitário, em que a preocupação do estudante João Bosco Mota Amaral em estudar (afinal, a primeira preocupação de todo o estudante) o leva a manter-se afastado das encarniçadas lutas estudantis dos anos 60. Depois, o chamamento da política fá-lo juntar-se à União Nacional, cujo cariz ideológico fora moldado por Salazar, de onde posteriormente deriva, juntamente com Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota (futuros fundadores do PPD), para formar a Ala Liberal da União Nacional. Tudo de forma muito subtil, sem levantar ondas, sem estar na primeira linha, mas estando sempre lá. Com o 25 de Abril endurece posições, perante a ameaça de uma governação comunista e acena com a possibilidade da independência dos Açores, totalmente pró-americanos. Nisto ganha o poder nos Açores que só larga 20 anos depois sob o espectro de possível, e primeira, derrota. Vem para o Continente para deputado da Nação no PSD de Fernando Nogueira. Hoje ocupa o lugar de segunda figura do Estado português, como Presidente da Assembleia da República. Daqui a ser a primeira figura vai um salto. E perfil para isso tem Mota Amaral. Há é demasiada gente à sua frente.

No metro. 


Praha, Dezembro de 1999


Friday, March 26, 2004

Bilhetes para assistir ao Euro 

A Carlsberg está a oferecer 10 bilhetes por dia para o Euro 2004. O BPI arranja outros 10 aos utilizadores do seu cartão de crédito. A TMN tem também uma centenas para pôr os seus clientes mais perto do chuveiro dos jogadores. A Galp tem tantas promoções diferentes que nem consegui contabilizar o número exacto de bilhetes. A Canon tem uns concursos de fotografia em que os primeiros prémios são bilhetes duplos para o jogo de abertura. A Coca Cola é já um cliente habitual destas coisas. Ou seja, o raio das empresas ficaram com os bilhetes todos! Agora percebo porque é que não consegui eu arranjar nem um bilhetinho para amostra. E ainda me enganaram bem quando me submeterem a um miserável rateio cujas probabilidaes eram menores do que as que existem para se acertar no totoloto. Filhos da mãe!

Toni 

Ontem nem disse nada, era noite de tristeza e desilusão para as hostes encarnadas, mas também para muitos não benfiquistas. Mas de hoje não passa. É que já não é a primeira vez que sou confrontado, enquanto placidamente assisto a um jogo de futebol pela tv, com os urros do Toni. O Toni é convidado e pago (?) para comentar jogos de futebol e não para vir sofrer em directo. É benfiquista, todos o sabemos. É emotivo, não é pecado. Gosta de exteriorizar as emoções, é lá com ele. Não pode é ser convidado para comentar os jogos do seu benfica (que comente os dos outros clubes, que de futebol até sabe ele). Para que ninguém seja obrigado a gramar com as suas excitações. Que tão bem lhe poderão ficar se no estádio ou em casa. Mas nunca num directo de um canal de televisão. Para mais um canal pago.

SLB 

Mais uma noite a sofrer pelo SLB... até ao fim. Fiquei revoltado e muito desiludido. Perder um jogo assim é inglório, é imbecil, é estúpido, é ignóbil, é ..inexplicável!! Marcar aqueles três golaços e sofrer o tipo de golos que o Benfica sofreu, é i-na-cre-di-tá-vel.

Como é que é possível a exibição do lateral-direito Miguel?! Meu Deus, os golos e as jogadas de perigo foram TODOS, sem excepção pelo flanco esquerdo do ataque do Inter de Milão. A repetição do jogo na Sexta-feira (hoje) na SportTV, eventualmente permitirá rever esta minha impressão. Se virem resumos confirmem ou desmintam o que eu escrevo em seguida:

- Primeiro golo: confusão na direita da defesa do Benfica. Okan foge a Miguel, Moreira sai muito mal, golo. Acontece (?)
- Segundo golo: Recoba livre na esquerda, Miguel deixa-o receber e rematar. Recoba tem mérito (?)
- Terceiro golo: igual, Recoba na esquerda do Inter, Miguel deixa-o receber e passar para Martins bisar. Recoba tem mérito (?)
- Quarto e mais INCRIVEL golo: Recoba na direita do ataque do Inter coloca na esquerda em Vieri, que recebe de peito ao mesmo tempo qeu Miguel (!!??) escorrega e se estatela no relvado (!!!!???!!!). Vieri enche o pé. NÃO PODE SER!!!!

Se este jogador na selecção nos faz destas, os nossos adversários vão-nos chamar um mimo. Qual medo cénico qual carapuça! Quem tem Miguel na equipa adversária, tem um trunfo: é mandar para lá a bola. Invaravelmente ele falha. Infelizmente, ontem foi o Benfica. E amanhã, a selecção?

Thursday, March 25, 2004

Inter 4 Benfica 3 

Com este resultado de hoquei patins o benfica despede-se da UEFA. Imerecidamente. Aquele equívoco de inter na primeira parte merceia ter levado dois ou três golos para contar no balneário. Depois era gerir o resultado com calma e, muito importante, marcar Recoba! Foi pena.
Pedia-se um regresso do benfica às grandes noites europeias, e foi isso aconteceu. Marcar três em Milão, mesmo a um pálido inter, não é para todos.
Para o ano há mais.
No entretanto, vê-mo-nos no Jamor.

Silêncio no aeroporto 

Faz hoje pouco mais de uma semana que estava eu a secar no aeroporto Charles De Gaule em Paris. Perdera (é um clássico...) o voo de ligação. Passei lá practicamente uma manhã, e durante o tempo todo fui ouvindo, em 3 línguas diferentes, o anúncio: o governo francês decretou 3 minutos de silêncio em memória das vítimas dos ataques de 11 de março em Madrid a cumprir a partir das 12:00 horas. E às 12:00 em ponto aquele colossal aeroporto com a sua dezena de naves, quilómetros de corredores e milhares de utentes que produzem um inextinguível barulho de fundo, 24 horas sobre 24 horas, fez-se de pedra e calou-se por 3 minutos.
A sensação é irreproduzível.
3 minutos volvidos e os microfones anunciavam o fim do pesar. Lentamente o gigante aeroporto retomou a sua rotina. No entanto, e sem surpresa, durante largos minutos foi esse ruído de fundo bem menor.

Exercício absurdo 

Para hoje proponho o seguinte exercício de imaginação: imaginemos que acontece um novo atentado terrorista em linhas de metro espanholas. Mas agora quem vem reivindicar o atentado é um grupo extremista espanhol. Os motivos podem ser vários mas passam todos pelo ódio aos povos árabes, julgados como raça inferior que não deve percorrer os mesmos caminhos que eles, povo cristão ocidental, quanto mais neles se atravessar. (e pode até revelar-se mais prosaicamente, na irritação que causa o emigrante muçulmano da segunda geração que rouba o lugar na entrada da universidade ao filho...). Seja como for a retirada das tropas espanholas do Iraque aparece-lhes como um retrocesso, um falhanço, uma derrota, nesta afirmação do ocidente e do cristianismo como farois de razão e verdade no mundo. E se for avante novas represália deverão ser aguardadas.
Continuando o exercício imaginemos agora as diversas reacções que tal acto suscitaria: a do primeiro ministro espanhol passaria pela suspensão da retirada das forças armadas espanholas do território iraquiano. Havia que defender o povo espanhol. De Inglaterra, de Tony Blair, viria a condenação da maneira como a atitude foi tomada: não devemos ceder nunca às pretensões dos terroristas. Os dirigentes do PP espanhol, que subiam nas sondagens, abanavam a cabeça em sinal de concordância com o primeiro ministro britânico. Em Portugal, Mário Soares, levantaria novamente a bandeira do diálogo com os terroristas, mas Durão Barroso, fazendo eco do pensamento inglês e americano, recusaria terminantemente tal hipótese por não haver base sustentável de negociação, nenhum interesse ou motivação dos terroristas seria digno de ser negociável. Nem tão pouco seria esse o escopo deles, negociar, mas sim impôr ao mundo a visão deles. Sem mais. ...

Este é, realmente, um exercício que se deseja absurdo, para que nunca aconteça. Mas servirá ao menos para mostrar o que valem algumas posições diplomáticas de dirigentes mundiais no que ao terrorismo se refere. Pois que mais que os homens (e suas ideologias) que praticam os actos, hão-de considerar-se os actos de per si. Para que os meios nunca sejam justificados pelos fins.

Lyon 

Francamente, esta equipa do Lyon é uma equipa a sério. Um meio-campo muito esclarecido, táctico, certeiro no passe, excelente na antecipação e recuperação. Jogadores muito concentrados, quer na defesa, quer no ataque. Uma equipa que sofre dois golos (algo felizes) e que nunca perde a calma. Aos 80 minutos, trocava a bola com tranquilidade, explorando bem os flancos. Nunca bombeou para a entrada da área. Uma equipa com classe, um jogo muito táctico, com categoria.

Aliás, a estabilidade emocional é, para mim, e a este nível, a marca das grandes equipas. Estou certo que se o FCP estiver a perder em Lyon, daqui a 15 dias, a equipa se vai manter calma. E é muito possível que os primeiros quinze minutos sejam de ataque total pelo Lyon. Eles sabem que foi um mau resultado. E vão querer virá-lo. É precisa muita atenção, muita concentração e nível contínuo elevado. A este nível, um erro paga-se muito, muito caro.

Quanto à cidade, lembro-me de uma viagem com F.M.A., vindos de Berlin no seu Fiat Uno 1.1! AHAHAHAH! A chegada a Lyon fez-se pelo lado Poente, após uns 800 km, num dia de chuva, carregadíssimo cor de chumbo, por um túnel que passa por baixo da Fourviére. Procurámos por essa vez, algo banal tipo Formule 1, e fomos dar ao extremo nascente da cidade, passados uns 20 Km. De uns nórdicos soubemos de um Youth Hostel na zona antiga de La Fouvriére, subindo para os teatros romanos, e reservámos naquele instante por telefone o poiso merecido.

A chegada, depois de passada a Presqu'Ile, espécie de penínsuleta onde se juntam o Rhône e o Saône, foi qualquer coisa entre o memorável e o inesquecível. Desse monte a poente, podia ver-se, estendendo-se até o olhar alcançava, a cidade bastante uniforme, debaixo de um céu carregado e escuro. De repente, do nada, um rasgo de luz fura as nuvens e ilumina uma clareira definida. Chuviscava, e do violeta chumbo do fim de tarde, saiu um arco perfeito no céu, com todas as cores. Não sei se do cansaço, ou se esperança que nos deu, petrificados ficámos ali, uns bons cinco minutos.

Uma noite depois, riamo-nos das argentinas da pensão que diziam que "no pasa nada aqui, nadié baila!" e debatíamos se o Jean Nouvel tinha feito um bom projecto para a Ópera. Elogiávamos o espaço público da cidade. O seu ar profundamente planeado e urbano. Parque de estacionamento óptimos, no centro. Praças muito bem desenhadas, agradáveis, com fontes e árvores. Zona antiga fabulosa, medieval e bem conservada, cheia de recantos, interiores cheios de surpresas. Na noite seguinte, tivemos o privilégio da companhia de duas inglesas ao jantar. Depois de idos nessa tarde aos arredores, visitar o convento de La Tourette, de Corbusier. Tivemos pena de não dar mais oportunidades a Lyon de nos maravilhar, mas ficou a promessa de voltar a uma das mais bonitas cidades da Europa.

Daqui a quinze dias vai haver um jogo nessa cidade. Nesse dia, vou-me lembrar de novo. Há momentos que nunca mais se esquecem. Lyon teve desses momentos para mim. Aconselho a todos, se puderem, mal possam.

Intervalo 

Uma "scarpatta" (termo italiano para designar o conjunto de adeptos com o cachecol no ar estendido na horizontal) de estádio inteiro foi pedida pelo Speaker ao intevalo. Dois minutos depois, a equipa do Lyon entra a conversar no campo. A instalação sonora abafa a voz do estádio inteiro de braços estendidos, e quando Edmilson levanta os olhos para a curva sul, cai-lhe o queixo. Olhou para a esquerda, para a direita, fechou a boca e baixou os olhos. Todos os outros jogadores, o mesmo.

Três minutos depois, entra o Porto. Jogadores igualmente absortos, debatendo tácticas e jogadas, concentrados. O estádio teima e a Sacarpatta mantém-se, até McCarthy chegar com Deco ao centro do terreno e levantar também ele a cabeça, virado para a curva sul. Boquiaberto, olha para a esquerda, para a direita direita e para trás. Boquiabero ficou, a olhar para Deco, boquiaberto também. Os dados estavam lançados.

Se uma equipa não se motiva e não dá tudo o que tem com um público assim, em que circunstâncias eles o vão fazer? Tendo estado já na nova Luz este ano, e imaginando Alvalade nova, aqui digo: vai ser muito difícil a uma equipa forasteira segurar o entusiasmo e a adrenalina das equipas dos clubes visitados. E arrisco: vai ser muito difícil jogar contra Portugal este ano no Euro2004. Nestes estádios, o mítico "medo cénico" torna-se realidade.

PORTO 

A cidade anda nervosa, ansiosa, não dormiu bem. Passear no Porto hoje foi ver cachecóis nos pescoços das pessoas nas ruas, nos carros, nas varandas, nas vitrines dos cafés e das lojas. Andar a pé foi ouvir as discussões pela rua fora, sentados a almoçar, ou simplesmente parados de miúdos, de crescidos e de velhos. Anda um sentimento de tempos históricos no ar. Esta gente anda orgulhosa, transborda de alegria. Um sentimento muito difícl de descrever.

A euforia maior é ouvir as pessoas a fazer já a análise ao AC Milan. Shevchenko, Káká, Pirlo, o Corunha perdeu por 4-1. Dizem-me que o Corunha precisa dos mesmos 3-0 que o Lyon, para passar às meias-finais. Ora bem, é uma excitação que eu não partilho. Vi de facto o jogo de um local péssimo, na curva sul. Junto à bandeirola de canto, tive a sensação que na baliza oposta (na 2ª parte) houve frissons a mais. Saí convencido que 2-0 tinha sido um resultado muito feliz. Mas está tudo radiante, que se há-de fazer? Adianta dizer que não são favas contadas? A confiança é enorme !!(?)

Honestamente, tirando Barcelona, não haverá cidade como o Porto, para ver como um clube e a sua cidade se fundem num só. É...impressionante, arrasador, avassalador, é...indescritível a atmosfera hoje durante todo o dia no Porto. Ontem à noite matei uns finos (príncipes) aqui ao lado do escritório pelo meu clube. Há anos que não o fazia. Rodeado de sócios e adeptos. Dos que vão ao estádio. Discutimos tácticas, partilhámos medos, gritámos golo, falámos de jogadas, fintas, recuperações, cortes. Nomes de jogadores que ressoam da noite de ontem, e da noite de Manchester. Nomes de treinadores. Passado. Presente, futuro. Ontem bebi a este povo, a esta cidade e a este clube.

Corri 20 minutos para poder apanhar uma boleia. Autocarro, táxi? nem pensar. Os percursos normais estavam engarrafados. A cidade estava parada. Só um velho amigo me podia ter salvo. Ainda assim, cheguei tarde. Ao passar no velho estádio, vi a curva de tantas memórias, demolida. Um arrepio, daqueles com que não se contam. A curva sul...já está arrasada. Para o meu primeiro jogo na nova cuva sul do novo estádio das Antas, chegar atrasado 12 minutos não me fez diferença. A minha previsão era um 0-0 tipo Liverpool. Um jogo altamente táctico. A diferença foi ver a curva a puxar pela equipa, mas sobretudo a puxar pelo estádio. IN-FER-NAL. Nenhuma equipa adversária vai poder ficar indiferente. A pressão é muito grande. PORRA! Quantos anos sonhei uma curva assim? Está perdoado o Arquitecto Benfiquista Salgado Lisboeta! Venham eles! Venham eles! Quantos são? Quantos São?

" Alleeez, Porto allez!
Nós somos a tua voooz!
Dá-nos esta vitória,
Conquista-a por nóóós!" (repetir até...não poder mais)

Wednesday, March 24, 2004

Blogosfera 

Vai famosa a blogosfera. Muito activa, respira saúde e ânimo. As zangas, querelas e amuos sucedem-se e intercalam-se com as concórdias, palmadas nas costas, elogios e até novas amizades(?!). Por sua vontade ou mero capricho os assuntos enterram-se ou ressuscitam-se ainda não tive eu tempo de soltar um ai. E vai solidária também, ou não fosse o primeiro dever de um bloguer o visitar outros blogs. E ambiciosa. Com a ambição de quem sabe que pode fazer melhor e quer fazer melhor, e que não se acomoda. Pelo contrário, é vê-la a passar por inúmeros processos de cisão ou de fusão, a par das novas criações. Sempre na busca dos companheiros ideais, na demanda do blog perfeito. Ainda agora se dá o ajuntamento destes três (eternos insatisfeitos...) Francisco José Viegas, Pedro Lomba e Pedro Mexia no fora do mundo. O post de apresentação deixa boa promessa no ar. O futuro parece garantido e blogosfera acredita nele. Vai risonha a blogosfera.

Brevemente. 

Como disse atrás, está difícil postar. Época de muitas mudanças, segue-se no próximo mês a mudança de janelas, que é como quem diz, de casa. Só depois disso poderei voltar na plenitude, lamento.
Entretanto, dei pela blogosfera uma curta volta e encontrei muita preocupação por causa de um assassino que andava por aí em liberdade. Ó meus caros, o gajo até podia ter a idade do Matusalém, que não deixava de ser um assassino facínora hijo de puta. Por isso, não compreendo como se pode lamentar a sua morte, entendido?

Tuesday, March 23, 2004

Porto 2 Lyon 0 

Ambição, paciência, organização e sorte. Assim se define a vitória do Porto hoje à noite sobre o campeão francês. A ambição de quem quer passar a eliminatória. A paciência de saber esperar pelos erros do adversário. A organização do costume, com o porto a funcionar como colectivo (e prova disso é o facto de ninguém saber dizer 1 ou 2 jogadores que se tenham destacado dos demais, de modo a poderem ser considerados o melhor em campo, antes me dizem 8 ou 9!). E sorte nos momentos em que marcou os golos (o primeiro no fechar da primeira parte e o segundo na altura em que o Lyon tentava carregar).
Mas desengane-se quem achar que a eliminatória já está resolvida. É que se o Lyon desiludiu, ao porto o deve. Ainda assim deu para perceber o quanto vale este Lyon. E sobretudo pela sua invulgar capacidade física (em jogadores com esta técnica) podemos perspectivar uma eliminatória jogada e decidida até ao último minuto. E isso vai exigir um (mais um...) grande Porto.

Porto - Lyon 

Faltam poucas horas para que se realize a primeira mão dos quartos de final da liga dos campeões. Aconteça o que acontecer no final das duas mãos o Porto já fez mais do que aquilo que seria sua obrigação (algo que para os portistas nem é novidade...). Mas isto não significa um baixar de braços ou uma rendição prévia. Nada disso, e pelo contrário, cabe ao Porto entrar em campo sem medo de perder e, jogando com alegria, tudo fazer para ganhar. Mesmo uma derrota hoje (que não muito volumosa...) deixa-nos as aspirações e esperanças intactas. O Lyon é uma equipa à imagem do Porto (e isso era o pior que nos podia calhar) que funciona sobretudo como colectivo, mas deixando margem para que os lampejos dos seus fantasistas façam a diferença (Deco Vs Juninho). E hoje bem que precisamos de um Deco, ou um C Alberto, à altura.
Com todas as lesões e indisponibilidades que afectam a equipa do Porto o onze que vai entrar em campo só pode ser mesmo um onze de bravos! E quem é bravo é favorito a ganhar! Força Porto!

O terrorista espanhol 

Entre os 14 suspeitos detidos pelas autoridades espanholas, por causa do 11 de Março, encontra-se um cidadão espanhol. A não ser que se trate de um cidadão naturalizado grande é o espanto que a notícia causa. E incontáveis as questões que levanta: que sentimentos ou motivos levarão um indivíduo a perpetrar um ataque contra o seu próprio país e contra seus iguais? em nome de quê? e de quem? poderá ele também mover-se pelo ódio ao ocidente e aos seus valores de democracia, liberdade e igualdade em que, afinal, vive? comungará ele da religião islâmica e fará também abusivas e falsas interpretações das passagens do Corão?...
Ao falar disto não consigo deixar de me lembrar do "taliban americano", John Walker, e do seu aspecto alucinado de quem há muito deixou de dever o que quer que fosse à sanidade mental.
Mas até nada disto poderá valer. Por enquanto ele é apenas um suspeito.

Um anúncio, um agradecimento 

Estando de regresso de uma curta (mas rica) viagem, fica o anúncio de colaboração mais assídua aqui no B-S-N. Ecos da viajem se se justificarem. Fotografias se finalmente aprender a pô-las.
O agradecimento vai, claro, para o TMM e para o FMA, por ainda não me terem expulso, dada tão pouca participação, e por terem sabido manter o blog vivo. Bem hajam.

Al-qaeda 

Não consegue deixar de impressionar este fenómeno da Al-qaeda e da sua organização que se parece dividir infinitamente em sub organizações, também elas terroristas, que se espalham pelo mundo todo. Estes seriam grupos terroristas de actuação circunscrita (região, país) por contraposição à "casa mãe" Al-qaeda que assumiria um âmbito de actuação global. Ora disto, e à parte das reservas que pode merecer o desconhecimento que ainda se tem da Al-qaeda, duas interpretações podem ser feitas: num primeiro momento, e não descortinando razões para que a Al-quaeda se sobreponha ou se sobreleve às demais organizações terroristas (haverá razões religiosas, étnicas, morais ou outras para que um grupo terrorista com sede no Afeganistão tenha ascendente e comando sobre todos os outros?) o argumento que esta usará para se impôr será apenas um: dinheiro. Tão simplesmente a al-qaeda disporá de recursos financeiros vastos para comprar ou, se quiserem, financiar, outras organizações para que actuem em nome e sob as ordens ou indicações desta. Já num segundo momento, e concretizado que foi o ataque de 11 de Setembro, poderia então haver razões para que grupos terroristas radicais de menor expressão reconhecessem na Al-qaeda a facção terrorista número um do mundo, e a única capaz de atemorizar e fazer frente ao Ocidente, indo por isso anunciar-lhe a disposição de actuar sob os seus comandos.
Inclino-me mais, todavia, a aceitar a primeira das asserções, e que este fenómeno das ramificações que a Al-qaeda parece conseguir multiplicar pelo mundo, e que lhe dá a imagem de um polvo com tentáculos ilimitados que não cessam de crescer e até, o que é pior, de nascer, se deverá quase exclusivamente ao seu poderio financeiro que pode comprar grupos extreemistas, meios para esses grupos extremistas, e mártires que deles façam uso.
O combate à Al-qaeda terá, necessáriamente, de passar por aqui.

Itália - Liguria - Portofino 

Para além destas cores acalmantes, pouco mais haverá que aconselhe ao leitor nesta parte da Liguria. Para além de ser um porto para iates de ricaços, e de ter imensas lojas caras de marca, Portofino nunca consegue ter aquela atmosfera e/ou momento que nos faça esquecer isso. Talvez olhando só para as cores da casa contra o azul do céu...


Monday, March 22, 2004

Futebol - Base para uma análise crítica justa, neutra, imparcial. 

A todos proponho os seguintes sites, com informação actualizada, com maior ou menor rigor, mas sem dúvida nenhuma essenciais para uma análise racional. São referentes ao passado e ao presente do desporto-rei. O futebol é como qualquer desporto, área de conhecimento, profissão ou prestação de serviços.

Deve ser objecto de estudo, na sua história, nos seus resultados factuais, para além da paixão que nos move e que nos leva a praticá-lo, a ver jogos nos estádios ou em casa, e a acompanhar mais ou menos fanaticamente a equipa do nosso coração. A análise neutral, a frieza dos números factuais, podem contribuir muito para o establecimento de bases comuns de crítica. Ficam então as minhas propostas:

|| IFFHS || UEFA Club Ranking- 2004 (Bert Kassies) || Eurotopfoot || World Football Historian || European Cups- Bravepages || Eurofootsie || RSSSF ||

A dupla vénia ao Diplomata. 

Do Notas Verbais, extraio hoje um post notável. [ Queira o leitor ter a atenção de notar que o extracto do Diplomata Anaximandro foi obliterado pelo citado jornal Al Furqan, no dia a seguir ao post ser afixado. ]

Mas este post é sobretudo para relevar o Q & A do jornal Al Furqan, que é, como ele próprio se auto-intitula, a "humilde Voz Portuguesa do Islão". Muito informativo, como é importante que seja.

França - Regionais de Domingo, 21 de Março 2004 

Para quem conhece a França, são mais umas eleições, iguais aos últimos 10 anos. Nada de mais, nada de novo. A extrema-direita tem 15 % dos votos no geral, tem 20% em muitas regiões. Grita-se ao escândalo como de costume, e a França continua o seu caminho placida e fleumática.

Insistindo em Pacs & casamentos gays, 35 horas de trabalho para o proletariado, recuo na reforma do sistema de pensões, proibições do Shaddor, da Kippa e afins, afirmações da laicidade do Estado, praias no Sena no Verão, Fête de la Musique, Printemps de Bourges, contra a guerra do Iraque, manifs contra Bush, défice em 4,1 %.

A França anda a dormir? Não, a França está bem acordada. Mas será que a política está a dar resposta aos cidadãos? Será que, do Jardim do Luxemburgo, até ao Elysée há moral para criticar Bush Jr, ou quem quer que seja? Porque se situa o eleitorado, em cerca de 25%, nos extremos? Porque nos escandaliza a extrema-direita e não nos escandaliza a extrema-esquerda? Portugal seguia as pisadas da França. Há dois anos, deixámos de seguir.

Resta esperar, para ver porque apostam ainda as pessoas cá, na extrema-esquerda do PSR(M) - Partido Socialista Revolucionário (Mediático)- vulgo Bloco de Esquerda.

O Blasfémias notou. 

Levam a terceira vénia em poucos dias, e um agradecimento pelos bloggers cá da casa. Sei que os Blasfemos já liam o B-S-N e sabem que a última semana não foi característica, tendo eu postado sem a companhia de F.M.A. e G.P.T.

As notas trazem as seguintes novidades ao B-S-N: | Causa Liberal | Razão das coisas | O Observador |

Blogs que o B-S-N passar a seguir com atenção, e que se juntam aos outros notados que já conhecia e visitava.

Dou eco ao Fumaças. 

A este post do João Carvalho Fernandes, sobre Cuba. Cuba SI, Castro, NO.

E este outro, magnifico e informativo, que complementa posts meus aqui no Blog-sem-nome, sobre a cobardia dos povos e dos chefes de Estado. Inglaterra e França fizeram a "PAZ" em diálogo, com Hitler e Mussolini, após convencerem a Checoslováquia a perder os Sudetas. A tal paz de um ano que falava o Mário, a semana passada.

Ainda bem que havia Churchill e ainda bem que houve De Gaulle. Esses ficaram na história. Os outros também, como cobardes.

FC Barcelona - molt bé, culé! 

E o que dizer do Barça? Pois de equipa destroçada, passou à recuperação histórica. Está a seis pontos do Real Madrid, a cinco do Valência, com dozes jornadas para disputar. Parece que um dos meus clubes preferidos renasce.

Visca a Catalunya, y visca el Barça!

Portugal dois anos depois - Parte II 

Se os povos em França e na Alemanha não vivem pior, é porque o Estado- providência que vigora, apara a queda. Só que esse Estado-providência, justamente, está moribundo e falido. Sem esperança de melhoras, em países com a população cada vez mais velha, com um sistema de pensões que é insustentável e uma segurança social próxima da insolubilidade. Esse estado-providência vai ter que ser reformado, só que os líderes destes países não têm coragem política para o fazer. Implica medidas impopulares, implica reformas, implica poupar, viver com menos. E custa, largar o poder.

Se há dois anos Portugal não tivesse escolhido um rumo diferente, teríamos andado numa vida harmoniosa, de créditos, mais créditos, dívidas e mais dívidas, carros e casas e viagens e charutos e whisky. Teríamos vivido a decadênca que se viveu no último ano de PS: a de quem julga que é rico, mas não tem dinheiro; a de quem aparenta, e não é, a de quem é vaidoso, sem ser nada na essência; o triunfo da imagem; as constatações sobre factos consumados (olha temos 4% de défice!)

António Guterres, Pina Moura, Oliveira Martins, Sousa Franco, Ferro Rodrigues; João Cravinho, Manuel Carrilho, Antóio Costa, são os nomes dos ministros irresponsáveis que estouraram o Orçamento do Estado à custa do futuro de todos nós. Esse futuro de há dois anos, é o presente de hoje. Bendita a hora em que Durão Barroso ganhou as eleiçoes.

Não tenho ilusões que o PSD não será mais cândido que o PS, PCP ou BE. Não sou naif para só dizer bem deste governo. O que trago ao leitor hoje, dois anos depois, é uma lembrança do que é fundamental e que constitui a imagem de marca deste governo: coragem, determinação, reforma, poupança, moderação, até podermos erguer-nos de novo. E uma lição de modéstia e de humildade, que nunca fazem mal a ninguém.

Só para avisar... 

que ainda não me fui embora, mas agora está difícil. Em breve, caríssimos, em breve.
A plus....

Entrementes, deixo-vos um pouco de África:


Ilha do Sal, Cabo Verde, Agosto de 2001


Ilha do Sal, Cabo Verde, Agosto de 2001


Fim de semana tranquilo 

A zona de Lisboa teve um sábado memorável. A viagem do fim-de-semana passado até à Costa alongou, até Setúbal, com a simples previsão de filas interminaveis. Substituiu-se assim o prato de mexilhões (grandes) seguido de robalo na Praia do Rei, por um prato de ameixoas seguido de Dourada na Praia do Creiro. Se a semana passada o preço foi sensato, este sábado de Inverno, ele foi proibitivo. Para a próxima, já sei: ou peixe ou ameijoas.

De todas as formas, por toda a Arrábida, as praias encheram. Um quarto das pessoas já em fato de banho, gente na água a tomar banho, um sol quente, nenhum vento, a água calmíssima. De pés na água, leu-se muito bem o DN e o Público de Sábado.

Para este último dia de Inverno, deu para ver a diferença entre Portugal e os países do norte da Europa. 20 de Março - 22ºC, tudo na praia. Que luxo. Mesmo para um tripeiro como eu, que diferença faz da chuva diluviana de há duas semanas no Porto. Arre!

Râguebi - Portugal de novo na frente. 

No Seis Nações-B, Portugal partia em primeiro lugar ex-aequo, com a Roménia. Esta perdeu na Rússia, enquanto o XV das Quinas alcançou a vitória esperada em Ibiza, frente à Espanha, por uns 35-19 memoráveis. Ver artigo no DN, no Público, no Jogo.

Relembro que foi a selecção da Espanha que afastou o XV nacional dos dois últimos campeonatos do Mundo. No último, por exemplo, à custa da marcação de um ensaio bem depois da hora, em Madrid.

Portugal, a faltar um jogo em casa para terminar o torneio (que dura dois anos), tem fortes probabilidades de terminar no primeiro lugar. Desde já convido o leitor curioso a assistir a esse jogo, aproveitando a oportunidade para tomar contacto com este desporto, dos poucos ainda amadores em Portugal. Mas em que os atletas são autênticos profissionais.

Parabéns a Joaquim Ferreira, do CDUP, que trabalhando em Famalicão, vivendo e treinando no Porto, esteve sempre disponível para a selecção. E é, com este jogo, o recordista de internacionalizações, com 50. De realçar, obviamente, o trabalho de Tomás Morais, seleccionador há alguns anos, que é em muito responsável pelas performances do XV nacional.

Portugal dois anos depois - Parte I 

Fez esta semana dois anos que Portugal votou na mudança. É o segundo aniversário da derrota do Ministro Ferro Rodrigues. Depois da saída de cena do principal responsável pela falência de Portugal, Engº António Guterres, algures entre a birra, tabu, e impotência que sentiu por nenhum dos seus ministros das finanças conseguir resolver o pântano das finanças portuguesas. O Engº não tinha solução para a situação em que o país se encontrava. No meu entender, não foi uma saída política. Foi uma questão de evidente incapacidade técnico-prática.

De facto, por esta época, teríamos eleições legislativas. Se não fosse o nosso Primeiro-ministro ter reconhecido a sua incompetência, do seu Partido e da sua equipa, talvez Portugal estivesse com 4,1% de Défice. Talvez a discussão no Parlamento, esta semana, fosse sobre esse défice. Talvez o governo de Guterres andasse por esta altura a justificar-se, a dizer que França, Alemanha e Holanda também vivem momento idêntico.

Se Guterres não saísse, a crise não ia ser forte, ia ser brutal. A recuperação, não ia ser difícil, ia ser quase impossível de conseguir em menos de 3 anos. Tal como em França e na Alemanha. Assim, assumindo o falhanço dos seus governos, o Engº teve o seu gesto mais nobre. Poupou-nos ao sofrimento, abandonou o barco a quem tivesse coragem de, no meio da tempestade, tentar levá-lo a bom porto.

Esta semana trata-se de avaliar pessoas que tiveram a coragem de não seguir o caminho mais fácil. Coragem de fazer o que está certo e beneficia o país e o povo a médio e longo prazo, não o que dá votos nas próximas eleições. Foi assim que França e Alemanha se estamparam. É assim que Portugal se encontra no bom caminho.

Sunday, March 21, 2004

Filippo Bruneleschi resolveu o que muitos outros não foram capazes. 

E a cúpula da Stª Maria de Fiore foi acabada, transformando-se num Ex-libris da cidade, e elevando Florença (Firenze) à categoria de cidade inesquecível.

Zapatero estava à espera de quê? 

A ETA insta o primeiro-ministro espanhol a iniciar um diálogo para pacificação de Euskadi. Mas avisa que vai continuar com os atentados. O nosso Mário é que é brilhante. Ele já tinha previsto que os diálogos iam começar.

Depois do linchamento público, mas sobretudo mediático, ao PP (pelo qual não morro de amores, confesso). Uma nova atitude procura-se. O diálogo pode resolver o problema de Euskadi. É uma questão de postura, de método, de princípios. Duvido que nestas circunstâncias resulte, e não penso que seja inocente uma semana depois do terror, a ETA fazer esta proposta.

Fórmula 1 - Zapatero ganhou de novo - bocejos na multidão... 


SPD (Alemanha) - mudança de líder. 

Talvez em Portugal não seja relevante o que se passa hoje em Berlin. Os equilíbrios na Europa são muito voláteis. Schroeder passa o testemunho dentro do partido, centrando-se na governação. O seu sucessor (e delfim) Franz Müntefering arrisca-se a não ser mais do que "carne para canhão" numas eleições que se prevêem desastrosas para o Partido mais antigo e mais respeitado da Europa Ocidental.

De facto, os Alemães perderam o medo a Edmund Stoiber, um bávaro nervoso e de tendência populista fácil e que resvala para a xenofobia. Ao ponto de incluir no seu programa de governo o controle da sociedade pura alemã. E estão prontos a castigar o SPD pela gestão federal desastrosa que conduziu a BRD a uma situação humilhante de não-cumprimento do PEC. Sim, essa regra que eles próprios quizeram instituir para países incompetentes, como Portugal e Grécia, poderem dar garantias de solidez financeira. Uma vergonha. A Alemanha (BRD) prepara-se para fazer a Herr Müntefering o que fez a muitos outros delfins escolhidos por 1ºs ministros em último mandato. Dar-lhe uma valente tampa.

Relevo para nós? Bom, tudo o que se passe na BRS tem relevo para todos os países europeus. Economicamente, socialmente, políticamente, a saúde da Europa de hoje é dependente da saúde da Alemanha. Por outro lado, desde 45, nunca alguém remotamente racista se aproximou do lugar de Bundes-Kanzler. O que é preocupante. A nível de política externa, seria curioso ver qual a postura da CDU em relação a várias matérias, do Iraque, à UE. CDU, esse partido que nos anos 80 e 90 chegou a ser financiado secretamente pelo PSF de Miterrand. E esta?

Saturday, March 20, 2004

Formula 1 

Desporto de ricos, e para ricos praticarem, a Fórmula 1 já perdeu a capacidade desportiva há uns 20 anos. Hoje em dia, nem se pode disfarçar o carácter únicamente experimental e laboratorial do "circo", que serve uma indústria automóvel "comercial" sedenta de novidades e actualizações. É um catalizador autêntico da febre do comprar-carro e um símbolo de como o totalmente ridículo move milhões e as massas.

Este Domingo lá vamos nós ver o Miguel Zapatero ganhar mais uma corrida, apesar de um McLaren até poder partir na frente. Pilotos milionários que há anos vêem este Zapatero ganhar. Qual o objectivo deles? São só mais uma peça na engrenagem. Pois, pergunto-me, em cada uma das nossas vidas, caro leitor... quantos entre nós farão apenas parte de uma máquina, sem servir realmente para melhorar a vida de alguém.

Sites sobre Terrorismo e contras ao mesmo. 

Proposta do Le Monde, retirada do Conselho Europeu.

Grande Reportagem 

A GR foi uma referência do jornalismo português, na década de 90. Dirigida por Miguel Sousa Tavares, foi exemplo de como é possível estar no jornalismo sem escrever sobre o assunto da moda. Exemplo da defesa de causas justas, como o ambiente, a habitação, negócios escuros de Câmaras Municipais, defesa do consumidor. Foi exemplo de independência, opinada, mas sem dúvida de bastante independência.

Quando MST saiu, entrou o Francisco José Viegas, que deu continuidade ao trabalho, perdendo a revista algum fulgor. Há uns meses, a revista apareceu no caderno de sábado do DN, recambiando a DNA para sexta-feira, e sendo oferecida tipo brinde. Muito mortiça e quase sem vida.

A edição de hoje saiu, e foi uma surpresa memorável. Um artigo muito interessante sobre a corrupção em França traça um quadro social muito próximo da realidade. Outro artigo histórico é sobre uma antropóloga do Porto que fez um sindicato Sexual em Londres, onde faz o seu Doutoramento, chegando a ser modelo de Paula Rego (!?).

Não se sabe, depois de FJV sair, quem é o director, mas se um dia a GR acabar, é pena. Mas faz parte da vida. Nascer e morrer.

Sites do dia. 

Nunca mais fiquem numa fila para comprar bilhetes. De música ao futebol, tudo se compra on-line.
Fnac e Ticket-line, para além dos sites dos clubes, onde tudo se pode fazer on-line, desde fazer-se sócio, pagar quotas, comprar merchandising e bilhetes.

Já agora, o Estado (social-democrata imagine-se) começou a desburocratização dos serviços públicos.
Vejam a revolução a acontecer, aqui, em DGRN.

Site da KFOR 

Força de Intervenção da NATO, no Kosovo. Para saber das notícias na primeira pessoa, em primeira mão.

A torre Eiffel em Desenhos e não só 


Friday, March 19, 2004

Pantani morreu de excesso de Cocaína. R.I.P. 


Almodôvar pede perdão. 

O realizador declarou que o PP preparava um golpe de Estado, perfeitamente histérico. Veio uns dias mais tarde pedir desculpa, como se pode ler no El Mundo de hoje.

A questão que coloco ao leitor atento é a seguinte, muito semelhante à de de Diogo Feio, aqui no Nortadas: para quando a ponderação em Portugal, de personagens públicas que dizem o que lhe apetece sem pensar? Para quando gente responsável que meta a mão na consciência após excessos na linguagem? Vale para todos nós, e serve como exemplo. Caro Diogo: pedir ao Bloco para voltar atrás nas declarações histéricas e bombásticas da última semana, é pedir o impossível. Mas o que mais me preocupa é o PS e os seus líderes. Esses sim, têm responsabilidades e portam-se como gente no café, ou a apresentar filmes.

As Notas-verbais 

Está impagável, este Telegrama de Anaximandro, infiltrado da blogosfera nas Necessidades (ou com conhecimento lá dentro).

De facto, o Islão deixa muito a desejar, em termos de liberdades, direitos, e afins. Como escrevi aliás no post abaixo sobre Marrocos. Esse país muçulmano moderado.

Blasfémias - Juiz do caso Entre-os-rios 

Sou obrigado à vénia-dupla ao blog blasfemo, realçando a atenção do GS ao juiz da nova geração. Não vi as notícias, de facto raramente vejo TV. Mas fico contente que o dito Nuno Melo seja alguém de disponível, claro, informativo, sensato e justo. Num Juiz, dir-se-á, é o mínimo exigível. Infelizmente, tal como Gabriel diz no Blasfémias, não é a norma em Portugal.

O Juiz Nuno Melo faz parte da nova geração. Gente que é intrínsecamente neutra. Até à medula. Gente que é necessária para o nosso país. Para dar o exemplo. Para todos acreditarmos na justiça.

[[ Aos dez anos, numa aula de português, um miúdo leu a sua composição sobre o tema : "O que queres ser quando fores grande?". Subiu ao estrado e começou: "Quando for grande, quero ser Juiz." Assim foi. Quando íamos à Antas, em grupos de 10, aí com 15 anos, ele era a nossa referência. Se havia lance duvidoso, os olhos viravam-se para ele, antes dos impropérios típicos. O veredicto era aceite sem hesitação, pois raramente se enganava. É incapaz de julgar afectado por tendências. ]]

Marrocos no Le Monde 

Interessante perspectiva vinda dos estudantes Marroquinos. E a informação de que num país do Islão Moderado, ser "Ateu" é um crime. (!!)

CAA e Durão Barroso 

Não podia discordar mais de si, caro CAA. Comentar um adjectivo/substantivo infeliz (concordo) dito pelo P.M. e discorrer sobre isso, generalizando em seguida, é relevar o que não tem interesse, elevando-o a facto importante e simbólico. Infelizmente, é típico da imprensa e dos media portugueses. Confundem espírito crítico com estar atentos a minudências. Em vez de concentrar-se no essencial.

Um blog não é um orgão mediático, concordo. Cada um posta segundo as suas regras, não como num jornal. O Blasfémias, sendo um blog com categoria, composto por um conjunto de pessoas (que tinham os seus blogs) com categoria (e CAA está concerteza incluido), é lido por centenas todos os dias. Não é Media, mas pouco faltará.

O que me leva a lançar a todos os autores a questão: cada vez que escrevem têm a noção de divulgação, informação e formação de opinião dos leitores? Quando se juntaram, em jeito de redacção de jornal, criou-se ou adoptou-se algum código de publicação de posts? Deverá haver ou não algum critério Bloguístico (jornalístico) para postar num Blog da natureza do Blasfémias? Há a noção da responsabilidade que vos assiste ao escreverem para centenas de pessoas? Fazem alguma reflexão sobre o que vão postando? Têm criticado os posts uns dos outros? Imagino que sim, até por haver escribas com pontos de vista claramente diferentes.

Bom, lanço daqui a questão, por pensar que se trata de algo bastante actual (na blogosfera), que gostaria de ver evoluir. Algo de que depende muito o futuro, pertinência, continuidade, e credibilidade deste meio. O Blasfémias, a meu ver, poderá ter papel importante nessa evolução.

VPV no DN de hoje. 

Who's the man? VPV parece que também nos anda a ler!
Em companhia tão ilustre, não me sinto desacompanhado. Agora a reflexão: porque é que não há eco deste tipo de visão nos media, sem ser das duas enfant-terribles da direita?

Fórmula 1 Vs. Política Espanhola. 

Toda a Espanha anseia pela vinda do Circo da Fórmula 1. Depois do circo da política e do circo do futebol, não se vê realmente o que possa animar o reino.

Nada vai bater em excitação e especulação político-desportiva, como a possibilidade de encontro dos homónimos José Luís Zapatero e Michael Schumacher. Os paparazzi e as revistas já oferecem fortunas a quem conseguir a primeira foto. Já se vêem títulos, com os nomes trocados sobre cada um. Zapatero Y Zapatero. Schumacher und Schumacher Top classe. Mundial.

Thursday, March 18, 2004

A Ibéria. 

Tenho curiosidade: que irá dizer o José Maria ao José Luís sobre o José Manuel?


[Aznar vai tentar, mas creio que Zapatero já tem ideia formada sobre Barroso]

JPP no Público de hoje. 

Congratulo-me que o mais Abrupto de Portugal tenha passado no Blog-sem-nome ontem, antes de enviar a sua crónica semanal ao Público.

Senão, como será possível coincidirmos nas reflexões sobre "certos acontecimentos" dos últimos dias? Obrigado JPP, por dar eco, apesar de tão perdido no ruído mediático, às nossas ideias. Volte sempre, nós aqui gostamos de inspirar abruptas figuras destacadas do livre pensamento em Portugal (e Bruxelas).

[ É claro que o seu parágrafo final sobre o PP não poderei subscrever... é pena, mas não dá, José. Não dá mesmo.]

Numerobis 

Saúde-se a versão 2.0 do Numerobis. (Mas onde é que se faz um blog com a terminação "TK"??)

Esta casa (b-s-n) é gerida a 66,6667% por escribas-arquitectos (que não passaram o RIA, nem têm inveja de quem o fez), e muita alegria nos dá um blog de urbanidades que se refaz. Aliás no seguimento do Lutz, a semana passada. Pensava ele que andávamos desatentos...não senhor.

Cabe-me talvez a mim, explicar a ausência notada de F.M.A. e G.P.T. O primeiro atravessa uma daquelas fases intensas de concentração laboral, que só faz bem no começo da vida profissional.

O segundo anda em viagem pelo extremo-oriente, trazendo notícias de Macau, China e Cambodja muito em breve. E roupa de marca com 90% de desconto no preço.

O terceiro blogueador (que sou eu) trabalha sobre Edifícios de Escritórios, sua história e actualidade. Posso dizer, não só são interessantes, como são um desafio. Não quero é entrar na velha questão: torre ou não? Adiante.

Manipulação do Governo PP no atentado 

A crer nas notícias do El País e no El Mundo, o governo espanhol desclassificou um conjunto de documentos que sustentaram a sua posição inicial. Parece que se mostra claramente que não há manipulação. Se há alguém que manipula os acontecimentos... é a esquerda espanhola. Esperemos para ver. Quero ouvir o que diz Ferro agora. O que incomoda nesta esquerda democrática é a sua falta de escrúpulos em usar não importa o quê com fins políticos, e o moralismo fundamentalista com que julga os adversários. Não há ponderação, não há bom senso, não há ninguém razoável neste PS.

O que preocupa, a sério, é a cobertura mediática que têm, e o número de comentaristas a "fazerem" actualidade que seguem IPSIS VERBIS a linha estratégica do PS. Há, efectivamente, manipulação e contaminação da opinião pública. Há de facto, em alguns casos, a distorção da realidade, sem posteriores desculpas ou desmentidos. Falta saber se não haverá premeditação, para além de falta de calma e sentido de estado.

Doping no ciclismo - Affaire Cofidis 

Revelações interessantes. Nada de novo. Caso Cofidis seguido no Le Monde. Alguém se acredita que o desporto é limpo ou com fair-play?

Rugby - 6 Nações 

Site fabuloso com resumos de vídeo de todos os jogos de este ano. Imperdível.

Já agora, veja-se que a selecção portuguesa de Rugby está no mesmo lugar do Ranking Mundial que a sua homónima do Futebol - 17º, o que é uma honra. Parabéns!

Lisboa - a nova cidade. 

A nova cidade, a Norte da cidade, é a Expo. Novos edifícios, novas infra-estruturas, tudo novo, nova gente, nova polícia, nova cidade... e serve?

Wednesday, March 17, 2004

John Kerry pede a Zapatero: "Não saiam do Iraque." 

Interessantes as declarações de John Kerry, das quais só encontrei a tradução do El Mundo (PP). Um pouco na linha do que eu penso. Enfim, confirmando que é o homem certo, na hora certa, para o lugar certo.

Terroristas declaram tréguas. 

Um jornal árabe recebeu um fax do grupo que reclama a autoria dos atentados em Madrid. Com a escolha do PSOE, declaram tréguas, porque o povo Espanhol escolheu o caminho da paz. O povo espanhol agradece, afinal estes extremistas são razoáveis. Às vezes apetece-me reconsiderar a minha posição contra a pena de morte. Então quando leio coisas destas...

Economia portuguesa & governação 

Não se percebe muito, mas parece interessante, técnico, desapaixonado, e neutro, o post do Bear, aqui

Le Corbusier 

Recomendo este site, sobre a Capela de Notre-Dame-du-Haut em Ronchamp. Magnífico!

Aproveito para comunicar com tristeza que o Convento de La Tourette se encontra fechado. Notícia e site aqui.

Barcelona - torres. 

Cidade de mitos, sonhos e realidades da maior parte dos Arquitectos, Barcelona prepara-se para uma campanha extraordinária de construção de torres. Senão veja-se neste site.

Guerra do Iraque: outros aspectos a considerar 

Como explicar um gaullista como Chirac ao lado da Alemanha do SPD?? Por elevados princípios morais? Por receios de represálias islamistas como em 97? Isso é acessório, quase absurdo. A França esteve com a Alemanha porque padeciam do mesmo mal: incompetência, incontinência, impotência. Não é de admirar a irritação Americana e Inglesa.

Agora, caros amigos da esquerda, quanto ao petróleo, que é claramente geo-estratégico, eu diria o seguinte: como já aqui foi escrito por mim e por FMA, em posts anteriores, a França, a Rússia e a Alemanha eram os principais responsáveis pelo programa Oil-for-food da ONU. Acessoriamente, está provado, individualidades e (não se sabe) governos foram corrompidos com milhões de barris pelos dirigentes Iraquianos. Não tão acessoriamente, os três pacifistas (OH, basta olhar para a história e ver como são Pacifistas!) furavam o embargo e contrabandeavam petróleo. Batota, alguns diriam. Geo-estratégia dirão outros. No ponto de vista americano e Inlgês, simplesmente falta de fair-play.

Não é que estes sejam mais honestos no jogo do que os outros em qualidade. Mas, ao longo da história, foram-no em alturas que marcaram a Humanidade. Têm mais crédito, por isso. Sem qualquer margem para dúvidas.

Continuo a afirmar que sou contra guerras - quem não é? - mas que entendo perfeitamente porque é que elas se fazem. Quem não mata, morre. Os Europeus estão a ficar macios? Talvez. O que eu sei é que há duas nações que nunca ficarão: E.U.A e Inglaterra. Goste-se ou não, "When the going get's tough, the tough get going" E eles ficaram sempre. Em Portugal, em Aljubarrota 1385 (Arqueiros Ingleses). Em 1810 (Wellington). Em 1918. Em 1945. Não é preciso mais.

Quanto a Espanha e Portugal, mais uma vez recomendo ao leitor paciente, os dados do Eurostat, especialemente o caso Espanhol: 0,3%. A Espanha respira saúde. Para dar e vender. No caso Português, vê-se o que governar contra a vontade do povo e contra a facilidade nos possibilita: cumprimos o índice imposto. Á custa da impopularidade do governo? Talvez. Mas faz-se o que se tem que fazer, em vez de manter-se o poder por manter.

Guerra do Iraque - alguns aspectos a considerar. 

Tem piada a análise que se tem feito à invasão do Iraque. Esquerda e direita esgrimem argumentos, uns indignados com a parcialidade da visão dos outros.

Aos amigos da direita, os que não têm qualquer alergia anti-americana: há uma estratégia na invasão do Iraque, não haja dúvida. Implentar a democracia, tomar conta do negócio do petróleo, expulsar Franceses, Alemães e Russos, acabar com Saddam, dominar políticamente o médio-oriente, impedir o alastramento dos Extremismos Islâmicos. Esta geo-estratégia é mal conduzida pela administração Bush Jr, levando à fractura pela primeira vez desde a 2ª Guerra Mundial entre os aliados, a uma animosidade geral contra os E.U.A., a um descrédito da ONU, e a uma certa validação do terrorismo islâmico (po ele próprio). Leva, consequentemente, a uma situação mundial mais instável e ao medo das populações ocidentais.

Aos amigos da esquerda: chamo a atenção para a divulgação, pelo Eurostat, dos Défices dos países da União Europeia. Reparem por favor na França e na Alemanha. A minha tese é a seguinte, já há algum tempo: quer um país quer o outro tiveram ou têm socialistas no poder que governam/governaram como Guterres governou aqui: pelas sondagens ( pela aprovação da maioria do povo em sondagem). Governam para o voto, para ganhar o eleitorado.

É obviamente complexo o caso da França, visto ter havido mudança de poder após as Presidenciais de há um ano. O legado económico, tal como em Portugal, é reflexo da política de Jospin. Mas Chirac não quer fazer muito diferente, sobretudo com 20% de Extrema-direita votante no país em forma de Hexágono. Por isso, o Presidente e o seu "Puppet" Raffarin optam por uma política não-confrontativa com o povo, ou de medidas muito difíceis. A França está, digamos assim, em "Stand-by".

O Caso da Alemanha - BRD - é complexo, mas por outros motivos: Schroeder governa por navegação à vista, até aí nehuma novidade. O problema é que o candidato da CDU é Edmund Stoiber, Bávaro e que tem no programa de governo a " Sociedade Autênticamente Alemã (altamente xenófobo). Schroeder evita medidas polémica, evita reformas, e conseguiu um feito memorável: deixar a BRD, pela primeira vez em 50 anos, próxima da falência.

Ora, nem num caso, nem no outro, há capacidade para entrar numa operação logística e militar como uma invasão e guerra no Iraque. Se eles internamente nem conseguem fazer uma simples reforma do sistema de pensões!! Suporia essa guerra dispêndio de dinheiro que não existe, suporia perder votos, suporia que a recuperação económica se ia atrasar por mais dois anos. O tempo está a contar. A incompetência da França e da Alemanha, são, para mim, a única razão pela qual eles não entram na guerra. Não acredito na boa-fé de nenhum dos dois países. Enfim, talvez no caso da BRD, onde o SPD é talvez um dos partidos do mundo com mais categoria que alguma vez foi criado (único a resistir ao Nazismo galopante).


Al Maghreb X Ibéria (Europa) : "Wealth & Poverty of Nations" 

Tenho reflectido sobre o conceito abstracto que é o medo colectivo. Ele esteve presente em 1932 na Alemanha, esteve presente em 1938-39 em França, na Inglaterra. A cobardia de estado ou de um povo. A valentia de um estado ou de um povo. A quem podemos chamar valentes? A quem podemos chamar heróis? Quem é que se considera valente, bravo ou herói? Quem dava a vida por uma causa? Quem se arriscava a morrer por uma causa? Será que os Europeus não estão a ficar moles?

Qual Império Romano decadente, o europeu não pega numa arma, não impõe a força. É muito avançado, muito civilizado. Só que, enquanto no Séc. VII A.D. os bárbaros estavam a Norte e os herdeiros do Império ficaram no Maghreb, hoje passa-se o oposto. É urgente reflectir porque é que desde o Séc XIV o Islão deixou de produzir cérebros, liberdade, tecnologia, desenvolvimento, civilização. Parou, estagnou no tempo e agarra-se a estruturas de poder, manutenção e transmissão do mesmo que são perigosas, sobretudo por recorrerem a soluções simplistas para resolver problemas e dar respotas globais, encostando-se à religião.

O recurso à violência de uma minoria islamista reflecte muito mais do que essa minoria nos faria supor. Ele é o espelho dum conflito que está longe de ser reolvido entre ricos e pobres, entre avançados e atrasados, entre livres e prisioneiros. Dentro de cada país muçulmano, e entre estes e os países ocidentais. Um conflito geral, que só está ausente do nosso pensamento por este estar submergido numa realidade totalmente feita pelos media. Estamos em épocas perigosas. A Europa não pode ignorar a África do Norte. O Maghreb tronou-se demasiado mediático- pelas piores razões- para que a avestruz meta de novo a cabeça na areia.

Alguém já fez as Auto-vias espanholas num mês de Verão? São milhares, dezenas de milhares. Esquecidos. Até quando? Quantos mortos são precisos? Quantos mais?

Tuesday, March 16, 2004

Berlim 

Já cá faltava a referência à dita cidade: pois o blog anónimo que aqui apresento ao leitor recomenda leitura atenta, sobretudo pela sensibilidade cinematográfica.

Iraque - retirada da GNR 

Interessante a declaração à Imprensa do Presidente da Répública: sobretudo quando fala de "todos aqueles que vêem num Iraque democrático um factor de dinâmica na região".

O facto, apesar de eu não concordar com a forma como foi feita a intervenção armada (invasão e conquista), não implica que diga que foi sem objectivos claros. Mas o que importa clarificar é a independência do novo país e que não se cria ali um regime fantoche. Estilo "consolidação democrática" da América latina.

O pouco crédito que mereceu o avanço autista da mini-coligação será delapidado se o regime-fantoche for óbvio. Espero que tal nãoa conteça, mas sim um acompanhamento dos vários países que hoje intervêem no Iraque, até à implementação, consolidação e acalmia de um regime democrático.

Itália - " Funicoli-funicoli-funicoláááá - ápoyápoyá, funicoli-funicolá! " 

(Cantar tradicional Napolitano)

Vale tudo em Italia, senão leia o leitor atento as declarações de Mister Berlusconi. Este homem não existe!

Cuba, um ano depois. 

Não posso deixar de dar eco ao post do "Embaixador" Anaximandro, neste artigo do notas Verbais. Cuba é tolerada a um nível incompreensível. Por certo Bernardino Soares e Odete Santos continuam com as suas dúvidas se " Cuba não é uma democracia" , ou ainda " em Cuba há uma democracia muito melhor que é a Democracia da educação e da saúde que é gratuita".

Nunca mais, Castro nunca mais. Cuba livre!

P.S.: Seja bem-vindo de hibernação o diplomata, que faz sempre falta a estes escribas-sem-nome.

Zapatero 

Não posso deixar de o referir: discordo totalmente da primeira medida tomada pelo novo primeiro ministro da Espanha:mandar regressar os soldados espanhóis do Iraque, hostilizar os E.U.A. e relacionar o resultado do escrutínio com os atentados e com a Guerra na ex-Babilónia.

Se Aznar não teve calma, que dizer de Zapatero? Infelizmente, o sangue-frio não corre nas veias de todos. Imagino Ferro Rodrigues, que no caso Casa Pia teve aquela reacção desenfreada, a ganhar as eleições espanholas. Santo Deus. Era o descalabro. Os Homens de Estado vêem-se nas horas más. Alguns têem-nos no sítio, como Chuchill. Outros demoram a recompor-se. Outros ainda ficam permanentemente desnorteados.

Quem sou eu para os censurar. Se a um povo não se pode imputar heroísmo, o mesmo não se pode fazer em relação aos seus dirigentes. Zapatero foi apressado, precipitado, quase cobarde. A medida, a ser tomada, nunca deveria ter sido anunciada no dia das eleições.

Quanto ao "povo" e à sua justiça-justeza, podemo-nos sempre lembrar dos Ingleses no pré-guerra, que gozavam nas ruas o Homem-do-charuto, e elogiavam a diplomacia serena de Chamberlain. Quando a coisa ficou preta, só um homem serviu: Winston Churchill. Depois de a guerra acabar, o povo encarregou-se de dar a justa recompensa àquele que os mantivera na luta, por pura resiliência e espírito inquebrantável: derrotou-o nas urnas. O povo é soberano, a democracia é assim.

Informações avulsas 

Site do Olympique de Lyon: aqui

Concerto dos Pixies, inserido no Super Rock: 11 de Junho de 2004 em Lisboa.

Concerto dos Zero7, no Coliseu de Lisboa, dia 4 de Abril de 2004.

Mais torres para Lisboa? Já chega, não? 


Monday, March 15, 2004

Lisboa 

Interessante desorganização organizada do espaço sub-urbano Lisboeta...


Roma - Claustro desenhado por Bramante 


Exemplo de cidadania 

Reflexões avulsas: efeito dos atentados ou não, admira-me a participação dos eleitores recenseados nas urnas: 77,21%.
Efeito destes atentados ou não, os espanhóis têm uma noção de responsablilidade democrática muito superior à nossa.
Atentados bombistas ou não, são superiores em termos de civilização e compreensão da democracia.

Cada vez que um conhecido meu me diz que não vota porque o sistema é " corrupto, são um bando de corruptos", etc, só me apetece mandá-lo para 50 anos atrás, ou para um país onde haja uma dirtadura, para ver se ele gosta. A ignorância é o maior inimigo da Democracia.

Mas não, passo o tempo possível a tentar convence-lo que é um poder, uma responsabilidade, um dever e um privilégio que lhe assiste, e que por ele muitas pessoas lutaram, fugiram, voltaram, foram presas, sofreram e algumas até morreram. Em Portugal e em qualquer outro país civilizado. É uma conquista, mas todos nós temos de fazer o esforço quase prosélita de convencer as pessoas que vamos conhecendo a exercerem o voto, em vez de passarem ao lado dos destinos das suas vidas. É o nosso dever, éo nosso direito. É a democracia. Se não a mantivermos, ela morre.

TSF + torre de TV + Câmara Municipal, com estafeta da Pizza Hut na frente 


Espanha - eleições 

Já postei aqui e de novo repito: nunca morri de amores por Aznar. Considero aliás, que em épocas de crise, o governo espanhol teve pior comportamento do que em relação à sua política geral implementada (que é não excelente, mas sim brilhante).

Custa-me muito como neto da vila de Caminha e amante da galiza, o que se passou no caso Prestige. O desvio para Sul do Navio é difícil de aceitar. Os galegos estavam apaziguados com o PP com a promessa de um Rajoy galego no Poder. Os portugueses nunca perdoarão a Aznar.

Quanto à política geral, Aznar e o PP deram lições a toda a Europa. De contenção, determinação, poupança, dinamismo empresarial, riscos contidos e estratégias de desenvolvimento que marcam uma época e que alçam a Espanha à primeira linha do panorama internacional. O posicionamento no caso da guerra com o Iraque é de grande visão estratégica, e só pode ser examinado à luz da conjuntura económica desfavorável dos aliados tradicionais dos E.U.A., França e Alemanha, de rastos. A Espanha içou-se a um poleiro onde Portugal também teve a sageza de estar. Uma posição de relevo considerável, prevendo um futuro em mudança, e priveligiando quem, ao longo da história esteve SEMPRE ao lado das causas justas e quem raras vezes perdeu. Não cabe aqui o julgamento da forma como foi feita a dita guerra. Posso só dizer que não concordo como ela foi iniciada e conduzida.

Este fim de semana exerceu-se a democracia. O povo votou e decidiu. O PP geriu mal, mais uma vez, uma situação de crise. Não houve calma, houve acusações antes do tempo. Quando o pó assentou, deu impressão que se estavam a tirar dividendos políticos. Não se sabe, parece que era legítima a acusação depois do furgão com 500 kg de TNT ser apanhado À ETA. Agora, que os adversários políticos se serviram desse tiro ao lado para fazer política com a desgraça, isso foi por demais evidente.

A quem serviu a manifestação frente à sede do PP, associando a guerra do Iraque a este atentado? Ao Partido Comunista Espanhol, à extrema-esquerda. A partir daqui, tudo são especulações inúteis. Tal como num jogo de futebol, o resultado está feito. Não interessa quem mereceu ganhar, ou se o golo foi mal anulado. O jogo, está acabado. Quem forma governo, é o PSOE. Faz parte da Democracia. Ganhar e perder. O povo é que manda. Quer nos agrade, quer não nos agrade.

Agora, o precedente abre-se: o terrorismo condicionaou as pessoas em Espanha. O Povo acobardou-se e prefere a retirada do Iraque e a Paz do que sofrer as consequências de se colocar ao lado de quem combate o Terrorismo sem tréguas. E pode-se censurá-los? Não sei, eu não concerteza. Não posso no entanto evitar pensar nos povos cobardes de outrora, como a França de 1939, até a própria Inglaterra em 1939, a Bélgica, a Holanda, a Polónia na mesma época. Quanto mais nos acobardamos, mais o Terror ganha força. Ele este fim-de-semana não ganhou só força, ganhou poder. De condicionar quem é eleito em Espanha. E Hitler só ganhou confiança, com as política diplomática de Chamberlain e Clemenceau.

No euro pode acontecer um atentado. Eu não vou culpar a guerra do Iraque. É o que querem os terroristas. Mas o povo, pode-se censurar que o faça?


Saturday, March 13, 2004

MADRID - foram Islamitas Radicais 

O El País afirma que já há prisões efectuadas no caso dos atentados. Claro que o post de FMA se pode manter, mas não terá sido a ETA a perpetrar o atentado mais ignóbil que há memória em Espanha. Nunca desculpando a ETA, debati com amigos e com FMA, até, que não seria produtivo para a organização terrorista Basca um atentado deste tipo.

O que muda pelo facto de serem islamitas? Para começar, nenhum país está a salvo. Depois, como discutia há uns meses com a minha mulher... qualquer magrebino ou muçulmano pode ser um terrorista. Daí ao racismo e à xenofobia é um salto curto, mas não posso realmente censurar as pessoas por o sentirem.

Cumprem o seu objectivo os terroristas? Não sei. Medidas terão que ser tomadas, e os portugueses não estão a coberto, com o Euro à porta, portas escancaradas e uma organização optimista e relaxada. Com dezenas de milhares de potenciais alvos, com um país permissivo e irresponsável como Portugal, o que nos safará de uma organização de uma dúzia de homens por uma bomba algures, algum dia de jogo grande? Lisboa, Porto, sei lá!

Numa carruagem de metro, comboio ou autocarro perto de si, nos próximos tempos. Fica a promessa velada de mais terror pela Ibéria. Vamos deixar?

Friday, March 12, 2004


Thursday, March 11, 2004

ETA filhos da puta. 


©www.elmundo.es


©www.elmundo.es


© El País S.L. | Prisacom S.A.

Wednesday, March 10, 2004

(As obras de) Santa Engrácia... 


Há 3 anos. 

Foi em Março de 2001 que me aventurei pela Rússia. E pelo Báltico. Em plenas semester ferien, o Campus da B.T.U. em Cottbus, onde vivia, estava deserto; como tal Março estava destinado a esta viagem, já por uma vez adiada.
Narrar aqui toda essa viagem tornar-se-ia um massacre para o benevolento leitor. Mesmo narrar partes, fragmentos, exigiria vários posts. Quedêmos-nos por episódios eventualmente registados em imagens.


São Petersburgo, Março de 2001


Esta fotografia foi tirada numa manhã fria em S. Petersburgo, e é de certa forma marcante para mim porque regista um patamar. O mais rico vendedor que encontrei. O vendedor diferente. Este, em vez de estar nas imediações de uma qualquer estação, estava um pouco mais longe. Para quem não conheça ou não saiba, as estações de comboios de S. Petersburgo, para além de se encontrarem num estado de conservação terceiro-mundista, estão pejadas de pequenos vendedores no seu exterior. E escrevo pequenos pelo tamanho do negócio. Estes vendedores de chocolates, tabaco ou legumes, impressionam geralmente pelo minúsculo stock de que dispõem, pela parca quantidade daquilo que têm para vender. Lembro-me que uma das visões que mais me transtornava, era chegar pela manhã à estação de Finlandsky (a mesma onde Lenin chegou e aquela em que eu apanhava o metro para qualquer outra parte da cidade), e deparar-me com as velhas babuschkas a venderem os seus legumes à porta da estação, sob a neve que não desistia. O que mais me chocava ali, naquela venda, era ver que apenas tinham 3 ou 4 peças de legumes para vender, 2 batatas e 1 cebola tinha uma, 3 mínimas cenouras tinha outra, e esta mirrada contagem repetir-se-ia tantas vezes quantas vendedores houvesse. O que mais me chocou ali foi ver a pobreza de perto. Foi ver a pobreza de quem tem uma pensão tão miserável que não chega para aquecer um quarto no Inverno, de quem tem apenas para vender todos os legumes que fez crescer no Verão, mas que são poucos. Que são tão poucos que muitos deixarão de os comer para os venderem. Foi sentir o desespero de quem tem frio, mesmo que o sentí-lo nos outros e não em mim me possa retirar legitimidade.

Em suma, de entre tudo aquilo que me impressionou na Rússia, a pobreza foi de longe a observação com o impacto mais chocante. Foi ver uma pobreza que resulta da falência de um sonho, da queda de um mito, do desmascarar da utopia que é um regime socialista, do que foi aquele regime, das marcas que deixou nas pessoas e que perdurarão pelas suas vidas.

Daí que neste vendedor aqui retratado eu veja alguém que apesar da expressão brutalmente triste, apesar de não ter sequer uma grande banca de legumes, é de facto um priveligiado no seu meio.

Tuesday, March 09, 2004

Manchester Utd x FC Porto - Muita sorte depois do jogo das Antas 

De início, nota para a equipa brilhantemente delineada por Alex Ferguson, manietando o meio campo do FCP, realmente de luxo, com Deco, Carlos Alberto e Alenitchev. Cada um estes três, homem para decidir a partida. (Hoje ficou claro que a Deco-dependência terminou). É de arrepiar a frieza da equipa inglesa. Acelerou quando precisou, marcou, tornou a marcar, fazendo a gestão depois. Muita, sorte, que rara (!) no 2ª golo de Scholes, que acabaria com o jogo.

O lay-out táctico permitiu ao Man Utd controlar a seu bel-prazer o ritmo do jogo, "abafando" as unidades criativas do FCP. No caso de Carlos Alberto, não hesitando em fazer cerca de cinco faltas seguidas sobre ele (!). De todas as formas, pode-se dizer brilhante por Ferguson, o acto de colocar jogadores que não se previam titulares, mas que garantiram hoje (quase) um jogo perfeito ao Utd. Com um banco de luxo, e um treinador a sério, não interessam só os nomes sonantes.

Mas dizia eu, a tal frieza terrivel das equipas de topo, embateu numa robustez mental do FCP, que teve como melhor definição hoje, um enorme carácter. Força de vontade para lutar e acreditar quando nenhum de nós acreditava. Em alta competição a sorte procura-se, e neste FCP, já se viu que são os jogadores que vão ao encontro dela e não o contrário.

E é esta capacidade anímica que se nota que ainda faz falta no SLB e no SCP, ou até em geral nas equipas portuguesas. É a única razão para não termos sucesso nos últimos anos. Resta esperar que o SLB se supere amanhã e possamos festejar um regresso em pleno das equipas portuguesas ao topo do futebol europeu. Para que ingleses e quejandos passem a respeitar-nos.


Credit: http://news.bbc.co.uk

De resto, ficam alguns números: Manchester Utd: 2 remates à baliza; 1 remate para fora; 42% posse de bola, F.C. Porto: 5 remates à baliza; 4 remates para fora; 58% posse de bola.

Nota final: confesso que é com algum prazer que leio Giggs falar de "gozo" antes do jogo de hoje, aqui.

Rua da Judiaria- 

Num dos posts mais aguardados, o Nuno Guerreiro brinda-nos com uma extensa análise ao anti-semitismo, que pelo que pude ler nas primeiras linhas promete ser marcante. Ao leitor atento recomendo. Ao Nuno, agradçeço (mais uma vez).

Fidel, comunista e rico. 

O Líder está na lista da Forbes como dos homens mais ricos do Mundo. Notícia no site brasileiro da BBC.

Arte no Porto 

No fim-de-semana que passou pude constatar que o velho Burgo não está morto. Antes pelo contrário. A zona da Rua Miguel Bombarda está bem viva e recomenda-se. Galerias de Arte abertas, são umas 10-15. Sou, devo confessar, um crítico mordaz da arte portuguesa. Não senti no que vi exposto, tanta fraude genial como é costume. Direi mesmo que havia nível elevado em várias exposições. Muito interessante, bem melhor do que ir a Serralves.

Com a vantagem de ter Duas lojas de discos únicas: a Matéria Prima para música recente, no R/C do "Artes em Partes", a loja do Francisco Ferrão no primeiro andar do mesmo edificio, que vende vinil em 2ª mão. Casa de chá, cabeleireiro "hype", movéis design em 2ª mão, uma loja de máquinas de filmar e fotografar LOMO, uma loja de materiais de belas artes, três ou quatro cafés com boa cerveja- "finos" ou "príncipes".

A livraria Assírio e Alvim, duas ou três drogarias/mercearias locais, e vários espécimens da população indígena, vociferante e alardeando o seu poder (da boca para fora). Ainda perto: várias lojas de móveis, com destaque para a Extra-möbler, com mobiliário nórdico dos 60's (Rua da torrinha), a joalharia que está ao lado (design de Barcelona, top-classe) e muitas lojas de antiguidades (nem todas abertas) na mesma rua (Torrinha).

Por tudo isto, e pelo que não ficou descrito, vale a pena experimentar e visitar. Passear e descobrir que não só há sol na Invicta, como pontos de interesse excepcionais.

Manchester Utd X FC Porto 

Dentro de uma hora será o embate. Como postei após o primeiro jogo, a eliminatória ter-se-á perdido nas Antas. Uma equipa e um treinador que claramente substimaram o adversário deviam ter sido castigados severamente, ao ponto de não poderem discutir a eliminatória. Assim, é mais provável um desfecho favorável ao clube mais poderoso do mundo, com uma equipa sempre habituada a ir aos quartos de final, cada ano. Desta vez, vão tomar as bombas, e não vão subestimar o FCP. Será, por isso, muito difícil a equipa portuguesa qualificar-se.

Fica, isso sim, e desde já, a ideia que qualquer das grandes equipas portuguesas tem hipóteses de discutir o resultado com os grandes da europa. Jogando bom futebol. Vamos ver como corre amanhã o SLB contra o Inter...

2 Notas Rápidas. 

1 - Voltou, finalmente! Resta saber o que é feito dos seus companheiros do blog associado. Voltai, estrangeirados!

2 - Aqui o meu co-blogger TMM apoia Kerry, mas eu não afino nada por esse diapasão. Vale a pena ler o resumo que o maradona (com minúscula) faz (o post chama-se "Fico Doente", mas não tem link directo) da última discussão blogosférica acerca de Bush. Não sei se será dos jacarandás, se será antes o Método de Contemplação da Tromba, genialmente descoberto por Miguel Sousa Tavares.

Firenze - Il Palazzo Vecchio 

Um parlamento com poder político, que foi secular e laico. Era de certo modo excepção, numa época de Monarquias e submissão ao Vaticano. Florença chegou inclusive a funcionar como República.


John Kerry 

O sistema é ridiculamente simples. Vai-se ao site e contribui-se. Resolve-se assim aquela sensação que temos, que é a de ser de todos nós a responsabilidade da eleição de um dos homens mais poderosos do mundo. Mas porque raio é isso importante? Nunca como hoje foi tão importante, nunca como hoje a história pode resvalar num sentido claramente dramático, em vez de caminhar para a calma e a paz.

Ora, está também nas nossas mãos dar a ajuda possível a John Kerry. Essa ajuda pode ser dinheiro? Pode, porque não? Afinal de contas é das ajudas mais directas e pragmáticas que pode haver. Para derrotar Bush. Por uma causa. Por uns Estados Unidos reconciliados com o mundo. Por um Presidente que saiba onde é o Cabo da Boa Esperança. Pela mudança. John Kerry é o homem certo para o lugar.

Monday, March 08, 2004

Anátema. 

Acabo de ter um frémito de horror, levemente espasmódico. Navegando pela blogosfera seleccionada (links da direita), constato que o Bull e o Bear nos incluem nos seus links. Até aqui, tudo bem, mas após o primeiro nano-segundo de observação reparo que nos incluem numa secção chamada A Arena. O problema surge quando vejo que os outros blogs desta secção são todos blogs ditos vermelhos, excepção feita ao Notas Verbais. Caros Touro e Urso, não haverá por aí alguma deslocação?


Râguebi - Portugal ganhou de novo. 

Na sua deslocação à República Checa, a Selecção Nacional deu boa conta de si, vencendo o jogo, com alguma dificuldade. Destaque para Joaquim Ferreira, que obteve a sua 44ª internacionalização, tornando-se o jogador mais internacional de sempre.

No 6 Nações, o choque aconteceu em Twickenham, onde a Irlanda bateu o campeão mundial Inglaterra.
Ver o artigo do Times, aqui. De salientar a vitória da Itália sobre a Escócia, bastante saudável e interessante para o desporto da oval.


Entrevista do Monde a Aznar 

Em vésperas da saída de cena do político europeu com mais sucesso dos últimos 30 anos, o Le Monde faz-lhe uma extensa entrevista. Serve o presente post para relevar o carácter excepcional da dita entrevista. Diga-se, de passagem, que Aznar nunca teve nem o meu favor, nem a minha simpatia. O seu bigode teve uma má performance no caso Prestige, onde obedeceu à França e mandou o barco para a costa portuguesa.

Em quase tudo o resto, Aznar teve comportamento excepcional. A Espanha foi o 6º país que produziu mais riqueza do Mundo em 2003. Teve uma estratégia brilhante, com desígnio nacional na questão da Guerra do Iraque. Com Portugal, conseguiu marcar pontos diplomáticos importantíssimos. Pela primeira vez em talvez 500 anos temos dirigentes na península capazes de pô-la no mapa do mundo.

A península Ibérica, em termos puramente económicos, é a 5ª economia mais produtiva do mundo, a caminho de ser a 4ª. Mesmo que não goste do bigode, do seu centralismo, do seu partido PP, tenho que admitir: nada neste líder é comparável aos líderes políticos da Europa de hoje. Ele está milhas à frente. Senão, leia o leitor em discurso directo, aqui.

Lisboa - fim de tarde, com S. Jorge ao fundo. 


Porto - Edificio do Séc. XIX, com céu azul por trás. 


Sunday, March 07, 2004

Do estrangeiro 

Encontrando-me fora de Portugal tenho andado alheado do que por aí se passa. Sem acesso à internet procuro gastar os breves e dispendiosos minutos de telefone para Portugal, e depois de me inteirar da saúde e disposição de todos, a perguntar os resultados de futebol (quem marcou? quem marcou?). Tenho quase a certeza que esta revelação não espantou ninguém. O que não sein se é bom se é mau. Mas também não sei se issi interessa.
Ainda assim e por um acaso, num almoço num restaurante pertença da Santa Casa da Misericórdia, dou de caras com uma televisão acessa a transmitir na rtp-i o telejornal. Não perdi muito tempo aí defronte, e pelas melhores razões que puderem imaginar, mas sempre consegui ter a má fortuna de ser brindado com as imagens (sem som) da actuação do presidente da câmara do Marco num qualquer campo de futebol. Como não estava ninguém à minha volta não precisei de fingir que não era portugês, e com um leve rubor nas faces rapidamente deslizei até à sala de jantar. Amarante é mais longe do Porto que o Marco, não é? optimo.

Friday, March 05, 2004

Noites frias quentes. 

Da minha janela, pareceu-me ouvir a Primavera chegar, caules ainda sós de onde brotam tímidas continuações.


Lisboa, Fevereiro de 2004


Mais Lisboa. 

TMM, aqui te deixo mais Lisboa, esta Lisboa de que eu tanto gosto, agora nesta tarde coberta de um furioso manto que desespera até rebentar em aquosa fúria. Que se faça a liquefeita vontade.


Lisboa, Agosto de 2003


"Os Descobridores" de Daniel J. Boorstin - Post 5 

Ed. Gradiva Pág.153

" Separados de África apenas por um pequeno estreito, os Portugueses eram extraordiariamente isentos de preconceito racial ou de provincianismo. Os seus antepassados eram celtas ou iberos. Casavam com africanos e asiáticos. Portugal tornou-se numa pequena proto-américa, um lugar onde as pessoas se misturavam- cristãos, judeus e muçulmanos. Uma ocupação muçulmana deixara a sua marca nas instituições. Os diversos recursos físicos, mentais, temperamentais, tradicionais, estéticos e literários enriqueceram-se mutuamente e forneceram as energias variadas e os conhecimentos heterogéneos necessários para penetrar no oceano aberto e regressar de novo.

A aptidão de regressar era essencial se um povo queria enriquecer-se, adornar-se e esclarecer-se com a experiência adquirida em lugares distantes. Numa época posterior chamar-se-ia a isso feedback. Era de importância capital para o descobridor e ajuda a explicar porque motivo o ir para o mar, a abertura dos oceanos, assinalaria uma grande época para a humanidade. Num empreendimento humano após o outro, o acto sem o feedback tinha poucas consequências. A capacidade de fruir e tirar proveito do feedback era uma faculdade humana fundamental. Os empreendimentos de navegação, e até o seu êxito num só sentido, foram em si mesmo pouco importantes e pouco rasto deixaram na história. Chegar lá não bastava. O inte-relacionamento dos povos da Terra exigia a capacidade de regressar, de votar à origemda viagem e transformar os que tinham ficado em casa com as mercadorias e o conhecimento que os viajantes tinham trazido dos lugares onde haviam estado. "

O Tejo, à tarde. 


"Os Descobridores" de Daniel J. Boorstin - Post 4 

Ed. Gradiva, pág 153

" Por isso, os descobrimentos Portugueses exigiram um programa nacional progressivo, sistemático, passo a passo, para se ir avançando através do desconhecido. A empresa de século e meio, cujo real significado foi imaginado com muita antecedência e cuja realização foi imediatamente conhecida. O maior feito de Colombo foi algo que ele nunca sequer imaginara, um subproduto dos seus propósitos, uma consequência de factos inesperados. O feito dos Portugueses foi o produto de um prpósito claro, que exigiu forte apoio nacional. Tratou-se de um grande protótipoda exploração moderna.

O planeamento a longo prazo só foi possível porque os Portugueses tinham empreendido uma aventura nacional com espírito de colaboração. Anteriores épicos nacionais de povos europeus cantaram a coragem e os feitos de determinado herói, de um Ulisses, de um Eneias, ou um Beowulf. O épico da navegação portuguesa não podia cantar, como Virgílio, "de Armas e do Homem". Agora, o herói tornara-se mais plural. "Esta é a história", assim começa Camões os seus Lusíadas ( apropriadamente assim chamados por tratarem dos filhos de LUSO, companheiro de Baco e primeiro povoador mítico de Portugal), "de heróis que, deixando para trás o seu Portugal nativo, abriram camiho para Ceilão, e mais além, através de mares por onde nenhum homem antes navegara." As dimensóes da vida tinham-se alargado e tornado mais públicas e populares. Enquanto baladas antigas celebravam um deus-heóri, as baladas modernas celebravam povos heróicos. "

Thursday, March 04, 2004

Lisboa, o desordenado casario, a luz amena do fim da tarde. 


Rosenborg- 2 - SLBenfica- 1 

Seria injusto, depois da ironia indisfarçada deste post, não relevar o feito extraordinário do SLB ontem na Noruega. esse país de Vikings, onde o campeonato se interrrompe, devido às temperaturas irem não poucas vezes aos 30ºC negativos.
Mas adiante, conforme o leitor poderá constatar por este índice e outros que lhe estão ligados, o nº de clubes portugueses a disputar provas na Uefa é directamente proporcional ao desempenho dos clubes que temos ainda em disputa.

Não admira ninguém o facto de na nossa liga, e nos últimos anos, para além das 4 posições do topo da tabela, nenhum lugar tem atractivo especial. Daí os clubes de meio da tabela serem pouco competitivos , daí o campeonato ter acentuado a fraca categoria que às vezes nos caracteriza.

Ora, o SLB, para além do FCP, consolidam os dois lugares directos na Champions, mais um clube nas eliminatórias. É possível ainda outros quatro clubes na Uefa. Só com o aumento do nº de clubes a irem à uefa se pode gerar mais competitividade, mais ambição, melhor jogo jogado, mais receitas, maior disputa até mais tarde na liga. E cada vez melhor desempenho em confronto com equipas europeias, força do hábito de estar presente nas ditas competições.

Não devemos ser do Benfica, do Porto, ou do Sporting, pela razão saloia de ser patriota. Devemos se-lo pela consciência que a bom desempenho destes clubes implicam melhorias para a nossa liga, e para todos em geral. Devemos faze-lo por querermos que se jogue cá cada vez melhor futebol. E para quem gosta de futebol, acima de gostar do seu clube, não há outro caminho que não esse.

Pelo exposto, ontem levei as mãos à cabeça quando os Vikings marcaram dois golos em 15 minutos. Vibrei com o golo do NG, e incrédulo assisti à sua rábula imbecil. Que raiva me deu! À minha volta, vi gente gritar com os golos do Rosenborg. Gente veladamente honesta. (Sportinguistas, diga-se). Continuei a acreditar, e no fim fiquei muito contente com a vitória. Sinceramente. Gostar de futebol é isto. Ontem não jogaram bom futebol. Talvez não passem contra o Inter de Milão. Mas para o ano, já vão à Champions com outra calma. É o que falta ao Benfica e ao Sporting. Mais nada.

É verdade, confesso, eu sempre confundi Venezia com Lisboa... 

...e agora ainda vai ser pior, com estes novos ex-libris importados.

Depois do queijo "tipo flamengo" temos uma ponte tipo Rialto. O que é uma ponte tipo Rialto? Uma ponte de pedra com um mercado? Uma ponte muito fotografada? Uma ponte desenhada por Foster?

Já que vamos ter uma torre tipo Campanile e uma ponte tipo Rialto porque é que não destapamos o caneiro de Alcântara e passamos a ter um caneiro tipo canaletto?


(Caro Pedro, a minha dúvida maior é saber se também vão vender vidro de Murano no "rialto alcantarense". E gravatas de seda? E os cacilheiros, vão ser trocados por vaporettos? )

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